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Saudade, um sentimento nobre

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Saudade, um sentimento nobre

O mundo moderno faz com que as pessoas não traduzam de público os seus sentimentos, principalmente a saudade, pois, aquela sempre está associada às lágrimas. Muitos buscam o isolamento para confessarem a si mesmos que estão com saudades.

Então, haveremos de ter coragem e, de forma diária, buscarmos suprirmos as ausências de pessoas tão importantes, lembrando de suas palavras, dos sorrisos, da cara fechada,  do seu cheiro, conselhos, carinhos e de seus planos. Lembrar de quanto aquele foi tão importante em nossas vidas, enfim, dizer em voz alta: Estou sentindo a sua falta, a sua ausência deixou uma lacuna intransponível.

Ao mesmo tempo, também é hora de agradecer: Obrigado meu pai. Suas lições de vida me fizeram um ser humano bem melhor. Obrigado, obrigado e obrigado e como diz os atuais: Você é o cara.

Enfim, hoje, peço licença aos amigos para externar o sentimento nobre de ter saudades daquele que foi e é a pessoa mais importante da minha vida, para novamente transcrever o artigo que escrevi a algum tempo atrás e que diariamente renovo. Examinemos:

ALÉM DE SEU FILHO, TORNEI-ME SEU FÃ

Sempre pensei que as homenagens deveriam ser prestadas em vida. Talvez seja um dos motivos que ainda não tenha dedicado nenhuma linha a respeito de “Seu Felix”, meu pai.

No entanto, num final de tarde ao ouvir “Naquela Mesa”, cantada por Nelson Gonçalves, descobri que estava errado. A saudade é um sentimento nobre, não deve ser escondida, devemos partilha-la. Então tenho que dizer aos quatro cantos: Estou com saudades de meu pai. Não tenho vergonha, as lágrimas chegam. Não tenho vergonha de dizer: estou com saudades de papai.

É uma mistura de tristeza, orgulho, amor, saudade, enfim, sentimento indescritível, como diria o poeta: – resta apenas uma mesa na sala, naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim.

Guardo na memória inesquecíveis momentos.  O cheiro de óleo de sua roupa de torneiro mecânico ao caminhar comigo abraçado pela Rua Frei Miguelinho no final de cada tarde quando voltava da oficina. A miniatura da Kombi que mantenho na estante do meu escritório, como se quisesse voltar ao tempo e andar ao seu lado no veículo do mesmo tipo que dirigia como motorista do Colégio Estadual, hoje Jerônimo Rosado. São lembranças constantes, onde busco sua semelhança nos meus filhos, irmãos ou sobrinhos. É uma realidade diária.

Tive a felicidade de receber seu nome, como ele o de seu pai. Restou apenas uma diferença: cresci com o seu apoio e exemplos, diferentemente, ele não teve a oportunidade de conhecer o seu, vítima de veneno de cobra, ainda quando estava no ventre de vovó Cristina, cresceu aos cuidados do seu avô.

Guardo o seu olhar, o jeito de caminhar, abraçar, o conversar com mamãe, também a lembrança do gosto pela música, a sua disposição em nunca dizer não, enfim, quando silenciava, simplesmente era lição de sabedoria, pois dizia que mais vale atitudes do que palavras.

Jamais esquecerei que estava ao seu lado na Praça do Codó, quando Aluízio Alves em seu discurso pedia ao povo para rezar o “Pai Nosso e a Ave Maria”, agradecendo o retorno de seus direitos políticos retirados pelo violento AI-5. Naquele momento estávamos juntos de braços erguidos e rezando. Ali recebi a primeira lição daquele simples homem, em não admitir injustiça e perseguição.

Não esqueço os sábados em Areia Branca-RN, após o expediente. Lembro-me ainda das partidas de futebol que assisti ao seu lado e quando de volta, minha mãe, sentada na calada, sorridente perguntava: Felix, ganhou ou perdeu?

Assim era papai: gostava de política, de futebol, música e de cerveja gelada. Na política era seguidor de Aluízio Alves. Na música gostava de Nelson Gonçalves e Altemar Dutra- tinha o espirito boêmio. No futebol, era fã do goleiro Itamar, seu primo/sobrinho e por tal razão, passou a ser torcedor incondicional do Baraúnas, paixão herdada por Wilton, meu irmão mais novo.

Era simplesmente “SEU FÉLIX”; meu pai, meu herói; meu ídolo; meu amigo; o idealista; o sonhador; o esposo de dona Ana Cabral; o pai, o avô, o tio, o filho de dona Cristina; o irmão de Mariinha e de Francisca, o torneiro, o motorista, o homem, era muito simples e calado.

Guardo na lembrança os seus gestos, além de sua sensatez, na busca incansável em preservar a honra, era grato acima de tudo, sem falar pelo gosto de defender e amar sua família a qualquer custo. Não sei se aprendi, mas deixou-me o exemplo.

Um bom tipo o meu velho. Não o vejo mais caminhar, apenas tenho a lembrança motivadora da saudade que invade o meu íntimo e que hoje busco amenizar lançando mão do compartilhamento de tal sentimento.

No próximo dia 04 de dezembro (quarta-feira) seria seu aniversário e certamente estaríamos juntos. No entanto, existe um ser superior que o chamou e estando onde estiver, sei que está bem e mantendo o olhar de proteção aos seus.

E nesse momento, resta apenas mais uma vez repetir: “ naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim.”

A saudade será pra sempre. Tenho orgulho do senhor: “SEU FÉLIX”, pois, ALÉM DE SEU FILHO, TORNEI-ME SEU FÃ.

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Advogado, com inscrição na OAB/RN 3.225; Com formação acadêmica, iniciou no Educandário Nossa Senhora Aparecida, depois no Centro de Educação Integrada Professor Elizeu Viana (CEIPEV), encerrando o 2° grau no Colégio Diocesano Santa Luzia. Formado em Direito pela Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte. Integrante da Comissão de Direitos Humanos e Prerrogativas da Subseção de Mossoró/RN no triênio 2013/2015. Exerceu a condição de Procurador de Vários Municípios e Câmaras Municipais no Rio Grande do Norte. Atualmente é sócio da banca “FÉLIX GOMES ADVOCACIA”, localizado na cidade de Mossoró/RN. Tem atividade forense em todas as áreas do direito, especialmente na área cível, eleitoral e na seara criminal é atuante na Tribuna do Júri.

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