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Clorisa Linhares fala de sua pré-candidatura ao governo do RN em meio a grandes estruturas políticas

Entrevista

Clorisa Linhares fala de sua pré-candidatura ao governo do RN em meio a grandes estruturas políticas

Pré-candidata ao governo estadual, a vereadora de Grossos, Clorisa Linhares (PSDC) abordou aspectos da sua caminhada e os desafios de transitar em meio a grandes estruturas políticas. Foi durante entrevista ao programa “RN 360”, no último sábado passado (6), na Rádio Rural de Mossoró, quando conversou com o jornalista Gilberto de Sousa. Confira:

RN 360 – Diante da situação na qual se encontra o Rio Grande do Norte, qual a motivação dos pré-candidatos que se propõem a governar um estado onde eles sabem que vão enfrentar muitas dificuldades pela frente?

CLORISA LINHARESPara falar em motivação, preciso lembrar como entrei na vida política. Porque, na verdade, eu nunca fui política de carreira. O político lá em casa era meu esposo e, eu pedia muito a ele para sair da política. Ele seguia em frente, pois é uma questão ideológica. A gente acredita que a política é necessária porque é quem dá o comando em relação a educação, a saúde pública, a segurança pública, a infraestrutura, as oportunidades para os cidadãos, enfim uma série de fatores que influenciam a coletividade e que dependem dos poderes públicos. Na eleição municipal de 2016, em razão de ele ser delegado da Polícia Civil precisava ter se afastado do trabalho seis meses antes da eleição e ele se afastou faltando apenas três meses. Por isso foi indeferida a sua candidatura e ele me pediu que eu o substituísse. Eu disse a ele que iria na condição de que, se a gente perdesse aquele pleito, iríamos sair por definitivo da política. Fui eleita a terceira vereadora mais votada em meu município. A partir dali, com seis meses de mandato, recebi o convite do presidente estadual do PSDC para a pré-candidatura ao governo, que foi respaldada pelo presidente nacional do partido, José Maria Eymael. Como eu tenho formação de base cristã, acredito que isso não veio por acaso. Nunca esteve nos meus planos, mas chegou até a mim. Então, vejo isso como mais uma responsabilidade. Existe muitos homens e mulheres de bem, capacitados para fazerem algo positivo para esse estado, e por que não dizer, para este país. Infelizmente, as pessoas que ocupam esses cargos hoje, em sua maioria, não vou dizer 100%, estão contaminadas, viciadas numa política de interesses pessoais, que atendam aos seus bolsos e os de seus parentes. Os seus privilégios, digamos assim. Então, o que é que me motiva?, a minha história de vida. Sou mãe de um filho que tem uma síndrome raríssima. Tenho conhecimento de quatro casos no país. Quando tomei conhecimento desse diagnóstico na medicina, ouvi de vários profissionais da área que ele não iria ler, escrever, e provavelmente se envolveria com drogas. Iria ser um delinquente em razão de uma síndrome que foi encontrada num presídio. É uma síndrome que tem vários desdobramentos. E naquela época, há 25 anos, eu travei uma luta. Conheci a Psicomotricidade Relacional, que é uma metodologia de transformação social e mexe com índices de violência, com motivação profissional…

RN – … a senhora tem trabalhado bastante nessa questão.

CLSim. Hoje a Psicomotricidade Relacional é lei em Grossos, Tibau e em Mossoró foi aprovada por unanimidade. Mais de 20 municípios tem cópias desse projeto que já trouxe importantes resultados em Fortaleza-CE.

RN – Qual a cerne do projeto?

