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Planta que cura mais de 300 doenças pode revolucionar o semiárido nordestino

Meio Ambiente

Planta que cura mais de 300 doenças pode revolucionar o semiárido nordestino

Preocupados com as alterações climáticas, cientistas têm procurado alternativas alimentares que sejam resistentes a adversidades e ao mesmo tempo mega nutritivas. Esse é o caso da Moringa. Originária da Ásia e da África, no Brasil a planta é comum no norte, mesmo assim poucos brasileiros a conhecem. O vegetal cresce em áreas semiáridas tropicais e subtropicais. Afinal, mas para que serve a moringa?

A planta traz uma série de benefícios, tanto para saúde e nutrição, quanto para economia e meio ambiente. Se cada família que habita os trópicos tivesse uma árvore de moringa plantada no quintal de casa, haveria menos fome e menos desnutrição no mundo.

     * VEJA TAMBÉM: Agricultores potiguares buscam doações para projeto de reflorestamento da caatinga

No universo dos chamados “superalimentos”, a Moringa tem ganhado destaque. Existem 13 variedades da planta, que é da família Moringaceae – as mais comuns são a moringa oleífera e a moringa stenopetala. A árvore da moringa cresce muito rápido e pode chegar a até 12 metros de altura. Seus galhos são carregados de pequenas folhinhas verdes que são incrivelmente nutritivas. A planta se adapta bem em regiões de difícil proliferação de vegetais, em locais muito quentes e muito secos. Além disso, o alimento supre necessidades básicas, fornece energia e mantém os corpos nutridos. Na África e nas Filipinas, muitas famílias plantam uma árvore de moringa em seus quintais para garantir uso para consumo próprio. Todas as partes da planta são utilizáveis. Folhas, vagens verdes, flores e sementes têm rico valor alimentar, e todas as partes da planta, incluindo raízes, têm uso medicinal.

Nutrientes

O que mais surpreende os pesquisadores é a riqueza da moringa oleífera ou acácia-branca em relação à quantidade de nutrientes. Ela não só possui uma grande variedade de antioxidantes, proteínas, vitaminas e sais minerais, mas também os possui em alta concentração. A planta possui sete vezes mais vitamina C que a laranja, quatro vezes mais vitamina A que a cenoura, duas vezes mais proteína do que o iogurte, quatro vezes mais cálcio que o leite de vaca, três vezes mais ferro que o espinafre e três vezes mais potássio que a banana. Além disso, o vegetal possui todos os aminoácidos essenciais que nosso corpo não produz. Por esse motivo, a moringa é considerada a “árvore milagrosa”.

Na Etiópia, a espécie mais comum de moringa é a stenotepala, que é largamente plantada nas encostas das montanhas em Konso, e ao redor das casas e cabanas de palha dos habitantes. A planta garante um mínimo de elementos nutritivos para a população do local, especialmente para as crianças.

Suas folhas têm um sabor levemente picante, semelhante ao agrião. Elas podem ser consumidas de diversos modos, como cruas em saladas, ou cozidas em sopas. Um prato muito apreciado na Indonésia e no Timor Leste é feito com suas flores fritas em óleo de coco e depois imersas em leite de coco. A iguaria se chama makansufa e é comida com arroz ou milho. Suas flores também dão um belo aspecto quando utilizadas em saladas e são amplamente utilizadas na preparação de chá. Suas vagens verdes têm sabor parecido ao grão de bico e podem ser consumidas cozidas. Quando a planta é jovem e tem em média 30 cm, suas raízes possuem uma reserva nutricional e podem ser ingeridas. De sabor picante, elas podem ser consumidas em saladas ou refogados. Contudo, após esse período, a raiz seca e não pode mais ser ingerida. O óleo extraído de suas sementes é passível de ser utilizado em diversas receitas.

A absorção dos nutrientes depende muito da forma com que o vegetal é preparado. Ao ferver por longos períodos e jogar o caldo do cozimento fora, muitas vitaminas fundamentais para a nutrição são desperdiçadas. Uma forma eficiente de consumir a planta é secando suas folhas e a transformando em um pó semelhante ao matcha, pois desse modo seus nutrientes são conservados.

No sudoeste Senegal, no período de 1997 a 1998, pesquisadores ensinaram a receita a clínicas locais, médicos e enfermeiras, para salvar crianças, mulheres grávidas ou amamentando da morte por desnutrição. As mães foram orientadas a ingerir esse pó nas refeições para produzir mais leite durante o período de amamentação.

Seu uso como suplemento dietético está em expansão, e o pó de moringa tem sido comercializado para complementar uma possível falta de vitaminas e proteínas. Além do formato em pó, que pode ser adicionado a diversas receitas, existe também a versão em cápsulas.

Propriedades medicinais

A moringa é uma das plantas utilizadas pela tradicional medicina ayurveda. Segundo a ayurveda, a planta auxilia no tratamento e prevenção de 300 doenças. Dentre as propriedades alardeadas, algumas foram recentemente verificadas pela comunidade científica. Estudos mostram que a planta é um potencial larvicida e repelente do mosquito Anopheles stephensi que é vetor da malária e do Aedes aegypit, que transmite a dengue. Além disso, pesquisas mostram que um composto da planta é inibidor da leishmaniose.

