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Laíre Rosado defende fim do radicalismo político

Entrevista

Laíre Rosado defende fim do radicalismo político

Entrevistado na 14ª edição do Jornal News 360, O ex-deputado Laíre Rosado relembra a época do impeachment do presidente Collor e faz um paralelo ao processo que se arrasta contra a presidente Dilma. Ele também fala da política de Mossoró, defende o fim do radicalismo político, garante que ainda não há aliança com a ex-governadora Rosalba Ciarlini, mas não descarta a possibilidade. Confira:

JORNAL NEWS – Laíre, o senhor saiu da vida política, deixou de ser candidato por opção. Mas viveu um momento histórico no Brasil, igual ao que a gente está vivendo hoje, que foi o impeachment do presidente Collor. Eu gostaria que o senhor fizesse um paralelo entre aquele momento e o que acontece nesta conjuntura.

LAÍRE ROSADONaquela época, do impeachment de Collor, teve um componente emocional mais forte. Foi a juventude que tomou a frente da campanha, indo para as ruas, os famosos “caras-pintadas”. E com um detalhe, quase que à unanimidade da população contra Collor. Dessa vez não, nós temos uma boa parcela de eleitores defendendo Dilma Rousseff. Inclusive o Partido dos Trabalhadores com uma luta tenaz para sustentar o nome da presidente Dilma, e querer caracterizar o movimento como sendo um golpe de estado. Então, a principal diferença talvez seja essa. No Fora Collor foi a unanimidade, e com Dilma, não.

JN – E, na sua opinião, há exatamente esse elemento jurídico que possa se caracterizar o impeachment da presidente Dilma ?

LR – Sim. O próprio governo reconhece isso. O que o governo defende é que o ato da pedalada, como foi chamado, só foi considerado irregular, a partir de 2015. Então com isso o que tiver sido praticado para trás deve ficar sem apurar porque não havia a caracterização da ilegalidade. E o governo se apega muito nisso. O ministro José Eduardo Cardoso, inclusive, deu um exemplo, de que é como se você previsse uma velocidade máxima, vamos supor, de oitenta quilômetros a partir de agora e quem andou com mais de oitenta antes, estaria condenado a pagar uma multa. Existe o aspecto. Mas em Direito, sempre você vai contar com o que pode e o que não pode. Os a favor e os contra. Tanto é que nas decisões dos tribunais superiores, raramente existe a unanimidade, sempre existe alguém discordando. Há quem defenda que não há ilegalidade no que foi cometido e outros que sim. Inclusive, de acordo com o discurso político, e a gente que em tudo tem um componente político, o senador Cristovão Buarque fez um apelo para que os governistas não dissessem mais que era um golpe. Porque no instante em que a saúde estava sucateada, no momento em que a educação estava abandonada, quando uma doença como o vírus transmitido pelo Aedes aegypti estava matando a população, tudo isso era crime, era pecado.

JN – O senhor concorda que esse impeachment de Dilma, também, é resultado do respaldo popular que ela perdeu? A situação teria levado a uma junção de uma coisa com a outra?

LRBom, o impeachment começou de uma oportunidade política. No início, a população estava fazendo as passeatas contra a corrupção, contra o aumento do custo de vida, mais atenção à saúde, à educação e tudo isso. E os manifestantes não aceitavam a presença de políticos nos palanques. Mesmo assim, com a presença de artistas, de cantores, não conseguia dar uma divulgação que o momento exigia. Então, no momento em que entenderam isso, os manifestantes, é que os políticos tiveram acesso aos palcos da mobilização e até com a reação de certos grupos que não aceitavam. No momento em que se criou a oportunidade, que a classe política entrou com a ideia do impeachment, então a população a partir daí começou a apoiar. Com certeza grande parte dos que estão apoiando o impeachment não sabe nem por que é que estão a favor. Apenas estão na onda, achando que o dinheiro não está mais dando pra fazer a feira, que está faltando o medicamento em casa, que a aposentadoria está muito pouca, e assim por diante. Então vai criando esse bolo que vai se formando e vai crescendo. Mas certamente, uma boa parte desses que fazem parte do pró-impeachment não tem uma noção exata do que é que estão pedindo.