CLEle é aplicado de forma preventiva nas escolas. Começa na base e lá você consegue melhorar a questão cognitiva para ter conhecimentos. Eu falo de causa própria. O meu filho tinha um QI de 60, chamado de limítrofe ou ligeiramente leve. E para ser um débil mental precisa ter 59. Hoje ele tem um QI de 90. É normal. E o que eu fiz? Utilizei a metodologia. Em Fortaleza, 18 escolas conseguiram aumentar o índice de aprendizagem em quase 50%. Conseguiram baixar o índice de violência entre professor/aluno e aluno/aluno. Então, existem mecanismos e formas de se começar a trabalhar. As pessoas que estão à frente desse governo não estão conseguindo através de outros métodos. E qual é o motivador? Quando recebi o diagnóstico e fui procurar na literatura médica e não tinha, era realmente o que os médicos diziam. Seria um futuro muito negro. Mas eu apostei e acreditei. Investi toda a minha força, coragem e fé para que meu filho não tivesse aquele destino. Hoje meu filho terminou o segundo grau, faz cursos profissionalizantes, dirige, trabalha e casou. Isso me motiva acreditar que a Psicomotricidade Relacional é um caminho a ser trilhado. É necessário que homens e mulheres capacitados, honrados e com moral, se habilitem a pleitear a carreira política. É o que a gente não tem hoje. A política está ficando para àquelas pessoas que realmente não tem compromisso com a sociedade. Porque quem está na sua zona de conforto, na sua vida estabilizada, não quer uma vida política. A verdade é essa. E aí outras pessoas vão se utilizando desse vácuo e ocupando espaços que precisam ser ocupados por homens e mulheres de bem.

RN – Alguém tem que tomar de conta.

CLTem que se fazer alguma coisa. Eu estou me colocando à disposição, como pré-candidata. Acho que é a minha contribuição mínima para esse estado.

RN – O país também atravessa uma dificuldade muito grande em relação à violência, que é uma coisa generalizada. O RN está aí passando por um caos. E não é culpa só do governo Robinson. A senhora concorda, dentro desse depoimento, que as políticas públicas precisam estar na base inicialmente?

CLSim. Tudo começa na família. Eu tenho formação em Direito e em Contabilidade. Gosto muito de números. Tenho algumas pós-graduações e uma delas é na área da Segurança Pública. Fui agente penitenciária durante 5 anos na Penitenciária Agrícola Mário Negócio e na Cadeia Pública de Mossoró. Durante esse tempo, tive a oportunidade de fazer um trabalho de pesquisa. Cataloguei ficha a ficha e entrevistei presos da época, para traçar os perfis deles. E pasmem, 90% dos apenados são oriundos de famílias desestruturadas. Uma ausência enorme da figura paterna, ou que o pai era viciado em drogas, envolvido com o crime. E isso já mostra uma base comprometida. E tem que ter políticas públicas de base. É fácil? Não! Mas é necessário se começar a fazer algo. A gente precisa entrar agora no período de transição, para poder chegar à mudança. Porque o caos que se instalou nesses anos todos, não vai ser resolvido em 4 anos. Não vamos colocar tampão nos olhos de ninguém porque não são burros e nem cegos.

RN – Tem que ter muita coragem para assumir esse desafio.

CLSim. A gente vai começar um processo de transformação. Para colocar esse trem descarrilhado nos eixos, nos trilhos novamente. É necessário se ter alguém com esse compromisso. Vai ser fácil? Não! É algo que todo mundo vai ter que enfrentar juntos, através de um grande pacto. É preciso que os poderes, nesse momento, estejam unidos. E aí essa transformação não pode vir só do governo. A gente tem que renovar aquela Assembleia Legislativa viciada. Porque da forma como está, não vai se conseguir trazer mudanças eficazes. Pessoas viciadas a conchavos, ao toma-lá-dá-cá. Enquanto se manter esse tipo de política, que se forma na base, a partir do eleitor que diz só votar se lhe derem algo em troca, não será possível a transformação necessária.

RN – O eleitor precisa “acordar”.

