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O que faltou ao Brasil na Copa

Ney Lopes

O que faltou ao Brasil na Copa

Por Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal.

Difícil responder as razões da nossa desclassificação na Copa, salvo meros palpites.

Um fato explicado por Luís Fernando Veríssimo é incontestável:

“Crepúsculo dos Deuses” seria um título adequadamente wagneriano para essa Copa. Divindades caíram dos seus pedestais.

Em principio, total injustiça atribuir o insucesso a incompetência de Tite e dos jogadores.

Os números mostram que a seleção dominou o jogo.

Perdeu no mínimo 10 gols, acertou bola na trave e teve um pênalti claro e incontroverso não marcado pelo juiz.

Chutou 26 vezes contra o gol belga, contra 8 vezes dos adversários.

O goleiro Courtois operou milagres em 9 defesas, enquanto Alyson recebeu três chutes (dois dos quais transformados em gol, sem culpa dele).

No placar final, dois gols do Brasil (um contra), contra um efetivamente marcado pela Bélgica.

Afinal, o que faltou ao Brasil?

Arrisco o palpite de que faltou basicamente sorte.

A propósito, lembro que Napoleão alinhava três fatores para ganhar a guerra: bons soldados, armamento eficiente e “sorte”.

Na formação do seu exército, o general francês considerava quatro tipos de soldados.

Aos inteligentes com iniciativa (1), Napoleão dava as funções de comandantes gerais, estrategistas.

Os inteligentes sem iniciativa (2) ficavam como oficiais que recebiam ordens superiores e as cumpriam com diligência.

Os ignorantes sem iniciativa (3) eram colocados à frente da batalha – buchas de canhão, como dizemos.

Os ignorantes (4) com iniciativa, Napoleão odiava e não queria em seus exércitos.

Seria mera coincidência, a semelhança desses conceitos napoleônicos com o futebol?

Atribuir o sucesso a sorte gera muita polêmica.

Por isso cabem algumas colocações.

Claro que é necessário fazer com eficiência o dever de casa.

Mas, isso não basta.

Sorte e sucesso estão (até infelizmente) associados. Sorte é a oportunidade surgida, que independe da competência.

Sucesso é fruto do talento e do trabalho árduo.

Muitas vezes, a oportunidade aleatória vence o talento e o trabalho, sendo também verdadeira a hipótese contrária.

Logo, o sucesso nem sempre depende da competência e da garra.

O importante será lutar, começar de novo, fazer escolhas profissionais acertadas, com base em vocação, preservar valores humanos e acreditar sempre.

Na resposta ao título do artigo terão que ser levados em conta outros fatores.

Foram-se os tempos de 1958, quando conseguimos o primeiro campeonato mundial. Aquela época o futebol não era um jogo financeiro, político e mafioso, como atualmente.

Lembro que Newton Santos, o grande zagueiro na conquista da Suécia, declarou que todos os jogadores levavam as chuteiras e roupas nas mãos, passageiros de um trem, que no dia do jogo ligava o subúrbio de Estocolmo, onde estavam hospedados, ao estádio oficial.

O futebol globalizou-se, o que acentua a supremacia de quem disponha de melhor infraestrutura.

Os campeonatos europeus, por exemplo, da Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália, auferem grandes lucros com os direitos de TV comercializados por quantias elevadas, recursos que são aplicados na melhoria das suas equipes.

Ao contrário, os jogadores sul-americanos são precocemente vendidos para o exterior, cada vez mais jovens.

Essa realidade enfraquece os clubes e agrava a desvantagem com a Europa, que aumentou muito nos últimos anos.

Em relação à seleção brasileira não falta talento.

Porém falta humildade, na maioria. Eles são deslocados muitas vezes da condição de pobreza para uma vida de sultão.

Poucos preservam a simplicidade.

O sucesso sobe rápido para cabeça, a ponto de conduzir a estilização do cabelo de Neymar, que levou para Rússia um cabeleireiro particular, passageiro do seu próprio jatinho.

Os jogadores saem imaturos de seus clubes e são levados para países desenvolvidos, ganhando milhões, distanciados da realidade brasileira.

No balanço geral, entre a falta de sorte nas finalizações do jogo com a Bélgica e os outros fatores analisados, cabe lembrar Elias Figueroa, um renomado jogador internacional: “Vitórias não se merecem; se conquistam”.

O Brasil mereceu vencer, mas quem conquistou a vitória foi a Bélgica.

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