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O outro lado das festas de fim de ano

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O outro lado das festas de fim de ano

E então chega Dezembro, o mês que ilumina a cidade, que tem gosto de férias, descanso e confraternização. O mês que começa com os festejos de Santa Luzia e termina com lindos fogos de artifício na praia de Tibau. O mês que estimula o comércio, que proporciona o prazer das roupas novas, que traz o alívio do décimo terceiro, que revela amigos secretos, que excita as crianças na busca pelos presentes e que reúne as famílias em torno de fartos banquetes. O que mais podemos querer para o cenário perfeito de um último capítulo de novela?

Bem, queremos voltar para a realidade! Já não é de hoje que as “boas festas” vêm perdendo espaço para sentimentos melancólicos e nostálgicos, sobretudo diante do que planejamos em Janeiro e não foi cumprido como gostaríamos, acarretando frustração e desesperança para traçar as novas metas (velhas) e acreditar que ainda vale a pena lutar por elas. Além disso, embora a representação social das festas seja de alegria e celebração, não são poucos os relatos que só expressam tristeza e solidão!

Dezembro também chegou para quem mora sozinho (a), distante da família por opção ou necessidade, onde a única companhia é a lembrança de quem está longe. Para quem perdeu um ente querido e enfrenta uma saudade ainda maior neste período. Chegou para quem está com um familiar enfermo no leito de um hospital. Para quem está excluído do acesso ao consumo, duvidando até mesmo se é digno de celebrar o Natal por não ter a roupa nova, o presente ou o banquete. Chegou para a família que passou o ano inteiro separada, mas põe a mesa na noite do dia 24 recheada de protocolo, vaidade e quase nada de amor. Chegou para quem não se sente aceito dentro da própria casa e tem que estar ali para cumprir uma obrigação familiar.

Especialmente no que diz respeito a 2016, esse Dezembro não poderia deixar de trazer as marcas de um ano tão difícil. Um ano de crise econômica, desemprego e violência, com destaque ao lamentável feminicídio no Rio Grande do Norte. Um ano em que nos fizeram de palhaços, rasgaram a constituição brasileira por meio de um golpe branco de Estado, gerando conseqüências desastrosas nos últimos meses. Um ano de uma dolorosa guerra na Síria, da eleição de Donald Trump, da morte de Fidel Castro, de um desastre aéreo que nos partiu o coração. Ufa! É difícil mesmo resgatar o otimismo depois de tudo isso!

Elaboremos os nossos lutos, batamos a poeira e acreditemos que enquanto os bons forem maioria, ainda há esperança. Não precisamos perder mais um time inteiro de futebol para, finalmente, acabarmos com a competição adoecedora e unirmos as torcidas. Não precisamos de mais tragédias para valorizarmos a vida um do outro. Não precisamos de mais provas que só mudaremos de rumo se estivermos remando todos para o lado do bem, do respeito e da inclusão. Definitivamente, a passagem do dia 31/12 para 01/01 não será um fim de semana qualquer. 2017 pode sim ser o presente de um futuro que tanto queremos viver!

“O futuro não depende das ciências físicas. Depende de que está tentando compreender e lidar com as interações entre os seres humanos.” Carl Rogers

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Psicóloga e mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atua como psicóloga clínica no Núcleo de Desenvolvimento Humano, em Mossoró - (CRP-RN: 17/3108). Formada pela Escola Experimental de Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico-Existencial. Formada pela English School of Canada, em Toronto.

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