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Precisamos falar sobre outros tipos de violência

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Precisamos falar sobre outros tipos de violência

Nos últimos dias, temos visto e ouvido falar bastante sobre a violência urbana. Seja no trabalho, na faculdade, nos jantares de família, nos encontros com os amigos e nos grupos de redes sociais, tratamos desse tema com cada vez mais naturalidade, lamentavelmente.

Ao falarmos sobre isso com quem confiamos, é comum que sintamos alívio e recebamos uma palavra de apoio. Passamos a entender o que aconteceu com o outro, servindo de exemplo para que nos protejamos ainda mais. Além disso, é por meio desse compartilhamento que as autoridades podem ter uma dimensão dos números, dos lugares mais vulneráveis, dos tipos de violência que nos afetam e de muitas outras informações que contribuem com o fortalecimento da segurança pública.

Ainda que com todas essas informações na mão, sabemos o quão difícil é a prevenção e o combate da violência urbana, imagine então a tarefa árdua de construir estratégias de enfrentamento quando tratamos de violências que não têm espaço nas conversas entre família, amigos e nem, tampouco, na mídia.

Como estudiosa e profissional que trabalha com a prevenção do suicídio, deparo-me com o alerta da Organização Mundial de Saúde de 1 suicídio a cada 45 minutos, situando o Brasil em 8º lugar no ranking mundial, em números absolutos. Estima-se que o número de tentativas chega a ser de 10 a 20 vezes maior. Retalho, ainda, que esses números provavelmente não chegam nem a 10% dos dados reais, e a maioria dessas mortes são identificadas como “queda acidental”, “envenenamento acidental”, “afogamento acidental” ou, simplesmente, “outros”. É certo que essa discussão não é tão simples, que muitos fatores psicológicos e sociais contribuem com os estigmas, os preconceitos e as dificuldades de termos um contato mais sensível e realista com esse fenômeno.

Na oportunidade deste texto, resta-me apenas o apelo para que observemos e conversemos sobre isso com os nossos jovens, especialmente àqueles que apresentem histórico de transtornos psicológicos na família, violência psicológica/sexual, tristeza recorrente, sintomas ansiosos, bullying, fobia social, impulsividade, abuso de álcool ou drogas, dentre outras preocupações. Hoje, eles expõem essa vulnerabilidade, representando a terceira maior causa de morte na faixa etária entre 15 e 35 anos em ambos os sexos. Contem com o nosso apoio profissional para estabelecermos esse diálogo e cuidarmos dessa prevenção enquanto há tempo.

Acredito que essa preocupação também é compartilhada por colegas da saúde e da assistência social que lidam com a violência contra a mulher, o abuso sexual infantil, os maus tratos contra idosos, etc. É como uma nova bomba que sempre explode em nossas mãos, na certeza de que existem outras prestes a fazer grandes estragos bem perto de nós, com muita gente sofrendo calada, mas que não sabemos o acesso para desativá-las. Precisamos falar, cuidar, denunciar e prevenir a violência que acontece na rua, e em casa também!

*Este artigo é um oferecimento dos patrocinadores Núcleo de Desenvolvimento Humano e Ativo Exato Contabilidade.

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Psicóloga e mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atua como psicóloga clínica no Núcleo de Desenvolvimento Humano, em Mossoró - (CRP-RN: 17/3108). Formada pela Escola Experimental de Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico-Existencial. Formada pela English School of Canada, em Toronto.

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