Outro estudo demonstrou que infusões de água quente de flores, folhas, raízes, sementes e talos ou casca de moringa têm atividades antiespasmódica, anti-inflamatória e diurética. A planta ainda é apontada como antipirética, antiepiléptica, anti-inflamatória, antiúlcera, anti-hipertensiva, antitumoral, redutora do colesterol, antioxidante, antidiabética, antibacteriana e antifúngica.

Na medicina tradicional, o suco de flor moringa é utilizado para melhorar a lactação humana e o chá de suas folhas é indicado para resfriados e infecções. As flores frescas são recomendadas para combate a anemia, úlceras gástricas e diarreia. Já para picadas de insetos, feridas ou problemas de fungos na pele, os habitantes locais utilizam uma pasta feita com suas folhas.

Diferentes usos

Como visto acima, todas as partes dessa generosa plantinha são aproveitadas. Seja para a alimentação ou em remédios alternativos. Contudo a planta tem outras potencialidades que vêm sendo estudadas. O óleo de sua semente possui importância industrial e é aproveitado para lubrificar maquinarias delicadas, é também empregado em cosméticos como perfumes e utilizado para biocombustível. A planta também é usada como forrageira, para alimentar carneiros, cabritos, coelhos, galinhas caipiras, vacas leiteiras. E como a planta floresce o ano todo, suas flores são uma opção na alimentação de abelhas.

Outro fator que ressalta a importância da planta é seu potencial de realizar um tratamento químico da água ao decantar bactérias e resíduos. Após macerar as sementes de moringa e adicionar à água, ela atrai argila, sedimentos e bactérias, que se acumulam no fundo do recipiente e deixam a água clara e potável. Ela melhora em 99% a qualidade da água com seu efeito purificador.

Três sementes purificam cerca de um litro de água. O ideal é utilizar sementes colhidas recentemente para o tratamento de água. O tempo ideal de decantação da água é de 90 minutos. Quanto maior o tempo e repouso, maior a quantidade de partículas irão se acumular no fundo do recipiente. Após esse processo a água precisa ser filtrada, coar com um pano já faz esse trabalho. Coar é muito importante pois o material orgânico decantado inicia um processo de decomposição após o tratamento.

Diversos estudos analisam um composto ativo à base da semente da planta, que poderia ser implantado como uma alternativa viável de agente coagulante em estações de tratamento da água convencionais. Atualmente são utilizados produtos químicos como sais de alumínio para realizar a coagulação e a floculação da água, resultando em um lodo com compostos químicos que não podem ser descartados de qualquer maneira. Contudo, com o uso da moringa, forma-se um lodo totalmente biodegradável que não oferece riscos ao meio ambiente. Pesquisas mostram que sementes de moringa oleífera não alteram significativamente o PH e a alcalinidade da água e não causam problemas de corrosão. Tanto sementes da stenopatala, como da oleífera possuem as mesmas propriedades purificadoras da água.

De acordo com o Instituto Trata Brasil, seis milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada. Por isso, a expansão da moringa no território brasileiro é essencial.

Atualmente a planta é conhecida no estado do Maranhão e vem sendo difundida no sertão nordestino.

O vegetal cresce onde mais se precisa dela. A região entre os trópicos é assombrada pelas mortes por desnutrição e ingestão de águas contaminadas. A resistência da moringa traz a esperança de uma água limpa e uma rica fonte alimentar para esses locais que sofrem tanto com o clima e com o solo. Com todos seus atributos, é difícil não reconhecer a moringa como uma das plantas mais generosas do planeta.

Agricultores potiguares lançam projeto de reflorestamento com Moringa Oleífera

No município de Caraúbas, região Oeste do Rio Grande do Norte, um grupo de agricultores, capitaneado pelo advogado Canindé de Freitas, abraçou como causa o reflorestamento do Nordeste brasileiro tendo como carro-chefe a Moringa-oleífera, cujo seu potencial foi detalhado acima.

O grupo defende que a população deve deixar de esperar por políticas públicas governamentais e assumir o protagonismo da luta contra as práticas irracionais no meio ambiente. “A população do nosso planeta tem a necessidade de assumir, com urgência, o protagonismo da luta contra as práticas irracionais de produção e manufatura que refletem negativamente nas mudanças climáticas. Infelizmente não podemos esperar por políticas públicas de geração de empregos, com critérios que respeitem a natureza, vindas da classe política brasileira. A grande maioria dos nossos representantes não tem nenhuma visão analítica sobre processos produtivos e, consequentemente, não sabe propor soluções nem muito menos construir resultados. Na verdade nossa classe política está focada em fazer conchavos visando seus interesses particulares”, defende Canindé de Freitas.

Dr. Canindé de Freitas comanda o projeto no Rio Grande do Norte.

