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Mães: 1 dia de flores e 364 de luta

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Mães: 1 dia de flores e 364 de luta

Toda semana de dia das mães é um chamego só.  As redes sociais se enchem fotos e textos emocionantes. O domingo começa com um café da manhã especial, flores que alegram o dia, um almoço para reunir a família e celebrar a vida. O comércio aproveita o ensejo para dar um boom nas propagandas e nas vendas de produtos femininos. Está cumprido o nosso papel de homenagear as mulheres mães, agora só no ano que vem, será?

É realmente muito bonito falar em amor incondicional, no dom de gerar uma vida, na doação infinita e no cuidado diário. Uma pena é que o valor disso seja levemente esquecido nos outros 364 dias do ano.

Se queremos realmente homenagear as mães, então vamos começar a falar das horas em que perdem o sono, ao invés de só percebermos quando perdem a paciência. Vamos parar para perguntar quais os planos anteriores à gravidez que foram parar na gaveta, ainda que tais escolhas sejam feitas com amor. Vamos tentar entender a que ritmo rodam seus relógios, que lhes permite desempenhar mil papéis ao mesmo tempo. Vamos trazer à tona as discussões sobre a violência obstétrica, a depressão pós-parto, as desvantagens nas entrevistas de emprego, o assédio moral e o medo de demissão quando as mulheres retornam dos míseros QUATRO meses de licença maternidade.

Não adianta desejar um “feliz dia das mães” nesse domingo, se continuarmos reproduzindo um discurso de culpabilização da mulher quando a criança é mimada, a casa está mal arrumada ou a comida está fria; se insistirmos em não compreender as condições e decisões singulares de trabalhar dentro ou fora de casa; se fecharmos os olhos aos comentários maldosos sobre os quilos a mais e as olheiras que vêm junto com a gravidez.

Ser mãe hoje em dia é ser essencialmente uma guerreira para enfrentar todos os ataques sociais e seguir em frente fazendo de tudo para acertar. É injusto que sejam tantos dias de julgamento e só um de reconhecimento. Àquelas que abraçam a dor e a delícia da maternidade todos os dias, o meu muito obrigada por semearem tanto amor, inspirarem exemplo e tornarem o nosso mundo BEM melhor!

* Este artigo é um oferecimento dos patrocinadores Núcleo de Desenvolvimento Humano e Ativo Exato Contabilidade.

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Psicóloga e mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atua como psicóloga clínica no Núcleo de Desenvolvimento Humano, em Mossoró – (CRP-RN: 17/3108). Formada pela Escola Experimental de Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico-Existencial. Formada pela English School of Canada, em Toronto.

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