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Lázaro Paiva abre o verbo ao analisar momento político em Mossoró

Entrevista

Lázaro Paiva abre o verbo ao analisar momento político em Mossoró

O ex-prefeito e ex-vereador em Mossoró, Lázaro Paiva, foi o entrevistado na 15ª edição do Jornal News 360. Na entrevista ele recorda algumas campanhas memoráveis na cidade, faz análise política sobre o momento atual e avalia a situação de grupos, sempre com muita irreverência, o que lhe é peculiar. Confira:

JORNAL NEWS – Lázaro Paiva, o senhor já foi vereador, por dois mandatos…

LÁZARO PAIVA… rapaz, eu sou ex num sei de quantas coisas.

JN – Ex-prefeito inclusive…

LP… ex-prefeito, ex-vereador, ex-presidente da liga, ex-maçon, ex-Lions e, por aí afora. Eu sempre trabalhei com multidão. Eu adoro multidão.

JN – Exatamente. Mas vamos começar pela política. O senhor é filiado a algum partido ainda hoje?

LPEu sou do PT do B. Eu cancelei a minha candidatura a estadual, mas não me desfiliei do partido. Continuo filiado ao partido.

JN – Como o senhor vê hoje, fazendo um paralelo, da política de Mossoró do passado com o atual momento? Na Câmara Municipal, por exemplo?

LPOlhe, a Câmara hoje tem uma mobilização maior do que antigamente e eu vou dizer por que: Falam mais, a oposição briga mais. Apesar de que tem horas que eles, Tomaz Neto e Genivan saem de sintonia, dizem umas bobagens. Mas aquilo ali é necessário. Tem que ter. Agora só tem uma coisa que é diferente hoje. É que no nosso tempo, não tinha, votar por dinheiro e nem por cargos. A gente votava pelas lideranças. Era Vingt Rosado de um lado, e o do outro era contra. Então, a gente votava pela liderança do esquema. O esquema de Vingt e o contra Vingt. Naquela época era assim.

JN – O senhor foi prefeito de Mossoró durante …

LP … quatro dias.

JN – Era presidente da Câmara naquela época?

LPEra presidente da Câmara. João Newton viajou para a Alemanha e Alcides Belo teve que ir pra Fortaleza. Aí Vingt pediu a ele pra passar pra mim, porque registrava no curriculum como eu sendo prefeito de Mossoró. Porque veja bem, ser prefeito de Mossoró. Quem é que não quer ser?. E Canindé Queiroz foi quatro anos vice-prefeito e nunca assumiu.

JN – Dix-huit nunca deixou…

LPNunca deixou. Eu vi Vingt pedir várias vezes e Dix-huit dizia: “só se ele passar por cima do meu cadáver”. É porque naquele tempo em que Canindé foi vice-prefeito, foi quando eu cheguei aqui em Mossoró em 72. E o povo gritava: “é o bicho”, que era Canindé, naquela época. Aquele negócio do “bicho”. E então Canindé era ovacionado. E tinha uma equipe de gente preparada para rasgar a roupa de Canindé. E Canindé achava que era dono dos votos. Dix-huit era o catedrático e Canindé era o popular. Um rapazinho novo, muito bonito e aquele negócio todo. E ele, tomando uma cervejinha lá em ‘Chiquinho da Gruta’, e disse que em voto ele “defecava” na cabeça de Dix-huit. Aí Dix-huit soube e aí deu uma bexiga e não deixou ele assumir nenhum dia. Mas são coisas da política.

JN – Como o senhor analisa hoje, em termos de liderança. Mossoró está carente de lideranças?

LPMuito. Não tem. Mossoró está copiando exatamente o que está acontecendo no Brasil hoje. Nós não temos uma liderança nacional. E Mossoró não tem. Quem ainda tem um resto de votos em Mossoró, é Rosalba. Eu não me dou muito bem com ela, e tudo, tem uns detalhes e você sabe por que é. Mas ela é quem ainda detém o maior número de votos. Mas já não tem mais aquele montante de voto como tinha.

JN – Qual foi o erro de estratégia do deputado Carlos Augusto Rosado durante esse tempo?