CLOu o eleitor acorda, ou ele e seus descendentes não terão um futuro melhor. Porque quem pode e deve fazer a mudança nesse País, estado e municípios, não será o político, mas sim o eleitor. Quem muda é o povo, exercendo o direito de votar, de forma democrática. E a gente pode até errar de novo colocando uma ou outra pessoa. Mas, com certeza, no geral, vai se ter um resultado positivo de renovação nas próximas eleições. Porque a maioria dos eleitos vão ser pessoas que tem condições de inovar, com ações, compromisso e moral. E se querem saber quem são essas pessoas para fazerem escolhas certas, se informem sobre o passado de cada candidato, desde à sua vida pessoal a vida pública. Tem pessoas que, desde o começo, com 18 anos de idade, entraram na política, estão até hoje e nada de relevante fizeram. A política não é uma carreira profissional. É para ser um período em que a gente possa dar a nossa contribuição e passar o espaço à outro. Ter essa humildade de sair e se despojar desse meio.

RN – A senhora acredita que depois dessas vísceras abertas no país, o eleitor está mais consciente?

CLA oportunidade é essa. A gente está passando por duas grandes peneiras. A primeira, a Operação Lava Jato, que está se encarregando e é uma luta grande contra esse sistema poluído. Já está tirando algumas pessoas do cenário e essas não concorrerão às eleições desse ano. Mas, o povo vai ser a grande e verdadeira peneira e é quem vai decidir essa mudança. Eu acredito que é possível. É um processo lento, mas cada um tem que fazer a sua parte. É preciso dar um NÃO a essas pessoas que estão no poder há muito tempo e respondem a processos mediante fortes indícios e até mesmo provas concretas de crimes praticados contra o povo. Conceder uma nova oportunidade a essas pessoas seria arriscar demais o futuro. Vamos dar oportunidade a outras pessoas, que possam chegar e trazer uma mudança, uma proposta que não seja essa que a gente já conhece. Todo mundo sabe como funciona o sistema político no Brasil. Pergunte a uma criança e ela vai dizer. Vamos corrigir erros que não são só dos políticos mas principalmente da população, na hora de votar. Eu acredito, porque, meu marido, quando saiu em uma campanha para prefeito, de forma correta, sem comprar nada e nem ninguém, ele teve 76 votos. Na outra campanha, com o mesmo sistema, 174 votos. E agora para vereador, em 20 dias, onde as pessoas não me conheciam, tanto que eu era ‘Clorisa de Jonhson’, meu esposo, agente de segurança pública há 21 anos, ganhamos a campanha em terceiro lugar e sem comprar o voto. Existe o movimento de mudança. É lento, mas necessário que aconteça. E que vozes surjam do meio do povo para dizer alguma coisa. Não é fácil enfrentar o que está posto aí.

RN – O fato de a senhora ser vereadora de um município pequeno como Grossos, tem lhe ocasionado algum tipo de preconceito por parte da classe política?

CLSim. E da parte dos jornalistas também. Eu chego em Natal para dar uma entrevista e uma das primeiras indagações é: “você saindo vereadora do interior!’. Eu digo: E por que não? O que é que essas pessoas que hoje estão no poder tem, que uma vereadora não possa fazer? Porque: Conhecimento, eu tenho duas graduações e cinco pós. Tenho Contabilidade Pública, Contabilidade Gerencial, Direito de Família e Sucessões, Segurança Pública e Cidadania, Psicomotricidade Relacional e Direito Público. Fora os cursos. Já trabalhai 12 anos no setor privado com a parte tributária, fiscal, contábil e financeira. Estou há 15 anos no serviço público e não tenho sequer uma advertência. Então, por que não, uma pessoa que passou a vida estudando, buscando até vencer em relação ao que a medicina dizia que não tinha jeito. E viu o sucesso, o resultado de um investimento, com confiança e perseverança. E qual é a qualificação que estas outras pessoas tem em Segurança Pública, a julgar pelo nosso governador? Qual é a qualificação? Sou casada há 21 anos com um agente de segurança. Um delegado da Polícia Civil que convive com pessoas ligadas à Segurança Pública. Você sabe o que é ir na casa de um amigo e ver a farda sendo estendida dentro de casa, por que o vizinho não pode saber que ele é policial, porque aonde ele mora, corre o risco de ser morto ou a família ser ameaçada? É conviver com ameaças. E quantas vezes a minha família, eu como agente e o meu marido como delegado, foi ameaçada? Eu e ele já perdemos a conta. A gente tem que conviver com certas coisas que não compartilhamos com a sociedade, haja vista fazer parte da nossa profissão. Que conhecimento essas pessoas que estão aí tem que eu não tenho? Eu vim do nada, do zero e consegui construir alguma coisa, de forma honesta e digna.

