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Eleições 2018: para onde caminhamos?

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Eleições 2018: para onde caminhamos?

Por Ney Lopes de Souza

Desde 1960 como repórter, depois profissional liberal e político, sempre acompanhei as eleições e a de 2018 é a mais atípica de todas.

No RN, menos de quatro meses para a votação e ninguém sabe definitivamente quais serão os candidatos majoritários (governo e senado).

Todo dia sai uma chapa.

Os sinais são de “vale tudo”, em verdadeiro mercado persa de trocas eleitorais clandestinas.

Troca-se de posicionamento político, como quem troca de roupa, até entre familiares.

Os “proprietários de partidos” negociam nas alcovas com os dois lados ao mesmo tempo, jogam a moeda “pra cima” e esperam o “cara ou coroa”.

Nada de propostas, princípios, coerência, ou credenciais de serviços já prestados na vida pública.

Prevalecem a vantagem, esperteza e oportunismo.

Nunca na história política brasileira, uma eleição será realizada com tantos casuísmos, privilégios e benesses.

Tudo começou com a imoral legislação eleitoral, aprovada por deputados e senadores, em benefício próprio.

O cenário montado no Congresso assemelha-se a letra de Zeca Baleiro:

Um barco sem porto; Sem rumo, sem vela”.

Afinal, para onde caminhamos?

Um autor desconhecido responde: “um destino, um lugar, um caminho, uma ilusão, um olhar, uma visão, uma esperança”.

Senão vejamos.

O Orçamento da União reservou R$ 888,7 milhões para o Fundo Partidário e outros R$ 1,7 bilhão para o Fundo Eleitoral.

Essa “montanha de dinheiro” é distribuída, sem critérios, aos candidatos “preferidos” dos “donos de partido”.

Hoje no Brasil, quem não for “proprietário de uma legenda” está fora do processo eleitoral e impedido de candidatar-se, salvo se aceitar indignidades e incoerências.

Por essa razão, o autor do artigo deixa de ser candidato ao Senado, como forma de continuidade de um trabalho legislativo desenvolvido em seis legislaturas passadas.

Para exemplificar, em 2014 os valores declarados nas campanhas de deputados federais foram cerca de R$ 688,6 milhões.

Para 2018, a “nova lei eleitoral”, que criou o “Fundão” com dinheiro público, o custo da campanha de deputados federais chega até R$2,5 milhões, para cada candidato.

Ou seja, um total de quase R$ 1,3 bilhão, o que significa dizer que os gastos cresceram cinco vezes, entre 2006 e 2018.

Serão 1.024 deputados estaduais em outubro, a custo de até R$1 milhão cada.

Só os eleitos custarão mais de R$1 bilhão.

Além dessas cifras continua a “chuva torrencial de dinheiro”, através das dádivas da União e governos estaduais (incluem-se os poderes constituídos), em véspera de eleição.

Dos bilhões dos fundos eleitoral e partidário disponíveis para os partidos, mais de um terço ficarão nas mãos de MDB, PT e PSDB.

A aplicação do Fundo partidário sempre foi (e continuará sendo) uma das maiores fontes de corrupção.

A fiscalização é mí­nima, praticamente homologação simbólica das prestações de contas pelo TCU.

Em consequência esses e outros recursos arrecadados pelo poder público são aplicados, em viagens, jatinho, recepções, bebida alcoólica, churrascos e até contas pessoais de dirigentes, formando verdadeiras “caixas- pretas”.

Tudo acontece, com o país convulsionado por greves sem precedentes, como a dos caminhoneiros; níveis recordes de impopularidade do Presidente, inclusive investigado pela PF; reformas engavetadas; dólar em disparada.

O partido que cresce, segundo as pesquisas, é o dos descontentes.

O eleitor dá sinais preocupantes de desistir da democracia e acena para candidatos populistas, de índole totalitária, apresentados como “salvadores da Pátria”.

Desilusão é o sentimento coletivo preponderante.

A metade dos jovens brasileiros (25 milhões) está com o futuro seriamente comprometido diz um Relatório do Banco Mundial – 2018.

A propósito desse fenômeno dos descontentes, o aumento das “abstenções” e “votos brancos e nulos” tem perseguido as democracias globais.

Trump foi eleito nos Estados Unidos com 48% e Macron na França com 51% de abstenção.

A negação do voto está sendo uma das características da sociedade ocidental, no século XXI.

A verdade é que olhar as contradições e desafios do Brasil e do mundo de hoje lembra o “Navio Negreiros” de Castro Alves”:

“Donde vem? onde vai? Das naus errantes; Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?”

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Empresário da comunicação há mais de três décadas, presidente do sistema Rede News 360 de Comunicação.

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