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Reitoria da UERN tem nome ligado à cúpula acadêmica

Entrevista

Reitoria da UERN tem nome ligado à cúpula acadêmica

O nome do professor doutor Emanuel Márcio como pré-candidato a reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte(UERN) surgiu de um desejo da academia, como ele faz questão de externar. Entre os nomes postos, há um nome da área situacionista, articulado pelo reitor Pedro Fernandes, que já admite disputar a reeleição, outro da ala sindicalista que seria a professora Telma Gurgel, um outro do setor docente, o professor doutor David de Medeiros Leite. Nesta entrevista, o economista Emanuel Márcio fala sobre sua pré-candidatura, proposta e tece críticas ao atual comando da Reitoria. Ele diz porque entrou no jogo:

REDE NEWS 360 – Doutor Emanoel Marcio, especula-se que o senhor será candidato a reitor da UERN. O que tem de veracidade nisso?

EMANOEL MARCIOO que acontece é que a própria imprensa, pelo fato de ser uma candidatura, digamos, de um perfil diferente, e não originada do sindicato e Enem da reitoria, possa ser uma pré-candidatura que não vingue, não se consolide. Eu sempre falo que pra ser candidato, acho que a estrutura em si, ela é importante. Tendo uma equipe, um bom projeto, naturalmente ela se consolida.

RN360 – O professor Pedro Fernandes, atual reitor, ensaia também uma candidatura. Depois apresentou uma outra professora, a Raquel que, digamos, seria a candidata da situação. A professora Telma Gurgel nasce com a candidatura do sindicato, ligado aos movimentos sindicais. Sua candidatura nasceria diretamente da academia?  

EM – Eu costumo dizer que tem três ambientes bem definidos. O ambiente da reitoria, da burocracia; o ambiente do sindicato que cria uma espécie de relação de classes entre a parte da militância, ligada aos servidores e a reitoria; e tem um terceiro que é o acadêmico, justamente a finalidade da universidade. O ambiente da reitoria, da gestão e do sindicato, são segmentos internos, de uma importância enorme para a instituição. Mas são segmentos muito específicos que, dá prejuízo quando eles se digladiam entre si. São atividades meio da universidade. A atividade fim é o ambiente acadêmico, a produção de conhecimento novo e a difusão dele no contato com a sociedade.  

RN360 – A sua pré-candidatura surgiu de uma iniciativa própria ou do estímulo da academia? 

EM – Pela primeira vez, de uma força que nasce dentro do próprio ambiente  acadêmico. Desde janeiro de 2016 que um grupo de professores, principalmente pesquisadores, me procuram, me estimulando a lançar meu nome como candidato a reitor. Até mesmo pelo fato de perceberem, assim como eu, que esse ambiente, ele tem sido ameaçado por um modelo de gestão que se reproduz em algumas eleições e que nesse agora torna ainda, um ambiente mais ameaçado. Eu sou um pesquisador, sou bolsista do CNPq, que é um reconhecimento nacional, uma raridade você conseguir, tendo como plataforma uma instituição com a UERN. E é natural ter a história que eu tenho como professor, como pesquisador, envolvente em ambiente de pós graduação e de pesquisa, além da própria gestão acadêmica que tenho da Faculdade de Ciências Econômicas. Fui assessor de pós graduação e pesquisa da Facem. Então esse conjunto de registros, que faz parte da minha história, eu acredito que me credencia pra disputar o cargo de reitor, e isso num momento em que a UERN, ela passa por uma situação crítica no que diz respeito à credibilidade. Tem, sido atacada externamente e fortemente ultimamente. E também uma carência muito grande de projetos que possa um dia transformar a universidade em algo que possa chamar realmente de universidade.       

RN360 – parte desses docentes apoiaram o professor Pedro Fernandes na Campanha passada …

EM – … inclusive eu…

RN360 – … houve aí um pouco de frustração com a administração do reitor?

EM – A primeira frustração foi a própria candidatura do professor Pedro Fernandes ter sido pautada em um discurso acadêmico que, inclusive eu apostei. No período eu era diretos da Faculdade de ciências Econômicas. E logo se descobre que era falso esse discurso.Ele pauta naturalmente a sua gestão, em pessoalidade muito forte. E se você observar, qualquer gestão, seja de uma prefeitura, um estado, ou qualquer órgão público, você tem que pautar uma gestão, um projeto coletivo, tendo a instituição acima de qualquer interesse. Gestão que prioriza pessoas recíprocas, muitas vezes aliados, pessoas que você muitas vezes beneficia dentro da instituição, e torna o coletivo vulnerável dessa forma. Pra mim é o que tem acontecido na gestão da UERN. 

RN360 – O envolvimento do reitor, uma questão política inclusive, se filiando a um partido político, isso aí também foi um desvirtuamento?

