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A depressão como transtorno biopsicossocial

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A depressão como transtorno biopsicossocial

Segundo projeções da Associação Mundial de Psiquiatria, em 2020 a depressão será a segunda doença mais comum no mundo, perdendo apenas para as cardiovasculares. Estima-se que o Brasil possua 13 milhões de pessoas sofrendo de depressão. No mundo, são 340 milhões e cerca de 850 mil suicídios, a cada ano, provocados por ela, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Popularmente, este termo expressa simbolicamente uma experiência de tristeza, luto ou desânimo, referindo-se aos estados afetivos decorrentes da perda de um ente querido, de uma crise conjugal, de um período de desemprego, etc. Por outro lado, quando apresentada num contexto clínico, a depressão pode ser identificada enquanto sintoma de um transtorno maior (Esquizofrenia, Alcoolismo, Demência, doenças terminais, dentre outras) ou enquanto síndrome. Neste último caso, são observadas as alterações no humor, na concentração, no sono, no apetite, na disposição às atividades do dia-a-dia, na memória e na capacidade de sentir prazer. Embora cada pessoa vivencie uma combinação de sintomas de modo único, observamos a intensidade e a duração destes para avaliar sua gravidade.

No que diz respeito à origem, fala-se em depressão endógena quando envolve fatores constitucionais, de origem biológica ou predisposição hereditária, assim como defende-se a depressão exógena desencadeada por circunstâncias externas ou fatores ambientais.

O mais congruente é concebê-la a partir de um viés biopsicossocial. Essa posição conciliatória satisfaz os pesquisadores mais organicistas, para os quais tudo o que sentimos não ultrapassa a esfera bioquímica e hormonal, satisfaz também antropólogos e sociólogos que consideram sua natureza sociocultural, e aos psicólogos, ao falarem de sofrimentos e traumas que precisam ser elaborados.

A partir daí, podemos aprimorar o tratamento dos sintomas em todas essas dimensões. Tanto o acompanhamento psicológico quanto o psiquiátrico são importantes, mas precisam estar aliados a outras estratégias. Há um corpo físico que deve ser cuidado, estar bem alimentado, desfrutando de outras tantas alternativas terapêuticas e recebendo energia proveniente delas, como uma caminhada, uma arte, um bordado, a prática de um instrumento musical, uma aula de dança, de luta ou de yoga. Além disso, resgatar o prazer em estar vivo inclui estar junto de quem amamos e fortalecer os laços sociais. Aliviar as atividades e os ambientes estressantes passa a não ser um luxo, e sim uma necessidade em busca de saúde e qualidade de vida.

* Este artigo é um oferecimento dos patrocinadores Núcleo de Desenvolvimento Humano e Ativo Exato Contabilidade.

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Psicóloga e mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atua como psicóloga clínica no Núcleo de Desenvolvimento Humano, em Mossoró – (CRP-RN: 17/3108). Formada pela Escola Experimental de Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico-Existencial. Formada pela English School of Canada, em Toronto.

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