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Sobre as ocupações

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Sobre as ocupações

Nas últimas semanas, temos visto e ouvido falar bastante sobre as ocupações dos estudantes secundaristas e universitários de Norte a Sul do Brasil. No centro de suas pautas, está o posicionamento contrário à Proposta de Emenda à Constituição 241, que vai tramitar no Senado como PEC 55/2016, propondo o congelamento do orçamento para a saúde, educação e outros serviços públicos por 20 anos. Além disso, o projeto Escola Sem Partido (também conhecido por Lei da Mordaça) e a Reforma do Ensino Médio fazem parte das preocupações que provocam reações estudantis.

Diante do bombardeio de informações que somos atingidos especialmente pela televisão e pelas redes sociais com o intuito de formar opiniões e conseguir agregados a favor ou contrários aos movimentos, recorri ao dicionário online de Português para nortear minha reflexão. “Ocupação: ato ou efeito de ocupar ou de se ocupar.” É sinônimo de emprego, ofício, serviço, tarefa e trabalho. É antônimo de ociosidade, ócio, abandono, desocupação e inocupação.

A energia das ocupações é marcada pela sede de justiça, de liberdade e, sobretudo, de vida. Por um momento, até esqueço que é essa mesma faixa etária que marca os maiores crescimentos dos índices de suicídio no Brasil e no mundo. São esses estudantes que morrem atropelados caçando Pokémon no meio da rua. São eles que participam das chamadas brincadeiras perigosas, como os jogos de asfixia. Ao me deparar com a força de vontade desses estudantes, até esqueço que tantos deles são vítimas do tráfico, de homicídios violentos e acidentes de trânsito associados ao alcoolismo. São esses jovens que vivem atualmente mais tempo no mundo virtual, onde a única preocupação é como vai sair na selfie.

Mesmo sem perceber, as ocupações têm provocado uma verdadeira revolução em todos esses impactos psicossociais que tanto lutamos para combater. Há um chamado desesperado desses jovens para sair da inércia, da alienação e para desconectar o modo zumbi. As ocupações promovem encontros, cumplicidade, troca, debate, olho no olho, argumentação, contra-argumentação, pensamento, elaboração, discussão, desconstrução, frustração, resiliência, amadurecimento e conquista. Há um chamado para o mundo real, para a luta, a apropriação, a expansão e a resistência a todas as formas de opressão e negação de direitos.

Além de tudo isso, a bandeira que os inspira é a educação e (pasmem!) ela não vem travestida de nenhuma cor ou partido político. As ocupações estão abertas para receber ideais que fortaleçam a educação, na mesma medida em que repudiam quaisquer ações que venham a enfraquecê-la. Defende-se boas condições de trabalho, valorização e reconhecimento salarial aos professores, as peças-chave que tornam todos os sonhos possíveis. Defende-se que o ensino no Brasil deve ser público, gratuito e de qualidade, atributos que encontram-se declaradamente ameaçados. E por fim, deve ser inclusivo, pois o acesso à educação é um direito constitucional básico que não distingue credo, cor ou classe social.

“Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.”

(Che Guevara)

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Psicóloga e mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atua como psicóloga clínica no Núcleo de Desenvolvimento Humano, em Mossoró - (CRP-RN: 17/3108). Formada pela Escola Experimental de Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico-Existencial. Formada pela English School of Canada, em Toronto.

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