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A (in) eficiência do Enem

Armando Lúcio

A (in) eficiência do Enem

Tenho minhas dúvidas sobre as vantagens para a implantação do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, e sua manutenção como critério para acesso dos estudantes de ensino médio às instituições públicas de ensino superior, ou seja, é conveniente para as universidades públicas que o acesso seja deste modo universalizado? E ainda mais, já se parou para se proceder a verificação do custo-benefício da substituição dos antigos processos de vestibulares regionais por essa pseudo massificação de acesso ao ensino superior público?

Há quase três décadas na docência, procedi à verificação. Constatei o que, com todo respeito, uma mente preguiçosa não quer perceber: o custo benefício para as instituições regionalizadas é altíssimo. Sob a justificativa de se economizar uma parcela diminuta no processo de seleção local, adota-se o ENEM, custeado pela “madrasta união”.

Acontece que, em primeiro lugar, não é atendido o sentido de regionalização do ensino – e aí a Instituição de Ensino implantada em uma região perde sua razão de ser, enquanto fomentadora da educação e cultura local – ao mesmo tempo em que, na minha comprovada avaliação, as universidades públicas estão colocando no mercado, bem menos profissionais que quando selecionavam pelos antigos processos. Um curso, como o de direito, que numa turma de quarenta alunos iniciais, seriam diplomadas cem por cento dos discentes, hoje forma cinqüenta por cento, isto é, a metade, significando que o custo-benefício, portanto, é dobrado. Fez-se uma economia para a seleção, mas gastou-se o dobro para a graduação de uma turma.

Nesse ENEM universalizado, os alunos se inscrevem em localidades distantes de seu habitat, o que faz com que haja evasão em alto grau, seja pelo custo de manter-se, o discente, em localidade diversa da família (o que justificaria, inclusive, pagar uma Instituição de Ensino Superior – IES – privada); seja por aprovação posterior em exames em locais mais próximos aos seus domicílios; sejam por fatores os mais diversos. A prática demonstra isso, como fato incontroverso. Contra fatos não há argumentos.

Um exame desses seria aconselhável para uma nação de pequena dimensão territorial, jamais para um país continente, como o Brasil. Os “Doutores” da educação quiseram empurrar, e empurraram, esse modelo de seleção entre nós, importando-o de outras nações com diferentes características que a nossa. Talvez por que a sala de aula não é o forte deles, e por isso não constatam algo tão óbvio.

Sem falar que o exame regionalizado busca no mercado discente local a comprovação do conhecimento de fatos sobre nossa terra e nossa gente, daí que são exigidas nos tradicionais vestibulares, as disciplinas história e geografias locais, isso porque é a razão de ser da regionalização: fixar homem em seu habitat natural.

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