RN – Quer dizer, a senhora tem a credencial.

CLNão estou caindo de paraquedas. O fato de eu ser vereadora em Grossos, não minimiza a minha potencialidade, de forma alguma. Porque o que está faltando hoje no nosso país, são pessoas honestas, de caráter e que tenham compromisso em fazer, em promover o bem-estar social. Agora, essas pessoas que estão aí, em regra, não estão compromissadas com o que é fundamental: que é trabalhar políticas públicas que tragam melhorias para a sociedade civil. Isso a gente não tem assistido. Vai ser fácil resolver? Não! Pra ninguém que chegue lá! Principalmente se não tiver comprometido com a causa.

RN – Como seria a busca de recursos? Porque tudo isso aí passa pela questão financeira.

CL Passa. E muita coisa que se vê nesse estado, e digo isso porque a gente enxerga o excesso de burocracia, a falta de informações alinhadas. Ocorre que hoje para você abrir determinados empreendimentos no nosso estado, dependendo das áreas, se passa entre 3 a 10 anos esperando pelo licenciamento. Cada empreendimento que deixa de ser ou demora a abrir, ou falta investimento para tal, é menos empregos, menos dinheiro e arrecadação. Nós temos um potencial imenso. Na parte de minérios o sal, o segundo produto do PIB e que é desvalorizadíssimo. A região da Costa Branca, formada por Grossos, Areia Branca, Galinhos, Macau…

RN – … e agora enfrentando pancadas …

CL… em cima de pancadas. Então, não existe uma política para ajudar. Decretar o sal como de utilidade pública, a gente não vê a bancada brigando. Vocês escutam na mídia estadual e nacional as nossas bancadas  brigando para isso? Porque é um produto de utilidade pública.

RN – E é uma área diferenciada.

CL – Sim. É toda uma situação que foi criada. A gente enfrenta o problema com a concorrência do sal chileno e agora com um TAC do Ministério Público Federal, onde ele quer que afastem a margem do rio das salinas e tem delas que chega a 200 metros. E aí afeta toda uma produção. Estou falando só de uma atividade que é a salineira. Mas tem a fruticultura, a exploração de minérios que não tem como escoar a produção. E teria de trazer a parte central, ali de Caicó e vários municípios ricos em ferro, tungstênio, calcário. É um estado rico mas governado por incompetentes. Tratam a gente como se fossemos miseráveis e não é assim. Falta infra-estrutura, faltam instituições sérias …

RN – … e como o governo poderia estimular essa produção?

CL – Com políticas públicas voltadas para cada ponto de forma bem específica. Firmar pactos com as entidades. Os poderes se alinharem aos propósitos… Porque existe dinheiro, mas é mau distribuído, mau gasto e mau gerido. Então tem que ter um pacto econômico para se tratar desses problemas. E nesse pacto tem de ser traçado um planejamento de curto, médio e longo prazo. E tem questões que precisam de soluções urgentes. Por exemplo, a folha de pagamento dos servidores estaduais, isso tem que ser resolvido.

RN – O Governo agora decretou Estado de Calamidade Pública na segurança e ao mesmo tempo anunciou uma série de medidas. Foi tarde?

