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Emery Costa e a coluna à beira do rio

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Emery Costa e a coluna à beira do rio

Quando passei pela editoria do jornal O Mossoroense, um dos carros-chefes  do diário era a coluna do jornalista Emery Costa que levava seu nome e já era leitura obrigatória. Essa opção se completava com a verve de Nilo Santos na editoria política, com informações e notórias análises conjunturais.  Talentoso na escrita e sempre muito bem informado, Emery era cadeira cativa do leitor na segunda página do jornal.

Eu substitui o bem antenado Washington Aquino, que receberá convite para comandar um complexo de comunicação pras bandas do Norte, onde brilha por lá até hoje. E permaneci como editor de O Mossoroense e chefe da sucursal do Diário de Natal por um bom tempo, mas o corre-corre me levou a optar por permanecer exclusivamente n’O Mossoroense.

Entre o final das décadas de 80 e 90 a cidade continuava carente de jornalistas daí a necessidade de alguns terem de trabalhar em dois ou até três veículos ao mesmo tempo, até como forma também de melhorar os ganhos.

O jornalista pena de ouro Franklin Jorge veio de Natal para me substituir no DN e depois de alguns anos saiu para se dedicar a outros projetos. O DN ainda tentou encaixar outros nomes, e durante essa pesquisa chegou a Emery, muito bem recomendado e o contratou. Não havia exigência formal para que ele deixasse de escrever no jornal O Mossoroense. No entanto, como o DN seguia um processo de expansão em Mossoró e região, após a recente mudança de comando na superintendência dos Diários Associados no Rio Grande do Norte, seria melhor naquela oportunidade, que o nome de Emery com o seu conceito, ficasse vinculado apenas ao DN.

Mas nós não poderíamos abdicar desse pilar no nosso O Mossoroense velho de guerra. Conversei com Emery e veio à ideia de manter a coluna, mas com outro nome e sem sua assinatura. O fato do jornal geograficamente ser situado próximo ao Rio Mossoró e levado por o nome de outra coluna jornalística que Emery ouviu falar, resolvemos denomina-la de “À Beira do Rio”.

Passamos a coluna para a terceira página e a sua edição apenas ganhou a impessoalidade, mas sem perder a essência e assim conservando a mesma linha e informes da anterior. E assim foi feito.

O restaurante o Oitão, de Flávio Lima, na Praça Vigário Antônio Joaquim, térreo do Hotel Sol onde hoje funciona a Câmara Municipal, era ponto de encontro para quem desejava, principalmente, curar a ressaca com um caldo especial e um tempero refinado que só existia lá. Flávio era amigão de todo  mundo e tinha um carinho muito grande por Emery, freguês habitual do restaurante. Ao mesmo tempo em que era assinante e lia até os anúncios classificados do jornal.

Um dia Emery chega para tomar o caldo, cumprimenta Zé Maria da banca revistas e senta, quando Flávio vai logo puxando assunto e tentando naturalmente fazer uma média:

_ Emery, aquele cara que Gilberto botou no seu lugar para escrever aquela coluna escreve pouco e ruim…

E sem saber exatamente o que dizer para responder ao comentário, Emery completou:

_ É Flávio, eu também acho.

O sorveu o primeiro gole do bom caldo.

SÁBADO É DIA DE CONTO

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Jornalista há 30 anos, tendo atuado nos jornais A República, Diário de Natal/O POTI, O Mossoroense, Revista Spaço, Revista De Fato Nordeste e fundador dos jornais Oeste Independente, Jornal de Mossoró, Jornal Metropolitano, em parceria com Roberto Costa Lima, jornal Página Certa, entre outras publicações; Foi Diretor de Redação do Jornal Gazeta do Oeste por mais de uma década. Escreveu os livros “Adffurn e seu tempo – vitórias e conquistas”, em parceria com o professor Lúcio Ney, e “Contos do Cotidiano”. No rádio, colaborou com as rádios Libertadora e Difusora. Atualmente é Diretor de Redação do Jornal News 360 e Apresentador do programa Jornal da Câmara, na TV Câmara/Mossoró.

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