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Milho para a governadora

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Milho para a governadora

Entre os chamados meia dúzia de gatos pingados em Mossoró, que começaram a colaborar com a primeira campanha vitoriosa da professora Wilma de Faria ao Governo, estava eu. Afastei-me temporariamente da direção do Jornal de Mossoró para me dedicar à campanha. Cuidava da parte de comunicação para o Oeste e dava um suporte à “senadora” Edith Souto, na condução de uma militância formada, basicamente por mulheres. Eu dava o discurso e a galera caía em campo à cata de votos.

E no meio desse grupo que aumentava gradativamente graças à habilidade e o poder de persuasão de Edith, bem como da boa aceitação popular da candidata, estava a líder comunitária Socorro Menezes. Uma revelação, sobretudo pelo bom humor, mesmo diante de qualquer catástrofe que possa lhe acontecer.

Um dia ela foi levar seu pai enfermo ao Hospital Tarcísio Maia, e impaciente porque teve de segurar o soro por algum tempo com a mão levantada em um corredor, enquanto o paciente aguardava a sequência do atendimento médico, não contou conversa. Pediu para uma pessoa ficar segurando, e foi até o almoxarifado do hospital pedir um martelo e um prego. Queria pregar o suporte do soro na parede do corredor, mas antes dela terminar o trabalho seu pai foi atendido.

Eu conhecia Socorro da infância, dos tempos em que parte da Rua Francisco Bernardo, no bairro Boa Vista era chamada de Alto do Mocó, espaço bacana na periferia, de onde surgiram alguns gênios que hoje estão aí, brilhando. Só para citar alguns, temos os professores Chagas Silva, Josivan Barbosa, Beônia, Tapuya, a advogada Marta Betânia, além de Valdevino, o Chua, aquele que se faz de maluco e fica nas proximidades da HGO, faturando, vendendo suas bugigangas, um marqueteiro de primeira linha. E Socorro Menezes, que um dia quando ela ameaçou se candidatar a uma vaga na Câmara Municipal chegou até a ser chamada de Socorro doida, que de doida não tem nada. Pode até ser acelerada.

E certamente puxada por essa euforia de poder de decisão, Socorro não esperou muito tempo para ter a oportunidade de parabenizar pessoalmente a governadora eleita e empossada, logo nos primeiros dias da administração. Afinal, realçou a máxima “quem não é visto não é lembrado”.

O congestionamento na Governadoria poderia se comparar ao caos no trânsito de São Paulo, devido aquele entra e sai de lideranças de toda parte do Estado, buscando a natural forma de cobrar espaço no novo governo. Aliados de primeira hora, de segunda e os chamados paraquedistas de última hora. E mesmo sabendo dessas informações de congestionamento, Socorro resolveu enfrentar a jornada. Nem que tivesse de aprontar alguma onda.

Convocou o parceiro militante de primeira hora, Widson, outro vibrante guerreiro, e fizeram a trama para romper o cerco da Governadoria, já que não conseguiam o intento, depois de muitas tentativas.

Foram a uma loja, alugaram um bom terno para Widson e para Socorro um vestido longo, a caráter. Com a pose bem trabalhada não foi difícil furar a barreira.

– Quem eu anuncio? Perguntou a recepcionista.

– Diga que é o prefeito de Viçosa e a primeira-dama, ela já está nos esperando… Respondeu Socorro, firme.

Quando a governadora viu a cena, não conseguiu esconder o sorriso. Deve ter até amenizado o estresse do dia.

Numa outra oportunidade, quando muita gente aguardava a chegada da governadora Wilma no aeroporto em Mossoró, em meio à multidão Socorro viu um vendedor de milho verde. E como estava sem dinheiro e queria comer milho, foi até um destacado auxiliar do governo em Mossoró e disse que a governadora estava querendo uma espiga para comer logo que terminasse uma entrevista coletiva que estava concedendo ali mesmo no aeroporto.

A ideia foi providencial. Socorro conseguiu o dinheiro e comprou várias espigas. E nisso, foi se aproximando da governadora sob os olhares vigilantes e curiosos do financiador, a deixando sem alternativa senão oferecer o milho a Wilma.

Ela tentou se aproximar e até fez menção de oferecer, mas a governadora ficou meio sem entender nada e saiu caminhando, cumprimentando o pessoal que a aguardava.

Observando ao lado, uma assessora da governadora não se conteve e disparou: Socorro, nem de milho a governadora gosta…

SÁBADO É DIA DE CONTO

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Jornalista há 30 anos, tendo atuado nos jornais A República, Diário de Natal/O POTI, O Mossoroense, Revista Spaço, Revista De Fato Nordeste e fundador dos jornais Oeste Independente, Jornal de Mossoró, Jornal Metropolitano, em parceria com Roberto Costa Lima, jornal Página Certa, entre outras publicações; Foi Diretor de Redação do Jornal Gazeta do Oeste por mais de uma década. Escreveu os livros “Adffurn e seu tempo – vitórias e conquistas”, em parceria com o professor Lúcio Ney, e “Contos do Cotidiano”. No rádio, colaborou com as rádios Libertadora e Difusora. Atualmente é Diretor de Redação do Jornal News 360 e Apresentador do programa Jornal da Câmara, na TV Câmara/Mossoró.

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