CLO governador que se dizia da segurança, começou a tratá-la no final do governo, depois de instalado o caos total. É um contrassenso. Não era o governo da segurança. Fica muito claro. Agora que chamaram os poderes para conversar. E por que não o fez isso no início? Porque quem trabalha com planejamento, e aí eu digo, para quem é da área contábil e econômica, se trabalha com planejamentos estratégicos. É necessário que desde o momento que se assume, ou melhor, antes. Hoje já estamos percorrendo o RN e conversando. A gente escuta, lê, mas uma coisa é o corpo a corpo. Visitar um município e ver qual é a maior queixa e planejar de acordo com a necessidade da população. Dizer a essas pessoas que é necessário abrir os olhos e ver que é possível. Mas é preciso ter esse pacto e ele vai ter de priorizar a parte de educação e capacitação da mão-de-obra. Precisamos viabilizar investimentos para a indústria e comércio. É necessário que os órgãos públicos trabalhem de forma mais eficaz e aí ter mais controle e fiscalização. Porque, a corrupção, infelizmente, não é um privilégio dos políticos. Se você for em qualquer repartição e observar, perceberá que ela tomou conta e está havendo uma inversão de valores. Precisamos pautar o respeito. Isso tem que ser trabalhado independente de crença ou cor. Ou então a gente vai sempre está estimulando a violência. O que vemos hoje é a política de extremos.

RN – Quais são suas impressões sobre a posição da bancada federal diante de tudo isso?

CLEu acho a nossa bancada federal fraquíssima. Perdemos a refinaria e está aí o sal com essa luta para decretá-lo como de utilidade pública. E não vejo nenhuma manifestação. Fui à Brasilia e participei de uma reunião. E teve senadora que não compareceu porque não gosta de Temer. Pelo amor de Deus, isso é uma política?

RN – Porque tem que se fazer um esforço concentrado nesse momento. Não é?

CLEu tenho 14 projetos na Câmara Municipal de Grossos e 7 deles foram aprovados. Eu sou oposição e sou minoria. Então eu tenho que conversar, que mostrar. E quem sanciona esses projetos? É o prefeito. E uma coisa é você ser oposição a certas situações. Eu já votei projetos colocados pelo prefeito, porque beneficiaria a população e eu não posso me colocar contra. A política não é isso. A gente tem que trabalhar para viver bem. O homem é um ser social e precisa conviver uns com os outros. E não dá para viver se digladiando. É preciso que se trabalhe de uma forma centrada. Tem coisas que são possíveis e outras que não. Mas se trabalhar pelo menos com o diálogo e não com agressões.

RN – Clorisa, ainda falando da segurança. E essa medida do Desembargador Claudio santos, que determinou a prisão de policiais que insistirem nesse estado de greve. Como a senhora vê isso?

CLVejo desastrosa e lamentável. Uma coisa contraditória. Pessoas que fazem segurança pública, um instrumento de trabalho que envolve a vida dele. São pessoas que vão trabalhar e lidar com a escória da sociedade, que não tem respeito à vida. E aí estão nsses grupos as facções que a cada dia se fortalecem. A nossa polícia está sendo sucateada e desvalorizada. Ao ponto de trabalhar dois meses sem receber salários. Então como é que um dono de casa mantém a sua família?

RN – Isso estimula a corrupção dentro da própria polícia.

CLExato. Como se vai fazer uma operação se não tem um colete á prova de balas? Se falta munição… Numa empresa privada, e fazendo um paralelo, chega o dia 20 e se não for pago o 13º salário, qualquer colaborador pode denunciar ao Ministério do Trabalho e a empresa pode ser autuada. E o que está sendo feito em prol desses servidores que dão a vida por nós? Enquanto a gente está dormindo, ou trabalhando, eles estão no meio da rua, fiscalizando. E em toda área tem o bom e o mau profissional. Mas estou falando da maioria, que fazem a polícia, as pessoas que honram e amam a farda. Porque se não fosse amor à profissão, não estariam lá diante da falta de condições de trabalho que vivenciam. E vou falar de uma realidade de presídio onde a gente vê a precariedade. Segurança pública é a única que não tem um orçamento público certo. As outras todas tem. Ela é essencial mas é escanteada. Mas é super necessária e aí esses pais de família, homens e mulheres, ou trabalha sem receber ou vão ser presos? Acho isso lamentável. Um absurdo o que estão fazendo. E me compadeço, me coloco à disposição da categoria sempre, no sentido de fazer algo. Esse movimento agora em Mossoró, com a doação de alimentos para os policiais. Por que falta.

