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O silêncio dos inocentes

Armando Lúcio

O silêncio dos inocentes

Em Mossoró, poderíamos modificar a frase para “O silêncio que os inocentes merecem”. Em uma distância de menos de duzentos metros do principal estabelecimento hospitalar que serve de maternidade, ocorre a mais barulhenta festa da cidade e o local de concentração das maiores manifestações públicas com sonorização extrema, além de ruídos e foguetórios, tudo sob o incentivo, coordenação e beneplácito do poder público municipal. Lei do silêncio? Esta para o município, não existe.

Fosse apenas a questão residencial dos sacrificados moradores das adjacências, estaria ferindo “apenas” a lei da lógica, contudo há uma rede de hospitais e maternidade nas proximidades, que a lei ordinária exige que se respeite o silêncio, mas que acaba prevalecendo o infame adágio de que “quem for fraco que se tore!”

O Ministério Público há muito tempo, já ajuizou a ação própria para impedir tal abuso, e que a postulação ministerial foi acatada pelo judiciário local, inclusive com ajuste de conduta com o município que, posteriormente, descumpriu o pactuado, após buscar guarida, no próprio judiciário pela sua corte estadual de segunda instância, ou seja, pelo Tribunal de Justiça Estadual, (prova de que a vida e a justiça são fatos locais) que chancelou o descumprimento, autorizando que as festas e barulhos ensurdecedores ali na nossa “estação das artes”, nos arredores da área hospitalar, se procedam as manifestações mais barulhentas da cidade.

Só os cegos não vêem, ou só os surdos não escutam, é o mais adequado, e nesse sentido, não importaria nem a questão do horário limite do que, costumeiramente, se cogita para as dez horas da noite. O que importa é o silêncio que os inocentes e enfermos merecem que seja preservado, mas aproveitaram uma estação ferroviária desativada e fizeram do local não um corredor cultural, mas um corredor do barulho, de atrocidades sonoras contra indefesos recém nascidos e internos de estabelecimentos hospitalares.

Até quando, oh barulhentos, abusarás da paciência e do silêncio dos nossos inocentes?!

Armando Lúcio Ribeiro
Promotor de Justiça e Professor da UERN

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