JN – Na sua época, o Congresso se manifestou mais ou menos daquela forma? Mandando recado para as mulheres, para os filhos? E também tinha um comando mais adequado, digamos assim? O fato também do deputado Eduardo Cunha, com todos os seus problemas jurídicos ter presidido uma sessão daquele porte?

LRNão. Foi completamente diferente. Um ou outro é que aproveitava para dar alguma mensagem. Mas de uma forma geral era sim ou não, a favor ou contra. Inclusive eu não posso nem criticar muito porque aproveitei o momento para mandar uma mensagem política pra Mossoró…
JN – …era na época da eleição de Dix-huit?

JN – …era na época da eleição de Dix-huit?

LR – Dix-huit tinha como um dos slogans da campanha “Marcando o meu amor por Mossoró”. Então eu usei, “Marcando o meu amor por Mossoró eu voto pelo impeachment de Collor!”.

JN – E o que esperar do país hoje, a partir desse momento? Daqui pra frente? Como o senhor vislumbra o futuro da Nação?

LRO país hoje está parado. A verdade é essa. Não está andando. Nós temos ministérios acéfalos, com a segunda pessoa de cada um fazendo o papel de ministro. Tivemos agora aquele absurdo que foi a esposa de um ministro tirar fotos sensuais. Como se fossem poucos os problemas da presidente, ainda ter que lidar com coisas desse tipo. Então é preciso haver um remanejamento, uma transformação radical em relação a isso.

JN – E o vice-presidente Temer tem a capacidade de aglutinar forças e levar adiante o País?

LREu acredito que sim. E por quê? Porque ele é um político extremamente hábil, experiente, constitucionalista dos melhores do país, e está recebendo a confiança da classe política.

JN – Bem articulado …

LR… bem articulado. Inclusive teve uma passagem. Quando o PSDB começou a fazer exigências, de que não sabia se ficava com Temer ou não, alguém que estava ao lado disse “se o PSDB não vier, vai continuar o mesmo Governo Dilma”, quer dizer, à exceção do PT, Temer vai ficar com os mesmos que estavam com Dilma. Então é preciso que a oposição venha para ajudar ele. E ele, a partir do apoio que tiver da classe política, passara a ter também a aprovação.

JN – Agora vamos falar sobre Mossoró. Quando o deputado Vingt Rosado passou o comando, o bastão político do grupo dele para o senhor, naturalmente houve reações, ente elas a que resultou no rompimento com o grupo da ex-governadora Rosalba Ciarlini. Hoje fala-se numa reaproximação. O que existe de mito e de verdade nisso?

LR Nos primeiros anos de rompimento, foi uma época muito traumática. Porque havia um radicalismo exacerbado. Depois passou-se a uma convivência pacífica. Quando Rosalba foi eleita governadora, Sandra era deputada federal e teve a oportunidade de procurar por Rosalba e ajudar no encaminhamento de vários pleitos relacionados ao Estado e a Mossoró, sobretudo. Antes, na eleição para o Senado, também havia uma pressão muito grande por parte dos nossos correligionários, para que não se criasse maiores dificuldades, que chegasse a derrotar um candidato de Mossoró, que chegando ao Senado seria mais fácil para a cidade. Então esses dois episódios de Rosalba no Senado e Rosalba no Governo fizeram uma aproximação maior. Sobretudo, entre a ex-deputada Sandra a ex-governadora Rosalba, que passaram a dialogar. Sandra foi num determinado momento coordenadora da bancada do Rio Grande do Norte e articulava para que Rosalba governadora tivesse acesso mais fácil, que ela já tinha, claro, mas para organizar as reuniões, para agendar as entrevistas com os ministros. E tudo era feito por Sandra. E a partir daí que virou sintonia mais favorável para essa convivência que existe hoje. Quanto a uma aliança política, não existe conversa nesse sentido.

