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Médio Oeste não elege um deputado estadual há 38 anos

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Médio Oeste não elege um deputado estadual há 38 anos

Desde que foi criada a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte em 1835, à época denominada Assembleia Legislativa Provincial e também conhecida como “Congresso Legislativo Provincial”, consta nos registros históricos sobre os quais me debrucei a pesquisar que a microrregião do Médio Oeste Potiguar se fez por várias vezes representada naquele Poder Legislativo Estadual.

Tal representação foi constante entre os anos de 1835 a 1979 tendo havido, inclusive, dois representantes simultâneos com origem em Apodi, conforme pude constatar através de registros dos historiadores Marcos Pinto, Geraldo Fernandes e Francisco Veríssimo.

Na rápida pesquisa identifiquei pelo menos 11 nomes somente do município de Apodi, os quais representaram o Médio Oeste Potiguar como deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte ao longo do período acima mencionado, sendo eles: Tenente-Coronel Elias Antonio Cavalcante de Albuquerque; Padre Florêncio Gomes de Oliveira; Alexandre Magno de Oliveira Pinto; Sebastião Celino de Oliveira Pinto; João Nogueira de Lucena Silveira; Coronel Antonio Ferreira Pinto; Coronel João de Brito Ferreira Pinto; Coronel Francisco Ferreira Pinto; Cosme Corsino de Lemos; Dr. Newton Pinto e o Dr. José da Silveira Pinto (todos in memorian).

Vale salientar que a representatividade política estadual da microrregião do Médio Oeste Potiguar foi muito além, passando por nomes como Felipe Neri de Brito Guerra (in memorian) patrônomo do município de Felipe Guerra, eleito em 1892 deputado para o segundo Congresso Constituinte do Estado, e  Francisco Gurgel de Oliveira (in memorian), com origem no sitio Canto do Junco, zona rural de Felipe Guerra, o qual foi deputado estadual, chegou a ser governador do Rio Grande do Norte em 1891 e foi duas vezes deputado federal entre os anos de 1894 a 1899.

No entanto, para abreviar a história de quase dois séculos me atenho a questão da representatividade legislativa estadual desta região, pois, quero aqui mais uma vez lamentar a lacuna que já dura 38 anos, tempo o qual o Médio Oeste Potiguar está sem um legítimo representante na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

Nosso último representante foi o médico Dalton Barbosa Cunha (in memorian) o qual deixou o Médio Oeste Potiguar órfão de representante estadual em 1979. De lá para cá vários nomes tentaram, mas não obtiveram êxito, o que é de se lamentar, pois, conforme já exposto antes nesta coluna, somente os municípios de Apodi, Caraúbas, Governador Dix-Sept Rosado e Felipe Guerra somam um eleitorado superior a 63 mil votantes.

Vale ainda observar que, em 2014, o deputado estadual mais votado no Rio Grande do Norte foi Ricardo Motta, pelo PROS, o qual recebeu 80.249 votos. E o último eleito foi Souza Neto (PHS) que obteve apenas 20.440 votos, o equivalente a 1/3 do eleitorado dos quatro municípios acima mencionados.

No próximo ano teremos novamente a oportunidade de mudarmos esta realidade. Porém o que observamos até o momento como comportamento dos prefeitos e da maioria dos vereadores do Médio Oeste Potiguar? Não diferente do que tem sido ao longo das últimas décadas: simplesmente ignoram nosso desejo quanto sociedade de resgatarmos nossa representatividade política na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

Esta situação é vergonhosa, pois, sabemos que são irreparáveis os prejuízos causados ao longo dos últimos 38 anos em que estamos sem representatividade estadual, devido ao individualismo de uma classe política na qual cada um só pensa em si mesmo, no seu projeto de poder, em detrimento da necessidade de alavancarmos o desenvolvimento desta região.

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Profissional de mídias eletrônicas, do rádio e da comunicação impressa desde 2005.

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