EM – Foi a afirmação, justamente, do falso discurso de acadêmico que ele tinha antes. Agora a pouco ele se desfiliou e pra mim foi uma atitude, eu acredito que até infeliz e imatura de tentar junto ao governador, uma espécie de simpatia por se filiar ao partido dele. Eu acredito que um gestor com firmeza, que realmente defenda a instituição com clareza, com projetos consistentes, não precisaria fazer isso. Eu acho que o cargo de reitor por si só, que traz aí quinze mil estudantes, mais de mil professores, mais de mil técnicos e você tem aí uma instituição de credibilidade no estado inteiro e no nordeste, fantástica. Não é pouca coisa e dá respaldo institucional pra você reivindicar junto ao governador e naturalmente ao ministro, a pessoas de alto escalão no país. Qualquer reitor de qualquer universidade pública do país, seja estadual ou federal, ele se impõe a partir da própria instituição que ele tem por trás. Então essa atitude eu acredito que, foi equivocada, afirma naturalmente o perfil não acadêmico dele. Até mesmo como gestor, no que diz respeito a firmeza e auto afirmação.   

RN360 – O senhor como economista, lutaria pela autonomia financeira da universidade? 

EM – Sim. Totalmente. A autonomia financeira ela é essencial para que garanta minimamente o duodécimo, o repasse mensal, protegido por lei, e que o reitor passe naturalmente a buscar recursos complementares para investimentos, para criar o custeio e outros tipos de despesas. Como a UERN ta hoje, ela força o reitor a negociar mensalmente com o governo do estado. E o pior, principalmente com pessoas que não entendem a realidade da universidade e talvez passem a atacar, de forma equivocada e irresponsável a universidade.  

RN360 – Seria o caso do desembargador Claudio Santos, que defendeu a privatização da UERN, sem conhecimento de causa ?

EM – Sim. É um dos casos, talvez dos mais recentes que gerou impacto negativo e muito forte. Recentemente ele falou uma outra frase que nós precisamos de governo. E eu complemento que, nós precisamos é de bons gestores que saibam realmente elaborara projetos consistentes. E faça com que esses projetos se traduzam em infra estrutura, em instrumentos de desenvolvimento. A UERN, ela precisa criar um ambiente onde esse tipo de crítica, esse tipo de ataque externo, seja anulado naturalmente pelo próprio escudo da credibilidade dela. Eu tenho andado em alguns campi avançados e algumas faculdades, e tenho encontrado professores coma a auto estima abalada. Com um sentimento de desilusão, com aquela impressão de que faz parte de uma instituição que está sendo tratada como se fosse de segunda ou de terceira categoria. E isso é muito ruim. A UERN é um patrimônio muito grande da nossa sociedade potiguar, e que sempre tivemos muito orgulho em fazer parte da UERN. E ver colegas falar com a auto estima abalada, eu acredito que é o momento de resgatar a própria imagem da UERN, e trazer ações que a transforme e gere maior credibilidade. E crie esse escudo para que possa repelir ou possa ser uma espécie de anulador de qualquer intervenção  nociva que venha de fora.    

RN360 – As propostas do senhor centram em que exatamente?

EM – Na busca de projetos externos pra revitalizar pesquisas de extensão, para a valorização do ensino de graduação. Ações de descentralização, principalmente com a participação dos campi avançados na gestão. A busca da autonomia financeira. Pontos como fortalecer cada vez mais a integração no ensino de mestrado e doutorado principalmente. E projetos que integre ou associe o envolvimento de estudantes em atividades de pesquisa e extensão. Para que os estudantes passem a ter o contato, além do conteúdo da sala de aula, tenham também outras experiências práticas fora. E isso eu desenvolvo já desde que cheguei do doutorado. E que, qualquer universidade desenvolvida do país, é o ambiente acadêmico, a dinâmica acadêmica que deve naturalmente se sobrepor a essa rivalidade que existe ainda numa instituição pequena como a UERN.      

RN360 – No momento, em que ponto está a sua campanha? E a comunidade acadêmica está assimilando as suas propostas? 

EM – Sim. Isso é um ponto que eu não esperava. A gente as vezes a gente acha que a nossa ideia é a que tem de melhor e absoluta. E o que eu tenho percebido é que tem havido uma correspondência muito positiva. Tem sido construída uma relação com muita dignidade, muito respeito, principalmente via Whatsapp, Facebook, tanto numa demonstração de apoio, como uma sinalização de que as propostas que tenho colocado, a ideia da nossa pré candidatura, ela tem sentido.  

RN360 – Suas considerações finais:

EM – Agradecer à REDE NEWS 360 pela oportunidade e dizer que o lançamento, a pré-candidatura, ela é naturalmente sólida, por mais que se ache estranho o fato de não estar saindo das estruturas do sindicato e da reitoria, um nome que venha, e que eu conheço há cinco eleições. Tem sido assim. E que o meu nome representa já um poder que a instituição necessita fortalecer, ampliar, que é o ambiente acadêmico. Por que a universidade, ela só existe, quando esse ambiente acadêmico se sobrepõe naturalmente.

Entrevista concedida ao jornalista GILBERTO DE SOUSA

Fotos: Wilson Moreno 

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