LPÉ o seguinte: Carlos Augusto nunca foi estrategista. Carlos Augusto é porque casou com Rosalba. Carlos Augusto não é médico, não é formado, não é comerciante. Ele só sabe ser marido de Rosalba. E ruim. Não!. Porque se ele tivesse casado com Sandra, estava “lascado”, não tinha feito nada. Porque Rosalba foi preparada para ser prefeita de Mossoró. Na Comunidade de Saúde. Aquilo já era um esquema de Vingt Rosado. De tudo isso que está aí, o resto que ainda tem foi Vingt Rosado quem fez.

JN – Então, quer dizer que liderança, para o senhor, seria Vingt Rosado? Uma grande liderança?

LP – O homem que tinha voto em Mossoró, que mandava nos votos em Mossoró, se chamava Vingt Rosado. Dix-huit não tinha votos. Dix-huit nunca elegeu um vereador.

JN – E a deputada Sandra Rosado? Copiou a…

LP… ia herdando a liderança de Vingt. Mas é porque Sandra é o seguinte: ela para dar uma esculhambação em você, dá ligeiro. Sem pensar duas vezes. Aí estraga. Ela faz com as mãos e desmancha com os pés. E o que aconteceu com Sandra? Sandra não reciclou. Ela está com um PA vencido. O PA é Pedro Almeida. E Rosalba tem um CA. Que é Carlos Augusto. Que o câncer dela é Carlos Augusto. Porque o problema sabe o que é? É que Carlos Augusto lambeu uma rapadura, 40 anos, para pegar o Governo, que é herança do pai. E pegou. Mas a primeira coisa que ele fez, e repare o erro que Carlos Augusto fez: a primeira errada que ele deu. Primeiro. Rosalba era pra ter feito uma auditoria no Estado. E mostrar que o estado estava quebrado. Não. Ele pegou e tirou a imprensa todinha do palácio e mandou para p… que pariu. Aí brigou com a imprensa. Aí, pronto, começou a errar aí. Aí num aprumou mais.

JN – Como o senhor vê a possibilidade de uma reaproximação entre Sandra e Rosalba?. O povo aceita?

LPEu não sei se… , Rosalba vai terminar de se “lascar”, porque não tem retorno de Sandra e Larissa. Eu não vejo retorno, nessa conjuntura atual.

JN – Mas Larissa não seria uma candidata mais leve do que Sandra?

LPOlhe, Larissa só pode ser prefeita de Mossoró se for candidata única e olhe olhe, que eu voto em branco. Porque Larissa só tem votos antes da eleição. Ela sai com 40% e não passa disso. Porque tem umas coisas em política que caem no gosto do povo. Larissa é a menos ruim. Porque hoje, vamos tirar Rosalba fora. Rosalba andando numa carroça ela se elege prefeita de Mossoró. Eu não tenho dúvida disso.

JN – E dentro desse contexto, qual a análise que o senhor faz do cenário atual?

LP – E quem quer que Rosalba seja candidata é Carlos Augusto. Para poder sentar na cadeira e ficar mandando. Ela não quer. Sabe por quê? Ela vai terminar de rasgar a carteira dela agora, se ela assumir a Prefeitura. Porque no estado ela rasgou uma parte. Aí dizem “não, é porque ela quer ser senadora”. Aonde?. Rosalba só tem um resto de votos em Mossoró. No Estado ela não tem em canto nenhum. Mas, se ela não for candidata a nada agora, e daqui a dois anos for candidata a deputada federal, ela se elege achando graça. Ele vá cuidar da vida dela. Mas, se ela for prefeita, vai fazer o quê? Sem ter o dinheiro?. Esse prefeito aí não está fazendo porque não tem o dinheiro. Ele não é burro. Esse rapaz nunca foi burro. Eu o conheço como a palma da minha mão. Ele namorou com uma filha minha quatro anos aqui.

JN – Qual é análise que o senhor faz, do cenário hoje, principalmente agora com essa entrada dos empresários? Desse grupo de empresários, o ‘Tião da Prest’. Como o senhor vê isso?

LPÉ porque, veja bem, o empresário, quando ele tem uma veiazinha de política lá por trás, porque o vereador diz uma coisa. E todo mundo diz: “Tomaz Neto é doido”. Não é doido. Ele é apenas alvoroçado. É 30%. Mas não é doido. O vereador diz uma coisa e sai no rádio, no jornal, na televisão. O empresário diz e não sai. Então, a vaidade do empresário leva ele para a política. Você veja que Edvaldo Fagundes estava se preparando pra ser candidato.

JN – O senhor considera que o empresário é aquela pessoa que já tem e quer ser? Seria isso?

