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Aos amigos e conterrâneos felipenses

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Aos amigos e conterrâneos felipenses

Vários amigos e conterrâneos têm me abordado e me questionado sobre meu silêncio em relação as questões políticas e administrativas da minha terra natal, Felipe Guerra-RN. De fato há considerável tempo eu não opinava publicamente sobre tais questões e essa minha posição tem inquietado muitos dos que recordam que, por árduos 15 anos da minha vida, participei ativamente das discussões e das decisões que até recentemente nortearam ou que pelo menos tentaram nortear o caminho a ser trilhado pelo nosso povo.

Quem acompanhou minha trajetória em Felipe Guerra, seja como formador de opinião ou como militante político, sabe que um dos direitos do qual jamais abri mão é a minha liberdade de expressão: sempre externei as opiniões que desejei em relação as questões políticas e administrativas de Felipe Guerra; quando quis denunciar determinadas situações denunciei sem temer as consequências; em relação ao exercício da cidadania através voto sempre exerci com responsabilidade, sem me deixar levar por paixão partidária, votando abertamente em quem eu quis votar, quando achei que naquele momento em que eu estava de frente para a urna eletrônica tais candidatos mereciam minha confiança, enfim, sempre fui e continuarei sendo um autêntico cidadão felipense.

Atualmente resido em Mossoró-RN, onde trabalho e estudo – me preparo para iniciar uma faculdade de Direito – de forma que praticamente não sobra tempo para que eu me mantenha envolvido com as questões políticas e administrativas da nossa amada Felipe Guerra. Mas, se querem tanto saber o que ando pensando ultimamente sobre tais questões, aqui vai uma opinião franca:

Penso que vivemos o tempo da desilusão, especialmente para nós que por longo período acreditamos que seríamos capazes de transformar a realidade política e econômica de Felipe Guerra através de uma simples alternância de poder.

Está claro que estávamos redondamente enganados. Após 6 anos de um novo governo – e diga-se de passagem de muito trabalho – a Felipe Guerra de hoje pouco se distingue da Felipe Guerra de duas décadas atrás, quando nos referimos a sua realidade econômica e ao comportamento do seu povo em relação a política.

Nossa desilusão é notória. Perdemos até a motivação para apresentarmos ideias, elaborarmos projetos, planejarmos o tão sonhado futuro próspero, enfim, passamos a viver um dia a dia sem perspectivas em relação ao amanhã.

Revitalização da agricultura, instalação de indústrias, alavancagem do turismo, geração de emprego e etc., tudo se resumiu a utopias jogadas ao vento para um povo sonhador. Mas é fato que as potencialidades naturais do município existem e seguem inexploradas.

Tivemos oportunidade de avançarmos? Sim! E aqui não me refiro a grupo político A ou B, que tenha passado ou que esteja no poder, mas sim aos Poderes constituídos do município, ao seu povo e ao tempo que compreende da Emancipação Política até os dias atuais.

É fato que em alguns períodos a máquina pública do município dispôs de excelentes condições financeiras, assim como em outros passou por crises, como a que passa atualmente. Entretanto, o atraso do município de Felipe Guerra não se explica de outra forma, se não apontando a corrupção que motivou a “Operação Ave de Rapina”, a ineficiência das políticas públicas voltadas para a alavancagem do desenvolvimento, bem como os muitos equívocos dos Poderes e do povo na hora de elegerem as prioridades.

Já votei pela mudança em 2004, pela continuidade do governo municipal anterior em 2008 – quando me recusei a votar em um candidato o qual considerei forasteiro -, votei pela alternância do poder em 2012 e pela manutenção do atual governo em 2016, do qual sou correligionário, mas um fato eu não nego: nunca concordei com a forma como sempre foram discutidas e estabelecidas as prioridades da administração pública municipal, por perceber grandes equívocos, os quais deixam o município altamente vulnerável às adversidades, especialmente aos períodos de escassez de recursos.

Sempre acreditei que, seja em tempo de bonança ou de dificuldades financeiras, uma vez garantido o bom funcionamento dos serviços essenciais nas áreas Saúde e Educação, as prioridades devem ser qualificação de mão de obra e geração se emprego, primeiro através da retomada da produção agrícola, segundo através da instalação de pequenas indústrias e terceiro através da exploração de nossas potencialidades ecoturísticas. A mim não convém termos ruas e estradas vicinais calçadas – ainda que com paralelepípedos de ouro -, lindas praças e demais espaços para o lazer, se nossas famílias do campo não têm condições para criar, para produzir, se maioria dos pais e mães de família do município não têm o prazer de verem seus filhos se qualificando para o mercado de trabalho e tendo acesso ao primeiro emprego, pois o verdadeiro desenvolvimento, em especial o desenvolvimento econômico, passa pela independência financeira dos munícipes.

Com esse pensamento, por árduos 15 anos lutei em Felipe Guerra, isso quando eu ainda acreditava que uma andorinha só poderia fazer verão.

Em determinado momento, para que a voz dos que pensam igual a mim tivesse mais força e para que assim pudéssemos contribuir de forma mais significativa com o processo de transformação política e social, busquei um mandato na Câmara Municipal, o qual me foi negado pelo povo. Ainda assim, por longo período me mantive na luta, batendo de frente contra interesses escusos de muitos e sendo desgastado, através de duras investidas contra minha integridade moral.

Agora, que optei pelo silêncio, tudo que peço aos amigos e conterrâneos é respeito em relação a essa minha posição. Sei que levianamente alguns insinuam que me vendi e que estou “comendo quieto”. Em hipótese alguma! Se quando eu vivia desempregado em Felipe Guerra, sem nenhuma perspectiva de realização pessoal, eu não baixei minha cabeça, tampouco cheguei ao ponto de trocar meus ideias por um “cala boca”, não seria agora, quando, graças a Deus, vivo o melhor momento da minha vida, que eu faria isso.

Tive sim oportunidade de ocupar um espaço na atual gestão municipal de Felipe Guerra, numa área com a qual me identifico, que é a comunicação social. Entretanto, fui homem o suficiente para recusar um espaço através do qual eu não conseguiria contribuir de forma significativa em relação aos reais anseios do povo felipense. Minha atuação se resumiria a defender um governo municipal e seus interesses, fossem eles quais fossem. E eu não tenho perfil para isso.

Concluo transmitindo uma mensagem aos amigos e conterrâneos, especialmente àqueles que dependem totalmente da Prefeitura Municipal de Felipe Guerra: Estejam preparados para viverem dias mais difíceis do que os que já vivemos nos piores momentos da história de “Pedra de Abelha”, pois, se eu não estiver enganado, as próximas duas ou três décadas não nos reservam o tão sonhado desenvolvimento. Que Deus abençoe a todos!

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Profissional de mídias eletrônicas, do rádio e da comunicação impressa desde 2005.

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