JN – Mas é impossível acontecer?

LR – Não é impossível. Em política, tudo depende do momento. Vamos lembrar que o grupo Rosado tem à frente o deputado Vingt Rosado. De 1960 a 1982 fez uma oposição tremenda, radical, ao grupo de Aluizio Alves. Mas chegou o momento que para mostrar o desacordo com a política, que vinha sendo adotada no estado pelo ex-governador Tarcísio Maia, que lançou o seu filho José Agripino a governador, o deputado Vingt Rosado insurgiu-se contra essa decisão. E qual era o caminho? Só tinha Aluízio. Então houve o entendimento com Aluízio e a partir daí também começou a convivência pacífica, civilizada com Aluízio. 

JN – O senhor acha que a população assimilou a perda de dois mandatos representativos, na Assembleia Legislativa, no caso a deputada Larissa e do deputado Leonardo Nogueira para Mossoró? E também na Câmara Federal?

LRNão. Eu acho que não. Pelo fato de não ter havido substituto ou substituta à altura. Se nós tivéssemos uma bancada estadual fazendo um trabalho que Larissa e Leonardo faziam. Se nós tivéssemos dois deputados federais. Só tem um, mas no primeiro mandato ainda, muito jovem e não adquiriu a experiência necessária e só daqui a uma outra eleição, se ele for reeleito pode até ser que haja uma presença mais marcante. Mas a atuação de Sandra era muito intensa, era muito proveitosa para Mossoró, como também a de Larissa, e a saída das duas deixou um vazio que, não tendo sido ocupado por ninguém, fica mais difícil a assimilação.

JNHá ambiente político para a deputada Larissa Rosado disputar novamente a Prefeitura, ou seu grupo lançar um outro candidato?

LRSim. Se houver a necessidade, se for o caso, se for o melhor caminho, a candidatura poderá ser lançada. No caso, o nome que está sempre à disposição é o de Larissa. É o mais viável. Mas o que a gente observa é que hoje em Mossoró parece que todo mundo está observando o que vai acontecer. Ninguém está querendo dar um passo à frente. Só o prefeito, que tem uma máquina administrativa na mão e é mais fácil mobilizar, fica mais tranquilo para se deslocar, aparecer, para participar de eventos públicos, dar entrevista e tudo o mais. Mas eu acredito que até o início de junho nós haveremos de ter essas definições de candidaturas, de alianças. De como é que deverá marchar a política mossoroense que hoje tem seis ou sete possíveis candidatos a prefeito. Mas a gente sabe que nem todos chegarão ao final. A grande dificuldade para todos os candidatos a prefeito, vereador e tudo vai ser a proibição pelo TSE e pelo STF, do financiamento de campanha por entidades jurídicas, por empresas. Então, cada pessoa só vai poder receber de contribuição de pessoas físicas e dentro de um percentual do que aquela pessoa ganhou declarou ao Imposto de Renda. Você já imaginou, se você tem amizade com dez candidatos a vereador, aí você vai ter que fatiar um percentual para campanha toda. E vai ser muito difícil. O dinheiro não vai circular. O caixa dois pode acontecer? Pode, mas é muito perigoso.

JN – E quais são as suas impressões sobre a administração Francisco José Júnior?

LR São as piores possíveis. Eu até pensei que pudesse acontecer alguma coisa de novo para Mossoró. Alguma realidade diferente. Mas o que a gente acompanha, é diferente do discurso oficial. A gente vê a saúde sucateada, a gente vê a segurança e eu não vou dizer que ele não esteja se esforçando, mas não está tendo a competência e o resultado necessários para alguma coisa. E, basta você ver, não precisa nem eu dar a minha opinião. Basta você ver as pesquisas de opinião pública, quando mais de 80% da população mossoroense criticam a administração. Reprovam administração. Então melhor do que a minha opinião é a opinião levantada nas pesquisas.

