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O jogo é de tudo ou nada e Robinson agora tem “gordura pra queimar”

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O jogo é de tudo ou nada e Robinson agora tem “gordura pra queimar”

Em 11 de outubro de 2011, com 23 votos favoráveis e uma abstenção, o plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte aprovava o projeto de lei que autorizava o Estado a contratar operação de crédito externo com o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), no valor de US$ 540 milhões de dólares (R$ 1,015 bilhão de reais à época). Nascia o programa denominado “RN Sustentável” da então governadora Rosalba Ciarlini (DEM).
 
Naquela momento da administração pública estadual a realidade financeira do Rio Grande do Norte não era tão difícil quanto a atual. Porém, sem recorrer ao empréstimo junto ao BIRD, Rosalba Ciarlini, que precisava imprimir a marca do seu governo e viabilizar sua reeleição, sabia que teria que governar o Estado em condições bem inferiores às da época dos governos Garibaldi e Wilma, os quais, respectivamente, “nadaram” nos recursos oriundos da venda da Cosern (R$ 676,4 milhões à época).
 
Aconteceu Rosalba Ciarlini enfrentou muito mais dificuldades nos campos administrativo e político do que esperava. A ineficiência de sua equipe atrasou os projetos do governo, especialmente os do RN Sustentável, de forma que incompetência se somou a burocracia atrasando também a sequência de liberações de recursos do empréstimo bilionário contratado com o BIRD. A situação levou o governo Rosalba para o campo do descrédito, uma vez que os problemas se acumulavam dia após dia nas mais diversas áreas do governo.
 
No entanto não foi a incompetência da sua equipe administrativa, tampouco o atraso na execução do RN Sustentável o que tirou a então governadora Rosalba Ciarlini do páreo nas eleições estaduais 2014, mas sim uma “rasteira” de quem ela menos esperava: seu antigo aliado o senador José Agripino Maia, que não deu a lenda do Democratas (DEM) para que ela viesse disputar a reeleição quando gozava do pleno direito.
 
Não sou um cientista político, mas não sou o único a dizer que, mesmo diante de um desgaste acentuado, se a então governadora Rosalba Ciarlini tivesse disputado a reeleição teria logrado êxito frente à qualquer adversário que se apresentasse na época. Mesmo com seu plano de governo atrasado, Rosalba havia projetado muito bem o Rio Grande do Norte para os anos seguintes (se desconsiderarmos a crise econômica nacional que veio posteriormente e agravou as finanças do Estado), de forma que até hoje perguntamos quem realmente teria enfrentado Rosalba naquela eleição.
 
Nesta quinta-feira (21) a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte aprovou, à unanimidade dos votos dos parlamentares estaduais, o pedido de empréstimo do Governo do Estado à Caixa Econômica Federal na ordem de R$ 698 milhões de reais. Coincidentemente o filme se repete no que diz respeito ao gestor estadual em situação de desgaste político recorrer à empréstimo milionário objetivando alavancar as ações do governo e, com isso, viabilizar sua reeleição.
 
É bem verdade que o desgaste do atual governador Robinson Faria (PSD) é notadamente maior do que o da então governadora Rosalba Ciarlini às vésperas das eleições estaduais 2014. Assim como a situação administrativa do Rio Grande do Norte também é mais delicada do que a da época, haja vista o alarmante índice de violência no governo daquele que prometeu ser “o governador da segurança”. Observamos ainda que os recursos adquiridos por Robinson são inferiores aos adquiridos por Rosalba, bem como e tempo é adversário de Robinson uma vez que estamos praticamente a um ano da eleição.
 
No entanto, alguns pontos favorecem ao governador Robinson Faria. Uma vez que o acesso aos recursos oriundos do empréstimo contratado com à Caixa Econômica Federal se der de forma menos burocrática, o gestor estadual já conhece bem os problemas amadurecidos no seu governo e sabe que a solução para muitos deles é simplesmente investimento, afinal, paralelo a uma equipe não muito competente, o que castigou o governo Robinson do princípio até aqui foi a falta de recursos.
 
Está claro que o governador Robinson Faria usará seu último trunfo: R$ 698 milhões de reais que precisam causar um choque de gestão expressivo e imediato. Missão difícil, mas não impossível. Uma vez logrando êxito nesta última investida no tocante a sua gestão, no campo político Robinson não terá pelo caminho um José Agripino Maia, como teve Rosalba, uma vez que o governador tem total controle sobre sua situação partidária.
 
Neste tempo de crise financeira onde os gestores municipais enfrentam dificuldades até para pagar a folha dos servidores efetivos da municipalidade, um governo estadual com recursos em caixa detém grande poder de barganha no tocante a apoio político. Desta forma, as pré-candidaturas oposicionistas, sem nada a oferecer quando o momento é de imediatismo, se apequenam diante do governador, o qual goza do pleno direito de disputar a reeleição e, mesmo diante de grandes dificuldades, não se acovarda nem demonstra fragilidade.
 
O jogo é de tudo ou nada e Robinson agora tem “gordura pra queimar”.

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Profissional de mídias eletrônicas, do rádio e da comunicação impressa desde 2005.

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