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Centrais já articulam nova greve geral

Josivan Barbosa

Centrais já articulam nova greve geral

Nas festas comemorativas do 1º de maio ontem, lideranças das maiores centrais sindicais criticaram as reformas trabalhista e da Previdência, puxaram vaias ao presidente Michel Temer, anunciaram que poderão fazer nova greve geral e prometeram “marchas” para Brasília para pressionar parlamentares a votar contra as propostas. Entre os sindicalistas, a avaliação é de que a greve geral do dia 28 foi um sucesso. Hoje, dirigentes das centrais devem se encontrar com senadores para negociar mudanças na proposta trabalhista aprovada na Câmara. Amanhã, a reunião será entre as próprias centrais para definir os próximos protestos.

Aliado de Temer, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), ameaçou o governo com novas paralisações. “Se não abrir negociação séria, vamos parar o Brasil novamente”, disse no principal evento da entidade, em São Paulo. “Quem é contra a reforma trabalhista e a reforma da Previdência levanta a mão”, ordenou o deputado para os milhares de presentes. Com uma multidão com as mãos levantadas, bradou: “Olha aí, Temer”.

No ato da CUT, realizado na avenida Paulista e na Praça da República, o presidente da central, Vagner Freitas, mostrou sintonia com Paulinho. Disse que vai conversar amanhã com as demais centrais sobre a possibilidade de uma nova greve. Ele disse que Temer “não tem mais condições de governar”, pediu eleições diretas antecipadas e fez coro ao discurso de seus antecessores no ato – líderes do PCdoB, PCO, Psol e das centrais sindicais CTB e Intersindical também adotaram “Fora, Temer” e “Diretas Já” como palavras de ordem.

O presidente do PT, Rui Falcão, disse que oposicionistas começarão a colher assinaturas por uma Proposta de Emenda à Constituição para antecipar para outubro a eleição presidencial de 2018.

Os discursos nos palcos da Força e da CUT foram marcados por críticas a Temer. Um dos articuladores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Paulinho disse o presidente não pode levar à “dilmalização” do país. Afirmou que ele “não pode virar um Michel Rousseff”.

O ex-presidente da Força Luiz Antônio de Medeiros foi até mais contundente: “Trocamos seis por meia dúzia. Não sei quem é pior [Dilma ou Temer]. Em um ano o governo cometeu três atentados: terceirização, reforma trabalhista e essa proposta de acabar com a aposentadoria. Temos que reagir e se for preciso vamos fazer outra greve geral em maio.”

Além de Temer, o político mais criticado nos eventos sindicais foi o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), que chamou de “vagabundos” os participantes da greve geral. Deputado estadual tucano, Ramalho da Construção atacou o correligionário no evento da Força. “O prefeito que eu ajudei a eleger deve no mínimo um pedido de desculpas por duas coisas que fez: chamou os trabalhadores de vagabundos e, ao receber flores de uma senhora, tomou das mãos dela e jogou no chão”, disse, citando o episódio em que o prefeito irritou-se ao receber flores de uma ciclista, em lembrança pelos mortos nas marginais depois que a gestão aumentou as velocidades das vias. “Para quem prega ‘Cidade Linda’, está errado. No ano passado o Doria veio aqui pedir votos. Que venha hoje se desculpar pelo ridículo que fez”, afirmou. “Sou do PSDB mas não concordo com essas cretinices”.

No palco da Força, onde Doria discursou em 2016, a sindicalista Eunice Cabral disse estar indignada por ter sido chamada de “vagabunda” e cobrou respeito. “Na hora de pedir votos nós não somos vagabundos. Nos respeite e lave sua boca”, disse ela, representante das costureiras. Secretário-geral do sindicato dos motoristas, Chiquinho também criticou Doria e disse que os trabalhadores estão reivindicando seus direitos ao protestarem contra as reformas. Reiteraram as críticas Luiz Arraes, do sindicato dos frentistas, e Paulo Ferrais, do sindicato dos trabalhadores em edifícios.

No ato político da CUT, além das críticas de sindicalistas à declaração de Doria, os dirigentes das centrais reclamaram da tentativa do prefeito de proibir a manifestação da entidade na avenida Paulista. Depois de uma disputa que foi à Justiça, a CUT fez os discursos políticos no local e transferiu os shows para a Praça da República. A direção da central atribuiu o esvaziamento do ato, em parte, ao embate com o prefeito.

