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Propagandas enganosas

Armando Lúcio

Propagandas enganosas

Nos tempos modernos, o homem utiliza a propaganda, ou como alguns preferem chamar “recursos midiáticos” com objetivos os mais nefastos possíveis e imagináveis. Segundo a mitologia, o deus Midas transformava em ouro tudo o que tocava. A “mídia” moderna não transforma em ouro, mas atende aos interesses de quem lhe financia para transformar qualquer boato ou mentira, em verdade aparente, enganando as massas a qualquer preço.

Veja-se que, na mídia do governo federal, em sua propaganda pela reforma da previdência social, aquele que foi aposentando em torno de cinqüenta anos – ele, o presidente – coloca como culpado da quebra da previdência social os funcionários públicos, dizendo que ganham muito e se aposentam cedo. Puro feitiço para jogar o povo contra o funcionalismo público, senão vejamos:

  • A mídia de Sua Excelência, o Presidente da República, não diz que ganham muito, mas que, igualmente, contribuem muito. Os servidores que fazem a máquina estatal funcionar, selecionados por concurso público, em que não escolhidos os melhores e mais capacitados devem, necessariamente, receber justa e compatível remuneração, pois trabalham, em vez de assessores palacianos que nem vão ao local de trabalho;
  • A mídia de Sua Excelência, o Presidente da República, não diz que além de contribuírem enquanto estão na ativa, os servidores públicos, ainda quando aposentados, contribuem para a previdência social, diferentemente dos trabalhadores da iniciativa privada, que não pagam contribuição quando se aposentam. Não diz porque quer enganar o povo;
  • A mídia de Sua Excelência, o Presidente da República, não diz que a natureza jurídica da contribuição previdenciária é a formação de um fundo de pensão, e quando se passa a receber a pensão, que é a aposentadoria, não existe razão jurídica de contribuir, como o fazem os servidores públicos. Não diz várias verdades, como o objetivo de angariar a simpatia do povo, colocando a culpa no funcionalismo público, como por exemplo: a maioria dos servidores públicos são proibidos de exercer outras profissões e ofícios para auferir rendas, pois a lei lhes proíbe a acumulação.

Suas Excelências, os deputados federais, senadores, ministros e outras sanguessugas, que somente estão no poder porque alguém os colocou lá, e não por seus méritos, vão dizer o que aos seus descendentes? Consciência de vampiros é o que são, e sugam o quanto podem o povo brasileiro, e ainda cometem o pior dos crimes, que é o de jogar o funcionalismo público contra o povo, para, agora sim, produzirem um golpe, o golpe da eloquência fajuta.

Essa propaganda criminosa de ataque ao funcionalismo público não nasceu de um desejo de salvar a pátria, mas de vingar-se de quem descobriu e descobre as falcatruas dos vigaristas de colarinho branco: vingar-se dos membros honrados da Magistratura e do Ministério Público, que são funcionários públicos, mas que não temem o golpe da eloquência fajuta, o golpe midiático.

Armando Lúcio Ribeiro
Promotor de Justiça e Professor da UERN

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