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A confraria de Vingt

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A confraria de Vingt

Vingt Rosado foi um dos líderes políticos mais íntegros entre os quais eu tive o prazer de conviver. Daqueles de rara safra, dos tempos em que a palavra empenhada dispensava o papel. Fiel às suas lutas e aos seus aliados. Sisudo, mas carismático, e espirituoso quando queria.

Aproximei-me mais de Vingt, quando o então deputado Laíre Rosado transferiu a sede da FM93 Resistência para o imóvel onde funcionava o jornal O Mossoroense, do qual eu era editor-geral.

A FM 93 era a chamada “menina dos olhos” de Vingt, onde ele mantinha um gabinete depois que se aposentou e passou o bastão do comando político do grupo ao genro Laíre. Sua sala era sempre muito movimentada pelas visitas constantes de amigos, eleitores comuns, líderes comunitários e políticos. Depois de certo tempo, automaticamente, Vingt passou a reservar os fins de tarde para uma reunião informal comigo, os jornalistas Emery Costa e Edmundo Torres, o professor Pedro Almeida, o ex-bancário Pedro Moura e, às vezes, Laíre, quando estava em Mossoró, entre outros amigos que gravitavam em torno dele, ouvindo suas análises políticas, estatísticas, trocando opiniões e comentando fatos, com muita amenidade no meio dessas conversas, bem como a irreverência de Vingt.

Ele contou um dia que uma dessas eleitoras de carteirinha que o acompanhava há mais de 30 anos estava formando uma filha em Direito e o procurou atrás de um emprego. E como sempre acontece, ela já chegou com a informação de que um órgão chamado “Paen” acho que a sigla era essa, estava precisando de um advogado. Só que essa vaga já havia sido prometida para outro aliado, e Vingt explicava fazendo-a vislumbrar outro local, mas a mulher insistia em querer a vaga do “Paen”.

_ No Paen não dá – finalmente ele retrucou com veemência.

Mas a mulher não perdeu o prumo e puxando pela intimidade que tinha com o líder, arregalou os olhos, o fitou e botou o dedo em riste exclamando.

_ Se no Paen não dá, pois então o senhor invente uma “Maen” e arranje o emprego dela…

Outro dia, uma líder comunitária liga para Vingt pedindo ajuda para libertar um filho que havia sido preso.

_ O que foi que ele fez? Indagou Vingt Rosado.

_ Ele não fez nada, Dr. Vingt.

_ Vixe, então se eu for conseguir um advogado para soltá-lo vão me prender também.

_ O senhor? Por quê?

_ Se seu filho não fez nada e foi preso eu também vou preso, já que eu também não fiz nada…

Mais do que um simples conto real ou uma crônica, esses escritos também se traduzem em homenagem ao velho e saudoso amigo.

SÁBADO É DIA DE CONTO

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Jornalista há 30 anos, tendo atuado nos jornais A República, Diário de Natal/O POTI, O Mossoroense, Revista Spaço, Revista De Fato Nordeste e fundador dos jornais Oeste Independente, Jornal de Mossoró, Jornal Metropolitano, em parceria com Roberto Costa Lima, jornal Página Certa, entre outras publicações; Foi Diretor de Redação do Jornal Gazeta do Oeste por mais de uma década. Escreveu os livros “Adffurn e seu tempo – vitórias e conquistas”, em parceria com o professor Lúcio Ney, e “Contos do Cotidiano”. No rádio, colaborou com as rádios Libertadora e Difusora. Atualmente é Diretor de Redação do Jornal News 360 e Apresentador do programa Jornal da Câmara, na TV Câmara/Mossoró.

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