LPExatamente. Ele quer aparecer. Como empresário ele aparece, por exemplo, o ‘Tião’. Muita gente vê falar em ‘Tião’, mas da classe média alta pra cima. Porque na popular ninguém sabe nem quem é ‘Tião’. Né verdade? Todo mundo sabe disso. Agora ele é um cara bem-sucedido, porque um homem que hoje em Mossoró 1.500 funcionários, é muita coisa. Tá bem aprumado. Tá com dinheiro.

JN – O senhor acha que dá tempo ele alcançar a periferia?

LPDo jeito que está fazendo, não dá. Eu encontrei com ele e disse: “olhe, se você não cuidar agora, para o bairro saber quem é você, fica difícil”. Porque na hora da campanha, está todo mundo na rua. Aí não dá tempo de você fazer. Porque tem o bombardeio. O certo é ele começar a aparecer agora. Eu disse a ele; “por que é que você não está nos bairros?”. “Mas como Lázaro?”. E aí eu disse: “você tem que me pagar pra eu dizer como é”. Não. Porque ele tem uma cobra dentro do bolso. Também tem esse detalhe.

JN – O senhor acha que ele quer ganhar só com a conversa?

LPIsso. E outra coisa, o marqueteiro dele, com todo o respeito e tudo, não sabe de nada. Ele foi marqueteiro de Rosalba porque não precisava. Foi de Larissa e foi um desastre. E ainda mais colado com Pedro Almeida, aí acabou. Por que Pedro Almeida, de cento e dezesseis candidatos a vereador, ele brigou com cem.

JN – O senhor chegou a ser candidato ultimamente? Qual foi a última campanha que o senhor disputou?

LPA minha última eleição foi a de vereador em 88. Eu fui aí candidato a deputado federal e estadual uma vez, mas por brincadeira. No tempo de Laíre e João Newton eu fui também.

JN – Agora, no atual cenário de Mossoró, o senhor acredita que terão quantos candidatos?

LPSempre tem os candidatos que são eternos …

JN – … mais competitivos.

LPEu acho que o prefeito talvez vá pra reeleição. Não sei. ‘Tião’, está consolidada a candidatura dele. Agora, Larissa, dizem que é a eterna candidata. Então eu acho que saem uns três ou quatro candidatos. Mais ou menos os mesmos, se Rosalba sair.

JN – E qual a análise que o senhor faz …

LP… o ‘Tião’, ele tem vez. Sabe por quê? Ele pegando o gancho da situação do Brasil, o povo quer mudar. Tá havendo uma sede de mudar. De querer botar outras pessoas. Então ele tem vez. Agora, se Rosalba for candidata, não é fácil. Eu não tenho nada contra Rosalba. Mas não gosto de Carlos Augusto. Porque ele me fez um mal, sem precisão. Nós éramos amigos e só porque eu frequentava a Gazeta, do amigo Canindé e, não tem nada a ver, ele misturou as coisas. Mandou fechar as duas bancas de revista que eu tinha banca Lêlê e Banca Lálá, no centro. Mas Rosalba é quem tem voto em Mossoró. Agora, que diminuiu muito os votos dela, diminuiu. Porque nós temos o exemplo da campanha passada, de deputado. Ela gravou um discurso, tirou um retrato ao lado de Betinho e ele só teve quinze mil votos pra deputado federal em Mossoró. Já Sandra, caindo aos pedaços, teve 28 mil. É isso aí que todo mundo está olhando.

JN – E o cenário nacional? O senhor acha que os políticos estão desacreditados?

LPTodos.

JN – e Lula, foi uma decepção pra o senhor?

LPNão foi. E foi pelo seguinte: eu não sabia que ele ia dizer aquelas besteiras. Não foi nem o caso dele conversando com Dilma. Foi o que ele disse depois. E aí chamou todo mundo de covarde, o Supremo. Então ele ali mostrou a baixaria. E aquilo ali foi aonde ele se arrebentou perante à nação. Foi ali. Eu vejo as pessoas que são lulistas, pessoas simples e eles dizem: “rapaz, o homem fez uma besteira”. Já ouvi várias pessoas dizerem. Então ele perdeu muito com aquilo ali. Se Temer assumir e aprumar o xote um pouquinho, aí acabou a época do PT.

JN – O senhor considera que está se fechando o ciclo petista?

