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Farra meio mal-assombrada

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Farra meio mal-assombrada

A gente curtia Fagner na premissa da construção do artista que se fez. Canteiros, então, o hino inicial, Ednardo cantando enquanto engoma a calça, o Artigo 26, e essa gama de artistas como Zé Ramalho, Belchior, Chico, Caetano, Djavan, Alceu Valença, entre tantos outros, povoavam com suas canções o nosso imaginário poético. Sim, porque todos ou quase todos queriam ser poetas, e até escreviam, principalmente quando estavam ladeando o caminho de chegada a uma musa qualquer que tivesse algum gracejo inspirador.

Estávamos nós, lá pelo comecinho da década de 80, com 20 anos de amor e embalados naquela atmosfera do “ Igualitê, fraternitê e libertê”, ansiosos para derrubar a ditadura militar, permanentemente respirando os ares da esquerda. “ É sempre bom lembrar, que um copo vazio, está cheio de ar…”. Nem tanto, a juventude libertária gostava de um copo cheio e de encher os finais de semana de muita festa pelos bares da vida.

A trajetória durante o dia era visitando inúmeros bares. Do Bar do Gordo, no Alto da Conceição, ao Bar do Paulão, na Doze Anos, passando pelo Cantinho Bar, uma espécie de Quartel General. Lá, entre petiscos e um violão, o encontro entrava pelo anoitecer.

Era um dia de sábado, quando me encontrei com João Vidal no Bar do Gordo, e logo foram chegando José Mário Dias, Emílio de Dr. Epitácio, Jacques Cassiano, João Diógenes e salvo engano, Paulo Bonaldo, ávido pela recém-chegada a Faculdade Católica de Recife, onde fora aprovado em Psicologia. A turma era bem maior e é tanto que, nessas tribos há sempre aquele cara que é gente boa quando está bom, mas que não deixa de ser literalmente um porre quando está bêbado.

Era o caso do nosso mui amigo, Luiz Carlos Cioba. Só era “chôco” quando bebia, mas o problema é que houve um tempo em que ele bebia todo dia. E naquele dia inspirador, combinei com João Vidal para se livrar de Cioba. “Então vamos procurar um local para beber, onde ele não nos encontre”, sugeriu Vidal.

Após passar todo o dia assessorado por Luiz Carlos, à noite combinamos de ir à boite Snob, mas o encontro seria no Frango de Olinda. Chegamos à boca da noite no Frango de Olinda, e iriamos fazer hora para chegarmos a boite, quando Luiz Carlos Cioba apareceu do nada, já completamente embriagado.

“Só há um local aonde ele não irá nos encontrar: no cemitério”, sugeriu alguém do grupo.  E os demais mesmo achando estranho, resolveram topar. Pagamos a conta e fomos dando um jeito de sair sem ser percebido por Luiz.

Foi rápido para estacionarmos os carros na lateral menos movimentada do cemitério São Sebastião e pulamos um a um, com as bebidas previamente providenciadas e, claro, o violão.

De chegada fomos recepcionados por um vigilante que nos identificou como do bem, entendeu nossos argumentos e acabou se somando a gente e até tomando umas bicadas.

Mas no auge da boa conversa e da boa música, naquela sombria noite, eis que um vulto parece saltar o muro para o lado de dentro do campo santo. E o caminhar cambaleante pelos túmulos não deixaram dúvida: nada de mal-assombro, era Luiz Carlos que havia nos encontrado.

SÁBADO É DIA DE CONTO

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