RN – É humilhante.

CLÉ. E se não voltarem ao trabalho, vão ser presos. E no final do ano o presidente da república deu o Indulto de Natal. Para liberar quem? Os bandidos. E muitas vezes pessoas que nunca mataram uma pessoa, mas são responsáveis pela morte de massas de pessoas, quando roubam o dinheiro público e aí nos hospitais se deixa de prestar assistência por falta de um medicamento ou equipamento que está quebrado. E existe ‘n’ mortes indiretas e prejuízos causados pela corrupção no Brasil. Mas reserve o indulto. E os policiais, agora, pedindo condições de trabalho e o pagamento dos salários para que possam alimentar suas famílias e recebem a decisão de prisão, caso não voltem a trabalhar. E o que está sendo feito efetivamente para que isso seja resolvido? Eu não vejo a bancada federal realmente empenhada em busca de solução. O que rolou nas redes sociais é que a bancada federal foi lá atrapalhar a liberação de recursos que serviriam para resolver o problema da folha. Esse é o tipo de representante da bancada federal que a gente tem hoje. E aí compete ao povo decidir se quer que continuem ou não.

RN – É uma situação que exige esforço concentrado. E vamos dar um exemplo, o nosso vizinho estado do Ceará. Quando termina a campanha política, os palanques se desarmam.

CLPorque os políticos de lá realmente são representantes do povo. Você pode até ter o seu partido, as suas opiniões, mas na hora que assume o seu mandato, tenha a responsabilidade de defender o povo. E nesse momento, o governo precisa de ajuda.

RN – A senhora tem percorrido o RN em busca de contatos. E quais são, além da questão da segurança, os principais desafios que um futuro gestor ou gestora terá que enfrentar?

CLEstamos passando por uma crise hídrica muito grande. Hora aparece e hora não, na imprensa, mas aonde a gente tem ido, tem cidades sendo abastecidas praticamente através de carros-pipas. Os reservatórios estão secando e depende do inverno. Existem lençóis, como na região do Apodi e Caraúbas, de água mineral, maravilhosos, mas tem que ter investimentos, políticas públicas. Mas o que acontece no nosso país, começa a se falar no que deve ser feito e as obras não são concluídas. Tem uma obra que me chama muito a atenção em Natal. É o terminal pesqueiro e 95% está concluído. Faltam 5% para ele começar o seu funcionamento e a não conclusão causa um prejuízo terrível. Então é necessário que se tenha um planejamento, com responsabilidade e que os órgãos, aí entra o judiciário, o Ministério Público, precisam acompanhar isso de perto. Tem também a questão do desemprego. Aonde eu passo, as pessoas reclamam de não ter emprego. A gente vê a questão dos micro e pequenos empreendedores ficarem na informalidade porque o excesso de burocracia, o desencontro de informações leva a isso. E eles ficam na informalidade, sem gerar recursos para o governo e sem criar empregos com carteira assinada. A questão da insegurança. Todo mundo reclama. A precariedade na saúde também. E acrescentando a questão das estradas. A gente tem acompanhado de perto. Temos visto o abandono das estradas, sejam elas rodovias estaduais ou federais. Acredito que tem muito trabalho a ser feito. E esse trabalho vai ser feito por uma pessoa. Não existe um super herói, um salvador da pátria. Isso é balela, enganação. É uma operação conjunta e vai ter um governador com compromisso, sinceridade, liderança e com transparência. Associado a uma Assembleia que venha também com esses mesmos requisitos. É preciso fazer uma limpeza, uma mudança. E com isso começamos a transição e digo assim porque mudar em 2 anos o que está esculhambado há mais de 10, não se consegue colocar nos eixos. E os resultados eu costumo dizer que vão começar a acontecer após os 02 primeiros anos, que são os mais difíceis. Porque você vai se adaptar e conhecer a realidade e inclusive os números porque, nem sempre, o que se passa é real. Digo isso como profissional da contabilidade. É só analisando todo o material in loco que a gente tem a plena convicção e se começa a perceber aonde é que está o furo, o buraco …