Freitas explica como foi chegada a conclusão de que esse é o caminho para o semiárido nordestino. “Analisando diversos projetos sociais e políticas públicas no Nordeste brasileiro, que não obtiveram êxito, e somado a fortes sentimentos de altruísmo é que resolvemos desenvolver um projeto que pudesse minimizar o desemprego em regiões remotas do semiárido nordestino sem agredir o meio ambiente. Embasado no pensamento de Dambisa Moyo, economista da Zâmbia, que alerta o mundo, em seu magnífico livro Dead Aid, dos perigos da “Ajuda Morta” é que estamos propondo soluções pragmáticas. Essa pensadora pede ao mundo que pare de ajudar os países africanos de forma errada e com outros objetivos e orienta que esses países devem buscar se desenvolver sem a interferência estrangeira”, explicou

O advogado critica as políticas públicas existentes, a forma como algumas empresas do agronegócio tem explorado a atividade no Rio Grande do Norte, alerta sobre os riscos e defende a agricultura familiar como o caminho sustentável. “Aqui no Rio Grande do Norte a maioria das empresas de agronegócios que tem chegado como uma solução de geração de emprego e renda tem causado desmatamento, desertificação, contaminação do solo e da água nordestina com agrotóxicos e comprometendo nossas poucas reservas hídricas com o uso de grandes quantidades de água. É necessário fortalecer a agricultura familiar, indo ao encontro dos sonhos e das vontades dos sertanejos. Quantos milhares de sertanejos se endividaram comprando quites de irrigação para regiões onde não se tem água para agricultura irrigada? Quantos sertanejos se endividaram comprando gado de espécies que não se adaptam ao semiárido? Quantas perguntas sem respostas se pode fazer sobre modelos de produção inviáveis que foram impostos ao sertanejo? O sertanejo quer fazer agricultura familiar trabalhando com práticas agrícolas sustentáveis norteadas pela agroecologia” criticou.

Freitas defende com veemência o potencial da Moringa Oleífera. “De forma estratégica definimos que a Moringa Oleífera será a principal espécie vegetal, entre outras como gliricídia e algumas braquiárias resistentes à seca, a ser introduzida no enriquecimento da caatinga. A moringa, também conhecida como árvore da vida, não é uma planta com característica invasora, vive em perfeita protocooperação com outros vegetais, e é uma verdadeira fonte de soluções e de perspectivas: serve para alimentação humana e animal; cura do câncer e com outras propriedades medicinais; biodiesel com algumas características bem superiores as extraídas da soja; fonte de proteína para indústria de alimentos veganos; produz 80 toneladas de biomassa por hectare; rebrota na seca; produz lenha; produz azeite de moringa, mais palatável e nutritivo do que o azeite de oliva; polinizada principalmente por insetos tipo abelhas; e produz chá energético que substitui o café e o guaraná, entre outra infinidade de benefícios” defendeu.

O dossiê técnico do Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas (SBRT), elaborado por cientistas, embasa o projeto do grupo. Veja o que diz o documento: “A Moringa Oleífera está passando por uma série de descobertas e evoluções. Esta planta que serve do ramo de alimentos até o medicinal e conseguiu atingir uma popularidade em todo mundo, começa a revolucionar até a produção de combustível, com uma recente descoberta sobre a sua utilização na produção de biodiesel. Suas formas de cultivo são simples e não exigem muitas especificações, o seu crescimento é relativamente rápido e a adaptação é considerada boa, tornando a disseminação da moringa algo possível. O aproveitamento da planta é algo interessante, flores, cascas, sementes e folhas, todas possuem uma utilidade, servindo como fonte de alimento a seres humanos e animais, incluindo até o uso na limpeza da água. O que é mais interessante é a quantidade de propriedades presentes nessa planta, suas utilizações mesmo sendo modificadas de local a local, são atemporais e superam alimentos que antes eram ditos como ricos em determinados nutrientes. A cada dia, a moringa oleífera torna-se uma descoberta da natureza que supera expectativas e desperta a atenção e o olhar do mundo. Não é exagero acrescentar que a moringa oleifera tem sido eficaz no combate à obesidade e diabetes.”

Freitas explica como o grupo iniciará o desenvolvimento do projeto no Rio Grande do Norte. “De forma escalonada e seletiva escolheremos duzentos produtores que irão produzir camarão, via BFT, com o uso de água reciclada e irão custear o reflorestamento do semiárido com o bombardeamento de sementes e a doação de mudas. Custearão isso em troca de uma nova forma de monetização. A gente não tem dúvidas quanto ao enriquecimento da caatinga com a moringa oleífera. O Nordeste vai ser um grande produtor mundial de proteína animal e vegetal, de mel, de remédios homeopáticos, de biodiesel, de azeite e terá índices baixíssimos de desemprego em um horizonte não tão distante. Não podemos prever quantos empregos serão gerados com o reflorestamento do Nordeste, mas o certo é que serão muitos”, explicou.

Doações 

Para ir adiante a importante iniciativa depende de financiamento. A princípio o grupo está buscando doações na internet, onde uma campanha denominada “Bolsa Trabalho” pretende arrecadar R$ 700 mil reais através da plataforma Kickante. De qualquer parte do Brasil, simpatizantes podem doar de R$ 10,00 a R$ 5.000,00. Click  AQUI para saber mais.

Por Erinaldo Silva, com informações de Ecycle – Imagens: Reprodução

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