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Brasileiros: exemplo de massa alienada e motivo de piada para o resto do mundo

Pinga Fogo

Brasileiros: exemplo de massa alienada e motivo de piada para o resto do mundo

Qualquer indivíduo que tenha meia dúzia de neurônios e um vestígio de senso crítico, ao fazer uma breve reflexão sobre o atual contexto social e político do nosso País percebe que estamos escrevendo novas páginas infelizes em nossa história. É como se não tivesse nos bastado a Colonização, o massacre aos povos indígenas, os navios negreiros que vieram abarrotados de africanos escravizados, o saqueamento das nossas riquezas naturais pelo Império de Portugal, o massacre ao Quilombo dos Palmares, o enforcamento de Tiradentes, o “Estado Novo” de Getúlio Vargas, às três décadas de repressão do Regime Militar e o recente ‘Petrolão.

O povo que no passado se uniu pela Independência do Brasil, pela libertação dos escravos, pela redemocratização, pelas Diretas Já, pela nossa vigente Constituição Cidadã, de repente virou massa de manobra, se dividiu entre dois extremos e trava uma guerra insana, que ocupa as ruas e as redes sociais, num contexto onde não se faz qualquer reflexão sobre onde esta irá nos levar.

Como sempre foi na história da humanidade, a nossa guerra é pelo poder. O problema não é só na forma como se tem buscado — utilizando-se de práticas radicais, desleais, ilegais e/ou antidemocráticos —, mas para quem e para que se busca o poder de tal forma.

Qual é mesmo o nosso propósito, povo brasileiro? Queremos de volta a Monarquia? Ou seria o Regime Militar? Só por pirraça com o atual presidente e com os militares, estamos rumando para uma ditadura comunista estilo Venezuela do Chavismo? Ou estaríamos buscando implantarmos uma ditadura marxista do proletariado? Seria melhor um parlamentarismo comandado pela quadrilha denominada ‘Centrão’? Presidencialismo não vale como resposta, pois, esse sistema é o atual e não estamos zelando nem um pouco dele. A cada quatro anos, vamos às urnas, a maioria elege um dos candidatos à Presidência da República, mas, a minoria, derrotada, inconformada, passa os quatro anos seguintes tentando, de todas as formas, boicotar o governo. Foi assim após as eleições de 2014 e continua sendo assim após as eleições de 2018.

Francamente! A impressão que tenho é a de que quanto Nação fomos arremessados, sabe-se lá por quem, num abismo de alienação. Em se tratando de civilidade, nossos ancestrais foram superiores a nós, pois, não tiveram o acesso às tecnologias e informações que temos, entretanto, o que dizermos do legado de conhecimento e de ensinamentos deixados por nomes como Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Nicolau Maquiavel, Jean Bodin, Thomas Hobbes, John Locke, Montesquieu, Rousseau, Hegel e tantas outras referências?

Hoje em dia, encontre em qualquer lugar um desses “cientistas políticos” formados na ‘Faculdade Internacional do Achismo’ e pergunte-o quem foi uma das referências do pensamento político ocidental, citadas acima, para o ver mudar de assunto ou vergonhosamente confessar que não faz a menor ideia. Em seguida pergunte-o quem ele tem como boa referência que certamente ele responderá que é Lula ou o Bolsonaro. Na melhor das hipóteses responderá que é o Paulo Freire ou o Olavo de Carvalho.

Quando revisitamos a história das civilizações clássicas que compõem a Antiguidade Ocidental, mais precisamente o Conflito das Ordens, nos deparamos com os plebeus lutando com os patrícios por igualdade política. Logo veremos que naquela época os plebeus conseguiram resultados mais interessantes do que conseguiram, por aqui, movimentos como a CUT, o MST e o MTST, ao longo de todo o governo passado, no qual dizem tais movimentos terem tido grande espaço.

Ainda revisitando a história das civilizações clássicas ocidentais, na Grécia Antiga encontramos um povo influenciado por Sócrates, Platão e Aristóteles. Por aqui, na atualidade, o que temos é um povo dividido entre um (Lula) e um Bolsonaro da vida, com uma grande parcela gritando nas ruas, que determinado político corrupto deve ser posto em liberdade e que determinado juiz, que condenou dezenas de políticos e empresários corruptos, é quem deveria apodrecer na cadeia. Isso é normal? Isso nos revela evolução ou alienação?

É de se lamentar profundamente o nosso comportamento atual quanto sociedade. Tornamo-nos um povo medíocre, irresponsável e de valores absurdamente invertidos. É como se quiséssemos ver o ladrão prendendo o policial e o poste fazendo xixi no cachorro. E olha que a história registra que a Roma e a Grécia citadas acima formaram nossa base civilizatória. A partir de qual momento da nossa história a coisa desandou de tal maneira infeliz que resultou na massa alienada que somos hoje? O que nos distanciou tanto das Nações do Primeiro Mundo? É como se, desde o “descobrimento” — que, na verdade, foi uma invasão — tivéssemos nos aglutinando e nos multiplicando na terra dos índios para servirmos de chacota para o resto do mundo. Não faz muito tempo que, no nosso modelo formal de ensino, mentíamos sobre nossa própria história ocultando o que de fato aconteceu com os primários povos indígenas, que foram assaltados e escravizados por piratas europeus, os quais por séculos tratamos como grandes “heróis descobridores”. Imagino as gargalhadas que os europeus davam de nós. E não tenho dúvidas que ainda dão, pois, o que não falta são motivos.

Mas, a bem da verdade, depois de passados cinco séculos, embora o que restou dos povos indígenas infelizmente ainda seja perseguido, embora nós negros ainda recebamos olhares tortos de pessoas que não compreenderam que a escravidão atualmente é apenas uma página imperdoável da nossa história, considerando o acesso que temos as informações, podemos concluir que a cultura de ignorância atualmente é opcional e que temos optado por ela. Nossos heróis dizem tudo sobre nós. Enquanto o resto do Ocidente preserva os ensinamentos de Sócrates e de outros notáveis da Grécia Antiga, nós cultuamos a malandragem de um político corrupto como o (Lula), aplaudimos um Bolsonaro da vida fazendo sinal de arminha e o chamamos de “mito” ao mesmo tempo, em que gritamos o nome de um ex-juiz egocêntrico para presidente do Brasil num futuro próximo.

A conclusão é que nossa alienação é gritante. E a impressão que se tem é que continua crescendo. E essa será a nossa realidade trágica enquanto tivermos como líderes os (Lulas) e os Bolsonaros da vida; como fontes de informação veículos como a Globo, a Folha de S. Paulo, a Revista Fórum, o Brasil 247, a Veja e os “cientistas políticos” formados na ‘Faculdade Internacional do Achismo’; enquanto tivermos como educadores professores que, sem um pingo de bom senso, no ambiente escolar, se referem ao atual chefe da Nação como “o coiso” e defendem que nosso herói é o ex-presidente corrupto que se encontra preso. Se realmente temos heróis em nossa história, estes fora Ganga Zumba, Zumbi dos Palmares e Tiradentes.

É triste ver que poderíamos conviver harmoniosamente com as diversidades socias, sem racismo, sem homofobia, em estado laico, sem guerra ideológica no campo político, com um objetivo em comum traçado, que seria combater à corrupção e prosperar quanto Nação, mas preferimos ser gado, idólatras de políticos corruptos, audiência para péssimos veículos de comunicação social, exemplo de massa alienada e motivo de piada para o resto do mundo.

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Profissional de mídias eletrônicas, do rádio e da comunicação impressa desde 2005.

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