RN – … o que está sendo mascarado ou não…

CL … e aí criar órgãos de controle para que se possa ter uma fiscalização com seriedade. Não é possível ter em nossos quadros, servidores corruptos que causem prejuízos ao erário e a população. E isso acontece. Porque muitas vezes são pessoas que estão ligadas a um esquema e a gente tem visto. E o que estou falando não é nenhuma novidade.

RN – Quer dizer, a Lava Jato trouxe à tona, muita coisa. A gente sabia que existia, mas não sabíamos a dimensão.

CLÉ. E hoje está aí, de forma muito transparente e a nível federal, estadual e municipal.

RN – O PSDC, como é que está se comportando, se preparando para enfrentar esse pleito?

CLO PSDC vem conversando com outros partidos, que compartilham também dessa mesma ideologia, os quais a gente acompanha e não vê nenhum escândalo em volta desses partidos. Temos visitado esses municípios onde existem diretórios municipais e vereadores. Temos convocado essas pessoas a participarem desse projeto político que está se formando e principalmente com o apoio da nacional, que está validando esse projeto. Sem falar com lideranças que, embora não tenha nenhum cargo, são líderes de comunidades, que seja em centros comunitários, entidades públicas ou privadas. E também aqueles que querem algo diferenciado e tem vindo nos procurar e declarar apoio a essa pré-candidatura. A gente fica feliz com o que tem escutado durante nossas andanças. É um pleito difícil. E eu diria que é como na Bíblia Sagrada, a luta é entre Davi e Golias. Porque eles tem um lastro de nomes tradicionais na política, um lastro financeiro e muitos tem como fazerem barganhas. Mas eu chego com a minha coragem, a minha determinação em trazer uma mensagem para a população, de que é possível. Eu acredito ser possível, mas não vai ser pelas mãos da pré-candidata Clorisa Linhares, vai ser pela decisão do voto nas urnas em outubro desse ano, da população em renovar não só o executivo mas o legislativo também. E que essa mudança vai começar a ser implantada em nosso estado. Eu tenho coragem, determinação, honestidade, competência, e não tenho medo de enfrentar qualquer um que esteja se colocando na disputa.

RN – Como tem conseguido conciliar o mandato de vereadora com essa condição de pré-candidata?

CLTrabalhando bastante. Durmo tarde da noite, sempre lendo, estudando materiais. Porque o papel de um vereador não é só legislar. Tivemos uma atuação e foram mais de 40 ofícios, 14 projetos de lei, 9 indicações, mais de 27 requerimentos. Fora visitas a órgãos. Então, nosso mandato está sendo muito ativo. E tem a parte de fiscalização, que é onde se faz silenciosamente. Muitos perguntam pela fiscalização e ela não se faz alarmando. E o maior tempo que eu tenho hoje é acompanhando as contas públicas do nosso município. E acredite, a gente vê muita coisa absurda. Mas tem que trabalhar e juntar provas até se manifestar. Porque se falar sem provar, é irresponsável e isso pode se reverter contra a gente. Estamos muito nesse trabalho local, mas também administrando a nível da pré-candidatura. Fazendo visitas, atendendo a convites. Esse mês de janeiro tem sido mais difícil porque as pessoas estão veraneando e estamos mais centrados na parte de planejamento, catalogando tudo que a gente já apanhou nos municípios que fomos, para ir colocando dentro da plataforma de governo que vai ser apresentado após a convenção e a confirmação da candidatura. Já estamos moldando o nosso plano de governo baseado no que estamos escutando. É preciso estudar, acompanhar e trabalhar tudo o que está acontecendo. E isso requer tempo, leitura e dedicação.