Embora as centrais tenham articulado em conjunto a greve geral de sexta-feira e lançado ontem um documento de repúdio às reformas, há diferenças entre as entidades sobre como devem ser encaminhados os próximos passos. A CUT é contra qualquer negociação com Temer e avalia que o importante nesse momento é impor derrotas ao governo, seja promovendo novos protestos, seja impedindo ou atrasando a aprovação das reformas no Legislativo. Já a Força tem repetido que está disposta a negociar com Temer.

As plateias das duas centrais também eram distintas. Na Força, o interesse parecia ser maior pelos shows de artistas como Zezé Di Camargo & Luciano, Michel Teló e Maiara e Maraisa do que pelos discursos políticos. Na plateia, mulheres traziam na cabeça faixas com o nome de artistas. Já na CUT, o slogan mais popular nas faixas nas cabeças, camisetas e cartazes era o “Fora, Temer”, além da solidariedade aos ex-presidentes Dilma e Luiz Inácio Lula da Silva.

A Paulista estava esvaziada e apenas a quadra onde ficou o caminhão de som ficou estacionado concentrou militantes reunidos pela CUT. Parlamentares como o líder do PT, Carlos Zarattini (SP), afirmaram que a greve geral esvaziou a festa. “São duas grandes mobilizações muito próximas uma da outra”, disse.

Na festa da Força, com a plateia cheia, Luiz Antônio de Medeiros chamou a atenção para a baixa presença de políticos, em contraste com os anos anteriores, dizendo que os parlamentares “estão com medo” devido ao desgaste da imagem da classe política com as duas reformas. Além de Paulinho, apenas três deputados federais participaram: Orlando Silva (PCdoB-SP), Major Olímpio (SD-SP) e Roberto de Lucena (PV-SP). “O resto fugiu”, disse Medeiros. “Se os deputados votarem contra os trabalhadores, eles não vão poder andar mais na rua. Vamos cassá-los. Eles não vão se eleger nem síndico de prédio”, disse.

Neste ano, enquanto as principais lideranças da Força lutam no Congresso contra o dispositivo da reforma trabalhista que extingue o imposto sindical, que ajuda a financiar as entidades, a central sorteou 25 veículos Hyundai da marca HB-20 em seus evento (19 em São Paulo e seis em outros Estados). Segundo Paulinho, os carros foram doados pela montadora.

Apesar do tom crítico a Temer, o evento da Força, ao custo de cerca de R$ 3 milhões, foi patrocinado pela Caixa. Trazia o logo do banco e do governo federal no palco. Os logos do governo paulista, da Sabesp e da Hyundai também estavam expostos. Antes de subir ao palco, Paulinho desconversou ao falar sobre o patrocínio da Odebrecht em festas passadas do 1º de maio da Força. Segundo o deputado, a Odebrecht era “uma empresa como qualquer outra”.

(Cristiane Agostine, Ricardo Mendonça, André Guilherme Vieira e Camilla Veras Mota | De São Paulo)

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Graduado em Agronomia, Mestre em Ciências dos Alimentos e Doutor em Ciências dos Alimentos. Foi Coordenador do Programa de Pós-graduação em Agronomia Fitotecnia (1997 a 1998) e Coordenador de Pesquisa e Pós-graduação da ESAM (1998 2003). Foi Diretor da ESAM no período de Fevereiro de 2004 a Agosto de 2005. Conduziu o processo de transformação da ESAM em Universidade Federal. Foi Nomeado Reitor pro tempore da UFERSA a partir da sua criação em 1º. de Agosto de 2005. Foi membro do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia (CONECIT) e do Conselho Técnico-Científico da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (EMPARN). Foi Presidente do Conselho de Desenvolvimento das Instituições Federais de Ensino Superior Isoladas e em Desenvolvimento (CODESFE) e atuou como membro externo no processo de seleção do Chefe Geral da Embrapa Agroindústria Tropical em janeiro de 2008. Foi nomeado pelo então Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva e pelo Ministro da Educação Fernando Haddad, como primeiro Reitor da UFERSA em 31 de julho de 2008. Em 2015, foi Secretário de Planejamento do Município de Mossoró/RN. É professor Titular do Departamento de Agrotecnologia e Ciências Sociais da UFERSA.

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