JN – E sobre o Governo Robinson? Ele já conseguiu encontrar o caminho que desejava?

LREmbora ele venha procurando fazer um esforço para superar as dificuldades, até agora também não conseguiu mostrar o que ele divulgou. Ele focou muito o seu discurso na segurança. E o que a gente está vendo hoje no Estado?. Mas você pode dizer “mas é no país todo”. Pouco importa. Ele dizia que ia resolver o problema da segurança e que ia ser a meta principal do seu governo. A gente vai à saúde e é um outro dano. Inclusive os municípios e aqui mesmo em Mossoró reclamando que não recebe a transferência daquilo que o Estado deve investir na Saúde. Robinson ficou sem seis secretários de estado durante mais de 20 dias. Agora que ocupou duas secretarias e vai para a terceira. Mas também sem conseguir transmitir confiança ao eleitorado.

JN – Agora voltando para o nível municipal. Com essas reduções de despesas, redução de receitas, FPM, royalties da Petrobras e tudo, o senhor acha que é possível fazer um governo para frente, bom em Mossoró?

LRPorque é que ainda tem gente querendo ser candidato a prefeito? Teria que fazer um reajuste muito grande na máquina, para conseguir fazer alguma coisa. Priorizar aquilo que é mais importante e que a população está querendo. A gente não pode dizer não é possível a governabilidade. É sim. A gente tem municípios que estão apresentando um trabalho excepcional. Aqui mesmo em Natal, a gente vê prefeitos anunciando obras, inaugurando avenidas, pontes e enfim mostrando alguma coisa. Talvez ele seja dos poucos aqui no Rio Grande do Norte que esteja conseguindo isso.

JN – E a bancada federal do Rio Grande do Norte está a contento?

LRNão sei se é aquela falta de Sandra, de Betinho, que tem mais experiência que o filho, mas a gente não vê, não escuta falar da mobilização dessa bancada aqui no Estado…

JN –… muito jovem …

LR… muito jovem e parece muito alheia a tudo. Ainda não conseguiu fazer uma sincronização das ações. Como acontecia nas bancadas anteriores. Havia reuniões de bancada, havia a defesa de algum tema e hoje a gente não está vendo nada disso. Mas a renovação foi muito grande e é possível que ainda se consiga alguma coisa.

JN – E o senhor ainda tem algum projeto político?

LRNão. Nenhum. Desde a morte o meu filho que eu perdi o sentido da política. Eu acho que ele foi vítima da política e eu fiquei muito marcado. E não quis saber mais de nenhuma atividade política e, diariamente eu aconselho a todos lá de casa, que ainda militam, para que deixem. Porque depois que se acomodam é melhor do que continuar com a política. Mas, talvez eu não fosse vocacionado o bastante para continuar na política. Mas eles são mais vocacionados do que eu e continuam insistindo.

JN – Alguma mágoa do passado?

LRNão. Eu não sei se é um defeito ou se é uma virtude, mas eu não consigo ter mágoa de ninguém. Eu não guardo rancor, eu não guardo nenhuma lembrança ruim. Porque não tem ninguém que não diga: “não, eu não gosto, eu tenho mágoas”. Mas eu quero bem a todo mundo. Não tenho raiva de ninguém.

JN Uma mensagem para Mossoró:

LRJá que nós estamos nos aproximando das eleições, que a gente possa ter um pleito com espírito desarmado, com debates políticos elevados, pensando mais na cidade do que em si próprio e evitando o radicalismo, que separa os amigos, separa a família, durante o processo político.

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Entrevista concedida ao jornalista Gilberto de Sousa, para o Jornal News 360 – Fotos: Erinaldo Silva. 

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