LPÉ. Agora eu acho que Aécio Neves também vai junto com esse PT. Então essa situação nacional está refletindo em todos os municípios. Tá uma moda. Você veja que nessa semana afastaram a prefeita de Areia Branca. Você não via isso, de primeiro. Mas perderam o medo. Porque desde o dia que prenderam ‘Lalau’, o juiz federal, a imprensa perdeu o medo de chamar a autoridade de ladrão. O povo perdeu o medo de chamar. Então está aí o Delcídio, um senador na ativa e que foi preso e cassado. Então acabou essa brincadeira de “não dar nada”. Não dá nada? Taí tudo fichado aqui em Mossoró. Eu gosto muito de dizer que no tempo de Jesus tinha aquele negócio da maldição, da praga de gafanhotos. Era malaria e eu não sei lá o que diabo era. Aí a maldição pegou lá nos Estados Unidos. Pegou Kennedy, o irmão dele, e aí veio pra Brasília e pegou Collor, o irmão, o amigo dele, matou a mãe e matou tudo. E aí disse: “pra onde é que eu vou agora?”. Aí veio pra Mossoró e pegou todo mundo. Porque aqui ninguém sofria nada. No duro, nem é bom. Sandra está encerrando a carreira política dela, mas…, porque eu encontrei com Gastão no Banco do Brasil E ele disse: “Lázaro’, e eu disse: “como está o Duarte Filho?”. E ele disse, “aquilo ali é sem solução. Acabou a sociedade. Agora ali só tem uma vantagem, para mim. É que eu sai dali, mas não saí fugido e não tenho nada a confiscar”. Ele disse isso enquanto os outros não podem dizer com a Dix-sept Rosado. E esse negócio vem de longe. Então hoje, eu fico até bestinha quando vejo o Observador Político falando de ladrão, de desonesto. O que é isso.

JN – E qual é a análise que o senhor faz da administração Francisco José?

LPÉ muito ruim. Porque não tem o dinheiro. Porque não tem homem no mundo que administre bem se não tiver o dinheiro. E não escuta ninguém. Olha, quando houve esse problema dos feirantes, faz barracas, eu peguei uma cartolina aqui em casa, fui ali e medi o mercado todinho e fiz, rascunhei um projeto. Aumentando o mercado alguns metros, acabando com aquela rua que tem ali na praça, dois metros pra lá, fazendo um primeiro andar. E daria 420 lojinhas. E a praça de alimentação ficaria ali onde é aquela rua, e todas as barracas do Centro, todos os feirantes iriam pra dentro do mercado e ia ser um shopping popular no centro da cidade. Todo mundo ia ganhar dinheiro. Porque o que você quisesse de bugiganga era ali dentro. No Centro, no coração da cidade. Levei pra ele. E ele não deu nem ouvidos, nem olhou. Ele interessou-se, mandou eu falar com uma pessoa e explicar, mas não tinha dinheiro pra fazer.

JN – E o governador Robinson Faria?

LPRapaz, por incrível que pareça, Robinson, eu acho que já fez mais do que Rosalba. Não parece, mas fez. Porque já chamou 800 policiais, 30 ou 40 juízes assumiram, ajeitando a Polícia Civil, cuidando da criminalidade. Hoje, a Grande Natal é integrada aí por computação, que era pra ter sido feito na Copa do Mundo. E essa secretária que está aí botou pra funcionar esse negócio. Tá equilibrando as coisas. Pegou o Estado devendo um bilhão, e está saindo. É porque, está aí, num jornal, ele perdeu duzentos milhões no ano passado em arrecadação …

JN – … falta de dinheiro também…

LP… falta de dinheiro. Não tem. Porque o problema, sabe o que acontece? Se Temer não criar, no outro dia que ele assumir, a CPMF, o Brasil não sai dessa. Não tem como sair. Porque a CPMF, do jeito que ia ser criada aí, que Dilma queria, e é o certo, é 0,9% para o município; 0,9% para o Estado e 0,2% para a União. Então o dinheiro chega. E na hora eu chegar dinheiro para o município, para o Estado e para a União, porque o Brasil, todo mundo lá fora quer investir, porque o Brasil é viável. Quem diabo vai investir na Venezuela?. Mossoró é viável? É. E não é viável mais por quê? Porque a direção da Petrobras está tonta e em vez de ter resolvido o problema do petróleo em Mossoró e na região, bote essas empresas pequenas como a de ‘Tião’ para explorar esse petróleo daqui porque ainda tem futuro. É porque o nosso amigo Lula fez um crime. Botou a refinaria pra Recife quando o petróleo está aqui.

