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Armando Lúcio

Lá vem ela

Quando o tempo se preparava para chover, no meu tempo de criança, todos costumavam dizer: lá vem ela! Então era aquela alegria, com poças de água na rua, e as bicas escorrendo suas cascatas de águas frias, vindas do céu, como chamávamos.

Agora, lá vem ela, novamente, porém em vez da alegria, já agora observando como adulto, vem uma consciência de satisfação por que a chuva vem abastecer os reservatórios e barragens com a água, com a agricultura familiar que se alavanca pela força da água que produz vida. Com a chegada da chuva, ela traz consigo, no entanto, uma preocupação e inquietação que nós, humanóides, poderíamos evitar, que são os estragos que a chuva produz, não pelo fato dela “de per si” trazer calamidade alguma, mas os transtornos que nós, os habitantes das cidades, damos causa com nossas condutas imprevidentes, preguiçosas e até criminosas.

Ora, se o habitante da urbe amada edifica sua casa, nas proximidades do leito de um rio ou de um reservatório natural ou edificado pelo homem que, dado sua sazonalidade está baixo ou mesmo com o leito seco, sua imprevidência, unicamente ela, vai causar o transtorno. A chuva não tem nada a ver com isso, pelo contrário, ela é uma bênção dos céus para nós, os imprevidentes de plantão. Aquele que dá causa, agindo com imprevidência, vai colher os frutos de sua conduta: o transtorno.

Na mesma trilha, o habitante preguiçoso, que acha mais fácil jogar o lixo doméstico, ou da sua casa, em geral, aleatoriamente em depósitos inapropriados, em uma calçada sem nenhuma proteção, pode fazer com que animais destruam aqueles pacotes mal feitos e expostos por longo período, e com a chegada da chuva, escorra o lixo para bueiros e corredores pluviais, que ficam entupidos, provocando alagamentos diversos, porque o lixo, os detritos de árvores expostos de forma preguiçosa nas vias públicas obstruem o escoamento das águas das chuvas – e o asfalto não permite a infiltração no solo, os pisos de cimento e material impermeável bloqueiam que o solo receba a água da chuva.

Sem falar nos que arremessam detritos os mais variados, móveis velhos e imprestáveis, enfim todo entulho possível e imaginável em terrenos baldios – até veículos avariados -, que assim expostos são, igualmente, carregados pelas águas pluviais, esses, literalmente, verdadeiros criminosos, pois cometem crimes contra o meio ambiente, nem nenhuma consciência do mal que produzem à sociedade e que se volta contra os próprios infratores, pois eles vivem no mesmo ambiente que destroem criminosamente.

Lá vem ela, a chuva. Tenha consciência.

Armando Lúcio Ribeiro é Promotor de Justiça e Professor da UERN

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