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Apicultores potiguares buscam saídas para reverter queda na produção

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Apicultores potiguares buscam saídas para reverter queda na produção

Em pouco mais de cinco anos, o Rio Grande do Norte viu um dos itens essenciais da pauta de exportação entrar em declínio. Devido à forte estiagem, a produção de mel foi drasticamente reduzida em cerca de 80%. Com 1,5 mil toneladas produzidas por ano, o estado foi perdendo capacidade produtiva e a queda acentuou gradativamente a partir de 2010, chegando, quatro anos depois, a apenas 211 toneladas. Hoje, o quadro continua desanimador. Entretanto, apicultores das regiões produtoras buscam saídas para não abandonar a atividade e encontram no conhecimento a arma de resistência a esse cenário negativo.

A capacitação foi decisiva para 20 apicultores de São Rafael, município que fica a 216 quilômetros de Natal, no Vale do Açu. O grupo procurou o Sebrae e passou a contar com acompanhamento técnico e consultorias na área de manejo nutricional das colmeias durante a seca. Os apicultores aprenderam a elaborar um composto proteico, feito a partir da mistura de soja, mel, açúcar e um promotor L, em substituição ao pólen. O resultado não foi diferente do esperado. Eles conseguiram obter mel nas primeiras floradas do ano mesmo numa época de chuvas escassas e irregulares.

Uma alternativa para driblar esse período de estiagem foi direcionar o foco da atividade para os subprodutos apícolas que não seja mel. O melhor exemplo disso vem da região do Mato Grande, onde existem mais de 60 pequenos apicultores que apostaram na produção de pólen, além de outros derivados. A região possui a segunda unidade de processamento de pólen do Nordeste. A estrutura está instalada na comunidade Tabuleiro do Barreto, na zona rural de Taipu, onde é desidratado o pólen recolhido das colmeias nas cidades da região.

Manejo alimentar

Um dos apicultores que decidiram investir nessa possibilidade foi Francisco Canindé Ferreira, que, a partir de 2010, resolveu que era a hora de deixar a produção de mel e recolher o pólen. Com apiários nas cidades de Taipu e Touros, ele consegue obter em torno de três a quatro quilos de pólen por dia. Isso só foi possível porque o produtor aprendeu a alimentar as abelhas com um composto à base da sobra do pó de pólen, que não tem valor comercial.

Apesar de as regiões Oeste e Alto Oeste concentrarem a maior parte dos 3,5 mil apicultores do estado, cuja produção está direcionada à obtenção do mel, o Mato Grande é considerado o maior polo produtor de pólen norte-rio-grandense. Cada quilo vale comercialmente cerca de R$ 80. Para viabilizar a produção desse derivado, o Sebrae estimulou produtores da região a participar de visitas técnicas a polos consolidados de produção de pólen na Bahia, além de capacitação envolvendo boas práticas apícolas em campo, noções de associativismo e consultorias em gestão.

Atualmente, o Rio Grande do Norte conta com cerca de nove mil apicultores, dos quais o projeto Setorial de Apicultura do Sebrae já atendeu cerca de cinco mil deles. Os números dão conta ainda de 100 mil colmeias e 11 casas de mel registradas junto aos órgãos fiscalizadores.

Jovens apicultores

Outra estratégia para retomar o crescimento da apicultura no estado e não deixar a cultura de abelhas se perder é incentivar jovens a se envolver com a atividade. Cerca de 100 de filhos de apicultores tradicionais estão aprendendo as técnicas apícolas para renovar e fortalecer o setor. A proposta vem do projeto Apis Jovem Empreendedor, desenvolvido há dois anos pelo Sebrae no Rio Grande do Norte. A ideia é inserir jovens apicultores no mundo empreendedor, tendo como foco a geração de renda, diversificação dos produtos da colmeia, produção, comercialização, gestão e fortalecimento do mercado interno.

Os participantes são jovens como Severino dos Santos, que mora no assentamento Modelo 1, no município de João Câmara. Ele tenta assumir o negócio do pai Josué dos Santos, que possui três apiários na localidade. Assim como os demais integrantes do projeto, o rapaz recebe capacitação, ações de acesso a novos mercados e consultorias tecnológicas de acompanhamento.

Os jovens, com idade entre 18 e 25 anos, são de cidades das regiões Oeste, Alto Oeste e Mato Grande potiguar. O eixo do programa é estimular a manutenção da apicultura por meio da sucessão familiar na atividade. “Há uma baixa renovação familiar dentro da atividade e persiste uma certa resistência dos apicultores mais antigos em lidar com os novos nichos de mercado, que agregam valor e geram mais renda. E a nossa ideia é reverter este quadro, fortalecer e manter a apicultura potiguar via”, explica o gestor do projeto setorial de Apicultura do Sebrae-RN, Lecy Gadelha.

Com informações do Portal No Ar.

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