JN – Se o senhor fosse prefeito de Mossoró hoje, quais seriam os seus primeiros atos?

LP Rapaz, agora você me botou numa encruzilhada danada. Eu gostaria até de ser prefeito de Mossoró, mas eu lhe digo com toda sinceridade, eu não gastaria uma prata para ser prefeito de Mossoró. Hoje. Porque não tem perspectiva. A arrecadação não dá pra segurar o município, não tem vida própria. O dinheiro que está vindo não dá, os royalties acabaram-se e então não tem dinheiro. Esse rapaz, já já não vai pagar em dia. Porque não tem de onde tirar o dinheiro. Eu “rodei” agora quase cinco mil quilômetros à procura de Carnaval. Eu andei numas 12 prefeituras e só veio uma em dia que é Fortim no Ceará.

JN – Qual foi um fato pitoresco da sua vida pública?. Você deve ter vários!

LPO que eu achei mais interessante na minha vida foi o seguinte: Eu fiz o concurso da Polícia Rodoviária em Natal, e eu trabalhava com seguros lá. E eu fui na companhia lá em Recife e pedi para colocar uma agência aqui. Eu fui quem pedi pra vir pra Mossoró. Passei 14 anos em Natal. E Natal não me queria. Quando eu ia ajeitando uma coisa, dava errado. A última que eu tinha era uma loja de confecção, e pegou fogo. Ficou só a saudade. Aí eu fui ser motorista de praça. Num tempo em que estavam matando motoristas de praça, naquela época, que foi a mais difícil da minha vida. Eu era arrimo de família e sustentava seis irmãos.

Então quando eu passei no concurso e disse: “minha filha, vamos morar em Mossoró. Vamos para lá porque vou colocar uma agência da companhia lá e juntando com a demanda da Polícia Rodoviária Federal dá pra gente viver bem. E, se não der certo eu vou ser vereador lá”. Com quatro anos que eu estava aqui, fui eleito vereador. Porque o pitoresco da história todinha foi isso: quando eu cheguei aqui em abril, no mês de julho começou a campanha com Dix-huit candidato.

E eu já tinha conhecimento com uma parte da turma aqui, pois eu tinha um veículo Veraneio, carro de som, estava do lado do ‘Touro’ e Helisom do lado do capim. Eu hospedado no Grande Hotel, de Diran, e Hélio, no Hotel Brasil. E de noite a gente ficava conversando na calçada do Hotel Brasil e os carros na rua. E quando foi na penúltima noite de comício, Diran chega pra mim, aqui no Alto de São Manoel, ia descendo uma passeata, porque naquele tempo eram 24 horas no ar. “Lázaro, rapaz você vai ajudar a puxar a passeata aí no carro, como locutor.

Porque tem um locutor, mas está doente e o outro está bêbado”. E eu digo: “e que disse a você que eu sou locutor? Eu tenho carro de som, mas não sou locutor”. E ele, “quebre esse galho pra gente”. E eu digo, “eu vou pegar lá no Imperial”. Fui pra lá, mandei colocar umas “lapadas” de conhaque, que era para criar coragem de falar em microfone porque eu não falava coisa nenhuma. E aí quando a passeata foi passando em frente ao Imperial eu entrei na cabine, era uma Kombi de Helisom. E eu entrei dizendo: “é Dix-huit e Canindé’, meio acanhado ali dentro.

E quando desci a ponte encontrei com Lobato e pedi que ele colocasse uma “lapada de cana”. E comecei a falar. Lá vai eu com um chapéu de palha na cabeça e uma camisa. Tinha acabado de sair do plantão. E eu morava lá na Rua Wenceslau Braz e a mulher lá sentada. A passeata entrou ali pra Catedral e quando chegou no pátio da igreja a Kombi parou pra esperar o pau-de-arara que vinha com Dix-huit. Porque era um caminhão, naquele tempo. E aí eu me lembrei que Aluizio ia trazer o Trem da Esperança para Mossoró.

E o trem não veio. E aí eu inventei uma brincadeira. E eu disse: “vocês sabem por que é que o trem não veio? Porque quando o trem foi sair, a zoada da máquina dizia Dix-huit e Canindé. E vamos dizer como é que o trem dizia, Quem é que o povo quer? é Dix-huit e Canindé!”. E aí o povo endoidou e eu dominei a galera.