RN – O PSDC está presente em quantos municípios do RN?

CLEm 75 municípios. Temos 25 vereadores. Em Natal, Pau dos Ferros, Apodi, Assu e em vários municípios de porte médio e grande nós temos representantes do povo nas Câmaras Municipais.

RN – Para a chapa majoritária, já tem se conversado com outros partidos?

CL – Sim. O presidente, Dr. Joanilson de Paula Rêgo, pré-candidato ao Senado, um homem que vem se mostrando muito compromissado com todo esse projeto de mudança, tem costurado prováveis alianças. E a gente costuma dizer que isso é um projeto e não uma campanha. Por isso que eu falo dessa renovação a nível de legislativo. E por isso que o Dr. Joanilson se colocou à disposição para fazer parte. Ele tem se encarregado das conversas e deixado os cargos da suplência de senador e vice governador para as coligações que venham nos ajudar no tempo de TV.

RN – Conversando muito se está né?

CLSim. E já tem conversas bem avançadas. Com certeza na hora e momento oportuno vão ser firmadas as coligações.

RN – A senhora acredita que pode perdurar, digamos, candidaturas como a do prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves e do próprio Robinson Faria? Eles vão levar adiante isso?

CLDepende só da justiça. Se ela deixar, com certeza eles vão. A minha eu vou com ou sem o apoio. Estou pré-candidata e só depende de Deus, em primeiro lugar e do meu partido, se retirar.

RN – E a população, os eleitores, tem lhe incentivado?

CLSim. Nos momentos mais difíceis porque você tem hora que olha para o quadro e diz “meu Deus, aonde é que estou amarrando o meu burrinho!”. A população tem incentivado muito, tem sido muito importante. Enquanto outras pessoas querem denegrir, macular e, para você ter uma ideia, na última sessão de Grossos onde a gente vem fazendo um trabalho muito atuante e o povo tem abraçado muito, foi pago R$ 20,00 por pessoa, para vaiarem. Estávamos com 8 emendas para a parte do orçamento. A Câmara Municipal de Grossos assinou, em sua maioria, que eu não faço parte, assinou 3 cheques em branco para o executivo. Uma reserva de contingência de hum milhão e meio. Esse cheque em branco que não depende da Câmara. E lá foi pago R$ 20,00 por pessoa. Estou falando isso porque uma pessoa falou abertamente e disse a gente. Então, olhe em que estado estamos. Mas não é a maioria. Aonde passamos as pessoas querem que a gente continue firme. E o que eu peço é orações. Porque a gente precisa de muita proteção para esse pleito que não é fácil. Eu chego a ser até um pouco atrevida. No meio de tantos gigantes estou me propondo a uma coisa como essa. Mas eu tenho coragem. O resto depende do povo e de Deus.

RN – E qual a avaliação que a senhora faz da administração de Grossos?

CLEstá muito a desejar. Grossos recebe royalties nessa gestão, de reeleição, que nunca teve na nossa história. E aí eu convido vocês a visitarem o nosso município e verem. Teve mês de Grossos receber um milhão e meio de royalties. Uma cidade que você não dá nada mas é de um potencial enorme na questão do turismo, que eu acredito, vai ser um grande aliado na recuperação econômica do nosso estado. Porque potencial tem. Falta é investimento. E Grossos, infelizmente, está a desejar. A saúde é precária. Na questão de acessibilidade,na RN-012, eu pedi a recuperação, mas fizeram um tapa-buraco. Mas tem a Dehon Caenga, que liga Grossos a Tibau. A parte de segurança melhorou bastante, mas necessita que se traga de volta o delegado, que a gente conseguiu através de audiência pública. Conseguimos de volta viaturas que haviam sido retiradas. Mas o delegado não retornou mais. Existe a questão de salários atrasados. Na coleta de lixo a gente vê muita precariedade. Na área de educação as escolas municipais em decadência. E isso, nesse segundo ano, a gente vai começar a avaliar e acompanhar de perto.

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