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A abordagem ao eleitor

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A abordagem ao eleitor

Todo político que se presa possui uma legião de seguidores fiéis, abnegados pelas causas defendidas por essa liderança, e que procuram fazer bem a sua parte no quesito fidelidade, na maioria das vezes, não por puro interesse pessoal, mas, sobretudo, pelo traço da admiração. Constituem-se defensores ferrenhos, dispostos a enfrentar qualquer parada.

Uns os chamam de acólitos, outros de fiéis escudeiros e ainda, puxando pelo lado do humor, há quem os trate de “assessor arroz”, aqueles que só servem para acompanhar. Mas não importa, são eles que estão sempre na trincheira até para arriscar a medula, se preciso for.

Sandra Rosado herdou essa forma de se relacionar bem com esse tipo de instrumento político de proteção do seu pai, o saudoso deputado Vingt Rosado, admirado por muitos até hoje. Houve um tempo em que parte de frente de batalha desse grupo era conhecida como “Sandreiro luminoso”, numa comparação pitoresca ao “Sendero Luminoso”, uma organização guerrilheira de inspiração maoísta fundada na década de 1960 pelos corpos discentes e docentes de universidades do Peru.

Sandra Rosado era vice-prefeita de Mossoró, após vencer a campanha ao lado do seu tio, prefeito Dix-huit Rosado, e no embate municipal seguinte, após o rompimento com o tio, Sandra se candidatou ao comando da Prefeitura. Eu coordenava a área de comunicação, ao mesmo tempo em que era editor do jornal O Mossoroense, de propriedade da família de Sandra.

A campanha se apresentava difícil. O rompimento político de Dix-huit e Sandra, que provocou acaloradas discursões com a entrada de Mário Rosado, filho do então prefeito, nessa atmosfera já pesada, e o próprio desgaste da última administração de Dix-huit, entre outros fatores passaram a favorecer a outra candidata, no caso, a médica Rosalba Ciarlini. Como não estava apoiando Sandra Rosado, o prefeito lançou, na época, o engenheiro Valtércio Anuncianto da Silveira, outra candidatura que não emplacou, propiciando a Rosalba voltar triunfantemente ao cargo, já que havia sido prefeita uma vez.

A falta de recursos financeiros para tocar a campanha também era outro fator preocupante para o grupo de Sandra. E a gente que estava na atividade de levar o barco adiante tinha que nos mexer para conseguir tentar reverter o quadro cada vez mais complicado.

O jornalista Thurbay Rodrigues estava na minha equipe, e um dia eu resolvi reunir parte da militância e fazer um teatrinho para passar algumas técnicas de abordagens ao eleitor, durante as caminhadas de corpo a corpo. Eu tinha que saber como reagiria os militantes, caso algum eleitor destratasse a candidata durante a abordagem. Até porque é comum encontrar nos bairros pessoas revoltadas com a classe política e que partem para a agressão verbal, esculhambando todo tipo de político.

Um dos comitês de campanha funcionava numa casa residencial de primeiro andar no bairro Nova Betânia, onde fazíamos as reuniões. Foi lá onde montamos o leve cenário do teatrinho e Thurbay se postou como sendo o eleitor que seria abordado, o suposto agressor. Pedi, então, a uma das mulheres para demonstrar sua abordagem e fiquei anotando tudo em um bloquinho, sentado na escada da sala. A moça foi receptiva, já parecendo ter o discurso repassado na ponta da língua.

Quando ela se aproximou de Thurbay e disse o “boa tarde”, foi logo recebendo como resposta um série de palavrões e impropérios com Sandra.

Thurbay parecia fora de si. A representação foi tão contundente que a moça caiu no choro e soluçava tanto que quase ninguém entendia o que ela queria dizer diante da inesperada “recepção”: “Se for para dizer essas coisas com Sandra, eu não vou mais fazer isso não”. A emoção correu solta na sala diante daquela demonstração não só de fidelidade, mas de carinho a Sandra Rosado.

SÁBADO É DIA DE CONTO.

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Jornalista há 30 anos, tendo atuado nos jornais A República, Diário de Natal/O POTI, O Mossoroense, Revista Spaço, Revista De Fato Nordeste e fundador dos jornais Oeste Independente, Jornal de Mossoró, Jornal Metropolitano, em parceria com Roberto Costa Lima, jornal Página Certa, entre outras publicações; Foi Diretor de Redação do Jornal Gazeta do Oeste por mais de uma década. Escreveu os livros “Adffurn e seu tempo – vitórias e conquistas”, em parceria com o professor Lúcio Ney, e “Contos do Cotidiano”. No rádio, colaborou com as rádios Libertadora e Difusora. Atualmente é Diretor de Redação do Jornal News 360 e Apresentador do programa Jornal da Câmara, na TV Câmara/Mossoró.

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