E o povo dizia que eu era o locutor de Recife. Locutor de Recife coisa nenhuma. E aí a turma fechou lá. E a passeata era na Kombi. E saímos. Quando amanheceu o dia, estava lá na barragem de baixo. E eu digo, “vamos esperar o caminhão aqui e todo mundo tomar um banho pra baixar a poeira. Caíram umas mil pessoas dentro da água e eu disse: “vai perder a campanha agora porque vai morrer 100 aí afogados”. E nessa brincadeira eu vim terminar lá no mercado do Bom Jardim. E de lá eu fui pra casa, a garganta inflamada, porque eu não sabia a prática de locução.

Cheguei em casa a mulher aperreada. De noite, eu tinha que dar plantão na Polícia Rodoviária. E a garganta queimando. Quando eu cheguei, e a camisa e o chapéu na mala do carro. E quando eu chego no posto, aí chega Laíre, Diran e parece que doutor Rosadinho (Dix-Sept Rosado), também. E disseram: “Lázaro, de noite é pra você ir encerrar lá no Alto da Conceição, porque está todo mundo procurando o locutor de Recife”. E eu digo, “amigo, olhe como é que eu estou aqui”. E ele disse: “não, mas eu já trouxe aqui uma injeção para aplicar em você e uns comprimidos”. E eu digo, “eu tô de plantão aqui”, e eles disseram a gente já vem casa de Geomar e ele autorizou você sair do serviço. “Vamos fazer um negócio, vamos aplicar essa injeção, você repousa e quando for de dez horas você desce para pegar lá no Alto da Conceição ou então a gente manda um carro pra lhe pegar”. E nessa brincadeira eu fui pra essa passeata e fiquei até o dia amanhecer.

JN – E daí foi ficando conhecido em Mossoró? …

LP Foi a partir daí que eu fiquei conhecido. E lá vem a outra campanha. E aí doutor Vingt disse: “Lázaro, por que é que você não sai candidato a vereador?”. E eu digo, “dá certo não doutor. Eu viver de quê? Afastar-me e não ficar recebendo?”. Porque não recebia. Aí ele disse, “não, mas está tramitando uma lei e vai ser aprovada esta semana que vai dar direito a você se afastar e ficar recebendo”. Aí eu disse: “aí tá certo”. Aí quando eu cheguei em casa, dois ou três dias depois, era lá na Cohab, e a mulher disse assim: “ e isso aqui? O deputado Vingt Rosado dizendo que já considera você um vereador”. E eu disse: “é porque passou a lei lá”. E ela disse: “você é candidato?”. E eu disse: “se você deixar”. Porque eu disse que vinha pra e ia ser vereador. Mas você sabe por que é que eu fui candidato a vereador? Porque, primeiro, eu gostava. Gostava não, eu sou louco por política. E eu olhei e disse: “peraí”. O DNER tinha trezentos e tantos funcionários naquela época.

E Jader era meu amigo e quem comandava essa turma. E Hervécio da Socel era meu amigo de infância, de Areia Branca. E é quem comandava a Socel que tinha 300 funcionários. E eu digo, “aqui nesses dois setores dá pra arranjar um bocado de votos”. Aí falei com Hervécio e com Jader e eles mexeram os pauzinhos e aquela coisa toda. Aí eu fui prá o meio da rua.

Agora só tem um detalhe, na primeira eleição eu não sabia falar. Tentei fazer dois discursos e não deu certo. Mas aí juntou eles todinhos e eu fui eleito nas últimas três urnas. Fiz um trabalho bom na Câmara e quando foi na minha reeleição, sim, aí foi prorrogado o mandato por mais dois anos. Fui pra reeleição, fui prestar contas do que tinha feito e deu tudo certo. E aí eu já sabia falar, em termos de discurso, porque aprendi na Câmara. Foi lá eu aprendi a falar. Eu falava em toda sessão e peguei o tom do discurso.

A bagagem eu tinha que era a história de desde os meus 11 anos de vida lá de Areia Branca. No tempo de Carcará e “avoete” eu já me metia no meio. Em Natal eu fui quem inventei aquela campanha de Frei Damião. Foi eu quem criei lá em Natal. E Aluizio mandou me chamar. O Magnus Kelly era o governador, porque Aluizio não queria ir pra o rádio. E foi quando ele me ofereceu um emprego de fiscal de renda que era pra eu tirar a campanha de Frei Damião das ruas. E eu não aceitei.

