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Consciência negra e os efeitos da história em nós

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Consciência negra e os efeitos da história em nós

No dia 20 de novembro é comemorado o dia nacional da consciência negra, pois foi neste dia, em 1965, que morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, local que funcionava como abrigo para escravos refugiados. Embora a abolição da escravatura só tenha vindo de forma oficial em 1888, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão. Além de reafirmar a vida dos negros como propriedade dos brancos, a tomada do Quilombo pelas tropas portuguesas simbolizou, sobretudo, a completa negação da identidade negra, tendo em vista que só lá eram permitidas as manifestações culturais e religiosas que representavam suas origens.

Considerando que a história é contada pelos brancos, não é incomum que nos deparemos com uma supervalorização dos europeus, em especial os portugueses, como os grandes heróis da nossa história. Como se já não houvesse ninguém aqui quando eles chegaram, e como se eles não tivessem construído absolutamente tudo o que fizeram dependendo da mão-de-obra indígena e dos negros que trouxeram da África.

Embora muitas vezes em virtude de um grande desconhecimento histórico e social, o fato é que continuamos a reproduzir práticas de preconceito e opressão das identidades negra e indígena, enquanto exaltamos tudo o que nos foi imposto a ferro e fogo pelos portugueses, desde coisas “simples” como o cabelo liso em comparação com o crespo, até a representação do catolicismo como a religião “do bem” e do candomblé como a religião “do mal”.

Continuamos querendo colocar todo mundo dentro da mesma caixinha, dos mesmos referenciais de beleza e estilo incorporados dos europeus e, posteriormente, dos norte-americanos. Ao invés disso, devemos valorizar a diversidade étnica e racial que somos privilegiados em ter, refletindo na riqueza da nossa cultura, música, dança, gastronomia e demais costumes, desde o gosto pelo banho, até o que nos alimentamos ou a pintura que enfeitamos o rosto.

Celebrar essa data não implica em homenagear apenas as pessoas negras, mas sim rever os conceitos dogmáticos da nossa própria história, que tanto nos impedem de praticar o respeito mútuo. Que essa seja apenas uma porta aberta no reconhecimento dos personagens importantes da nossa história para que possamos recontá-la dando o devido valor a todos que contribuíram para nos (trans)formarmos enquanto nação.

“O dia da consciência negra é importante para lembrarmos que alma não tem cor”.

(João Carlos Soares)

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Psicóloga e mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atua como psicóloga clínica no Núcleo de Desenvolvimento Humano, em Mossoró – (CRP-RN: 17/3108). Formada pela Escola Experimental de Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico-Existencial. Formada pela English School of Canada, em Toronto.

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