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Mossoró, cidade junina?

Turismo é Desenvolvimento

Mossoró, cidade junina?

A cidade de Mossoró e a Região Oeste do Rio Grande do Norte, há tempos se constituem como zona propícia para desenvolvimento do Turismo não convencional, dispondo de uma grande gama de atrativos turísticos.

Mossoró conta com uma ótima estrutura receptiva hoteleira e gastronômica com mão de obra qualificada, possui um movimentado e diversificado calendário cultural de eventos, considerado um dos mais importantes do Nordeste.

O Mossoró Cidade Junina, criado em 1996 na segunda gestão da Prefeita Rosalba Ciarlini, atual chefe do executivo mossoroense, tradicional projeto cultural de nossa cidade, maior evento popular do Rio Grande do Norte e um dos principais do gênero realizados no Brasil, após 20 anos de existência alcançou resultados positivos que o fizeram ultrapassar os limites territoriais do RN.

Porém, ao meu ver é chegado o momento do evento junino de Mossoró alcançar um novo patamar, que o coloque como um produto turístico capaz de obter os mesmos resultados econômicos e financeiros das festas juninas de Campina Grande/PB e Caruaru/PE, principais referências.

Apesar de já possuirmos maior número de projetos culturais e dispor de maior espaço físico que as duas cidades citadas, ainda não conseguimos nos equivaler em planejamento, atração de investimentos e promoção nacional.

Há exatos trinta dias de sua abertura com o “Pingo da Mei Dia”, apesar de achar que as iniciativas propagadas, principalmente quanto ao protagonismo dos projetos culturais, é muito interessante, pouco se pode esperar para a edição deste ano, até porque a atual administração pouco ou quase nenhum tempo teve para fazer algo diferente. Que seja feito sem percalços e “redondo”. Porém, compreendo que pela grandeza do evento e de sua importância econômica para a cidade e Estado, este já deve ser planejado para a edição de 2018.

Como todos sabemos, é assim que são desenvolvidos os eventos juninos de Campina Grande e Caruaru. Tão logo o término do evento, logo se inicia o planejamento e a captação de patrocínios para a edição seguinte. Os resultados disso todos nós já conhecemos. Tais eventos há tempos já se tornaram referencias nacionais e como produtos turísticos estão nas prateleiras das principais agências e operadoras de viagens do pais, possibilitando pacotes de viagens, fazendo com que turistas de todas as partes do país e até do exterior, se programem e empreendam viagens para o Nordeste, beneficiando a economia das cidades citadas.

Investimentos públicos são necessários para tocar projetos de tamanha envergadura, porém, são com os recursos oriundos do setor privado que se pode montar uma programação que perdure por todo o mês de junho, com grandes atrações musicais e ser divulgada nos principais meios de comunicação nacional.

Neste sentido, os grandes recursos financeiros são obtidos no momento em que empresas patrocinadoras estão definindo, junto com seus setores de comunicação e marketing, os investimentos para os eventos do ano seguinte. Isto ocorre entre os meses de setembro e outubro do ano anterior à sua aplicação, ou seja, se não seguirmos o mesmo caminho que há anos seguem as cidades paraibana e pernambucana, não alcançaremos o mesmo nível destas, e mais uma vez correremos o risco de se ter problemas com programação, atrações e divulgação do MCJ 2018.

Quanto a este aspecto, a prefeitura de Mossoró poderia celebrar um convênio, a exemplo que recentemente fez com a UERN, com o Mossoró Convention e Visitors Bureau – MC&VB, a entidade que representa o trade turístico local, pode, de forma legal e transparente, assumir o papel, com a antecedência necessária para realizar, tanto a captação de investimentos como a promoção do evento. Acabando de vez com esses processos esdrúxulos e ineficientes de licitações, sempre questionados pela sociedade e principalmente pelo MP.

Da mesma forma como ocorrem em Campina Grande e Caruaru, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Mossoró – CDL, que tem papel relevante e fundamental nas festas juninas das duas cidades, realizando ações promocionais através de concursos, envolvendo seus associados, desenvolvendo ações não só para proporcionar o clima junino no comercio da cidade, mas principalmente aquecendo a economia local no período, poderia aqui realizar idêntico papel. Tudo isso poderia ser desenvolvido em parceria com o poder público.