Pois era para eu comprar. Quando Dix-huit foi pra Rosalba, ele me chamou lá no palácio. E Pedro Almeida ainda era o chefe de gabinete. Me chamou lá, ele e Sílvio Mendes e disse: ”mandei-lhe chamar aqui pra lhe entregar a Secretaria de Serviços Públicos e você bota quem você quiser. E você vem com tudo que tem direito pra apoiar a Rosa”. Era a maior adesão depois de Dix-huit, a minha.

Aí eu disse, puxa vida, eu como deputado estadual e a Secretaria de Serviços Urbanos na mão, naquele tempo. E aí eu disse: “mas eu não me vendo”. Eu era correto. E disse: “doutor Dix-huit, quando o senhor foi eleito prefeito eu pedi a secretaria e o senhor não me deu. Agora o senhor está querendo me comprar e eu não vou”. E toda vida Dix-huit foi muito frio. Ele não esquentava. E disse: “o que você está achando da campanha?”. E eu disse: Rosalba ganha porque ela desce o Alto de São Manoel com dois mil votos. Mas eu não vou”.

Foi aí, quando eu perdi a eleição em 88. Porque eu esperava Laíre, doutor Vingt, todos eles em cima do palanque dizendo que quiseram comprar Lázaro Paiva e ele não se vendeu. Ele me dava dois mil votos só num discurso. Mas não me deram nem atenção. E eu disse: “essa porcaria tem lá futuro!”. Peguei umas meninas que tinha na rua, e meus negócios tudo abandonados, porque eu fazia comício de hora em hora, retirei o carro de circulação, e disse:” eu vou perder essa para poder sair dessa dificuldade”. E perdi por 150 votos. Mas perdi por que quis. Porque se eu quisesse, eu estava por cima da “carne seca”. Eu tinha 32 contas de poupança na Caixa Econômica só com o negócio dos bingos naquele tempo. Em 83 eu montei o Lazarão…

JN – … o Lazarão tem muita história em Mossoró.

LPTrio Elétrico em Mossoró era o Lazarão. Diran não montou aquele dele? E ele ficava puto por que diziam “lá vai o Lazarão de Diran”. Porque você chegava em Mossoró e era o Lazarão. E aqui em Aracati que foi um dos maiores carnavais do Ceará, era só Lazarão. E eu já pelejei pra fazer esse carnaval aqui em Mossoró, mas eles não deixam. Dava pra fazer um carnaval maior do que o de Macau, Apodi, Aracati.

JN – E hoje como estão os Lazarões?

LPNa garagem. Tudo aí. Depende do carnaval, de ano em ano. Mas com essa situação de seca, o Ministério Público é em cima e não deixa fazer. Tá muito difícil a situação. O evento parou. Parou tudo. E acabaram com os showmícios e tudo. Tirou de tempo. Porque nas campanhas de prefeito eu faturava muito. E os comícios eram uma festa.

JN – Quer dizer, a legislação tirou tudo isso, mas deixou dinheiro pra o pessoal comprar os votos?

LPMas acontece que criaram essa lei sabe por quê? Porque eles gastavam muito dinheiro com eventos. Então o dinheiro ficou pra comprar os votos que sai mais barato. É, por que um trazia Chiclete com Banana e o outro trazia a Banda Mel. Era assim. Contratavam dois trios elétricos. Na reta final faltavam bandas, faltava trios, faltava tudo.

JN – E uma mensagem agora pra Mossoró, diante disso tudo:

LPMossoró é muito boa. É uma cidade que tem futuro. Não é bem futuro. No presente ela está passando por dificuldades porque o Brasil inteiro passa por dificuldades. Mas tem um povo bom, que abraça quem chega aqui. Mossoró é solidária e é muito importante isso aí. Há apenas alguns desarranjos políticos, mas isso aí, eu tenho a impressão que nessa eleição agora, começam a consertar isso aí. O povo está sentindo na pele e vai chegar lá.

JN Você tem algum projeto político?

LP – Tenho não. Eu vou só assistir de camarote. Igual às baladas. Porque o meu projeto político foi esse agora recentemente. Eu fui candidato a deputado estadual, pois eu sabia que Mossoró não ia votar nem em Larissa e nem em doutor Leonardo.

Entrevista concedida ao Jornalista Gilberto de Sousa / fotos: Erinaldo Silva. 

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