O não envolvimento efetivo do trade turístico (hotéis, bares, restaurantes, entretenimento, etc.) no evento, também é algo que precisa ser revisto. Estes podem ser fundamentais, uma vez dispondo das informações com antecedência, como a programação, para dar ampla divulgação do evento e realizar seus pacotes, possibilitando assim fluxo turístico para a cidade.

As demais entidades representativas, como a ACIM, o Sindivarejo, o Convention Bureau, o Sindicato de Bares e Restaurantes, o Sinduscon, o SEBRAE, uma vez participativas no processo, poderiam também dar suas contribuições. O Sindicato do Comércio Varejista de Mossoró – Sindivarejo, por exemplo, através da sua federação (FECOMERCIO) que possui uma Câmara Setorial de Turismo, poderia realizar pesquisas que auxiliem a administração pública com números que possam validar o evento, como por exemplo, o grau de satisfação dos visitantes, importantes para a obtenção de recursos federais, e até mesmo participar com investimentos financeiros.

Na verdade, está mais que na hora das entidades mossoroenses contribuírem com a administração pública e, por outro lado, a Prefeitura entender que o atual modelo do evento já está expirado, que já deu o que tinha que dar, e que ter o apoio destas e do trade turístico é salutar, o evento não é só mais da Prefeitura, está inserido no processo do desenvolvimento econômico e social da cidade e tem que ser tocado a quatro mãos, visando tornar o Mossoró Cidade Junina mais dinâmico e atraente, que possibilite cooptar mais recursos das esferas pública e privada para que cada vez mais visitantes de todo o pais e do exterior desembarquem na Capital Cultural do Rio Grande do Norte, fazendo com que nossa economia se fortaleça e que Mossoró se consolide como um dos novos destinos turísticos do Nordeste.

Principais instituições de Mossoró foram recebidas pela prefeitura para discutir evento junino.

Na manhã de hoje pode ter sido dado o mais importante passo da última década para tornar tudo isso que foi mencionado acima em realidade. A Prefeitura, através das secretarias de Cultura e do Desenvolvimento Econômico e Turismo, por seus titulares Eduardo Falcão e Lahyre Rosado Neto, respectivamente, convocaram e receberam na SEDAT, as principais entidades representativas de Mossoró: ACIM, Câmara Setorial do Turismo, Sindivarejo Mossoró, Mossoró Convention & Visitors Bureau, Sindicato de Bares, Restaurantes e Hotéis, a ABIH/RN, o Sinduscon, a CDL Mossoró, representante da Praça da Convivência, além de empresários do trade turístico.

Secretários de cultura e de turismo discutiram com entidades e trade turístico o projeto junino para 2018.

Em pauta aspectos relativos à programação do evento, especialmente com relação aos projetos culturais e o pingo da Mei Dia. As dificuldades financeiras e a luta para captar recursos.

No entanto, de forma organizada e articulada, mostrando união, as entidades, em razão da importância do evento, não foram como meras espectadoras, elaboraram e foram signatárias de um documento direcionado à Prefeita Rosalba Ciarlini, que foi entregue aos secretários, cujo conteúdo tratava exatamente dos aspectos discorridos nesta coluna. Captar recursos com antecedência, realizar uma programação que dure todo o mês de junho, a altura do que já representa o evento junino de Mossoró, a manutenção e ampliação dos projetos culturais, e a promoção e divulgação do evento nos mesmos níveis que as festas juninas de Campina Grande e Caruaru, ou seja para todo o país. Tudo isso para no máximo ser tocado em agosto de 2017.

Presidentes das entidades se fizeram presentes.

Não faz mesmo mais nenhum sentido continuar realizando um evento que ainda não se tornou um produto turístico, sabendo-se que este possui potencial para suplantar ou no mínimo se equivaler aos demais. A Prefeita Rosalba Ciarlini, que criou o projeto junino de Mossoró, tem a missão desta feita de recria-lo, terá tempo para isso, com grandes chances de tornar exitosa esta empreitada, claro se entender que a participação do trade e das entidades será fundamental para tornar isso realidade, caso contrário, ficaremos eternamente à sombra das festas juninas Campina Grande e Caruaru. Não tem quem aguente mais isso.

Programação de 2017 do Mossoró Cidade Junina foi apresentada aos empresários do trade turístico.

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Oberi Penha é Consultor de Turismo, qualificado pela Organização Mundial do Turismo. Integra o Grupo Gestor do Turismo e exerce as funções de Secretário Executivo da Câmara Setorial do Turismo, do Conselho Municipal de Turismo de Mossoró e do Mossoró Convention & Visitors Bureau.

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