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A quem interessar possa: como tenho visto o cenário político de Felipe Guerra

Pinga Fogo

A quem interessar possa: como tenho visto o cenário político de Felipe Guerra

Vivi intensamente os últimos 15 anos da política de Felipe Guerra. Mas apesar de já ter agido por emoção, quando fiz oposição ferrenha aos hoje ex-prefeitos Hulgo Costa e Braz Costa, posso dizer que fui um dos primeiros do meu tempo a romper com o partidarismo, com a política das cores, com o jogo dos bicudos vs bacuraus. Prova disso é que em 2004 votei em Chicão (antiga oposição), em 2008 em Braz Costa (antiga situação), em 2012 e em 2016 no atual prefeito Haroldo Ferreira (antiga oposição/hoje situação). Ou seja, desde o meu primeiro voto para prefeito de Felipe Guerra escolhi nomes e projetos nos quais acreditei independentemente de cor, de partido ou de lado.

Estou na seara da comunicação desde 2005, tendo passado a escrever sobre a política felipense em 2009. Modéstia à parte, no decorrer das últimas eleições municipais tive a felicidade de fazer muitas análises acertadas acerca de cenários que posteriormente se definiram conforme defendi que se definiriam. Entretanto, residindo fora há mais de 3 anos, optei por um longo período de silêncio que hoje é interrompido por essas linhas que escrevo.

Considerando que no próximo ano teremos uma nova eleição municipal, e que as articulações já estão a todo vapor nos bastidores, venho a este espaço expor um pouco do que tenho pensado acerca da política felipense.

Antes, preciso fazer um registro: Sobre a oposição ferrenha que em outrora fiz aos hoje ex-prefeitos Hulgo Costa e Braz Costa, devo admitir que, devido a minha imaturidade da época, me permiti ser usado e cometi graves excessos contra o então prefeito Braz Costa. Errei. Ele não merecia tanto, por isso hoje peço desculpas públicas. Com isso não estou flertando com a oposição liderada pelos ex-prefeitos citados, mas apenas usando a maturidade adquirida para reconhecer e tentar corrigir um erro cometido no passado. É o único objetivo quanto a isso.

Passando agora a expor o que penso sobre o atual cenário político felipense, após ter recorrido a meios os quais considero eficientes para os levantamentos que tenho feito ao longo de anos, a primeira coisa que percebo e registro aqui é: já não há mais favorito entre os nomes postos em discussão. A política de Felipe Guerra tem pelo menos 10 nomes capazes de alterar o atual cenário a qualquer momento em que se movimentarem nele. São eles: Haroldo Ferreira (atual prefeito), Salomão Gomes (atual vice-prefeito), Hulgo Costa (ex-prefeito), Ronaldo Pascoal (atual presidente da Câmara), Ubiracy Pascoal (vereador); Jânio Barra (vereador); Braz Costa (ex-prefeito); Genilson Nogueira (vereador); Luiz Agnaldo (secretário municipal) e Chicão (vereador). Evidentemente esses nomes não pesam iguais, mas creio que nem preciso detalhar os motivos pelos quais os destaquei em meio aos demais.

A depender de como cada um desses nomes venham definir posições no cenário político felipense, podemos ter um pleito “definido” antes do sufrágio ou disputado voto a voto.

Os 3 principais nomes em discussão são: Salomão Gomes — apontado desde 2016 como o nome que será definido pelo grupo governista para tentar a sucessão do prefeito Haroldo Ferreira e que já gozou de favoritismo —, Victor Costa — médico, ex-candidato pela oposição, derrotado na eleição municipal passada e filho do ex-prefeito Hulgo Costa — e Ubiracy Pascoal — vereador de 6 mandatos que hoje desfalca o grupo governista e ao que tudo indica une a tradicional família Pascoal em torno do seu nome.

Em um eventual cenário o qual considero utópico, Ubiracy Pascoal poderia passar a posição de favorito (indicando um pleito “definido” antes do sufrágio) se conseguisse façanhas como: ser aceito como o nome da atual oposição liderada pelos ex-prefeitos Hulgo Costa e Braz Costa; levar com ele a tradicional família Pascoal — que, na verdade, atualmente é liderada pelo vereador Ronaldo Pascoal; e ampliar o desfalque no grupo governista, levando também outras lideranças históricas, como, por exemplo, o ex-vereador e atual secretário municipal Luiz Agnaldo — tudo isso sem reação exitosa alguma de Haroldo Ferreira e Salomão Gomes.

Entretanto, além do cenário especulado acima ser bastante utópico, devemos considerar que, se isso acontecesse certamente o prefeito Haroldo Ferreira, juntamente com o pré-candidato Salomão Gomes teriam as condições de fazerem a compensação trazendo da oposição, nomes de peso como Jânio Barra — que representa a tradicional família Barra — e Genilson Nogueira — que divide com Luiz Agnaldo o maior reduto eleitoral rural do município, à comunidade de Arapuá.

Outro cenário, menos utópico, porém, difícil de acontecer, o qual também indicaria um pleito “definido” antes do sufrágio, seria o seguinte: Ubiracy Pascoal retirar sua pré-candidatura e compor como candidato a vice-prefeito a chapa governista encabeçada por Salomão Gomes, evitando assim perdas significativas para o grupo situacionista. A meu ver, esse cenário representaria um xeque-mate na oposição que atualmente flerta com Ubiracy Pascoal e se articula com Victor Costa.

Entretanto, como os dois cenários acima são meras especulações, o que temos de fato no momento são três pré-candidaturas fortes postas e, diferente do que pregam as lideranças dos dois tradicionais grupos que historicamente polarizaram as disputas eleitorais em Felipe Guerra, há sim ambiente para lá de propício para a concretização de três chapas fortes, as quais avancem rumo ao dia do sufrágio sem que haja favorito. E considerando o que é notório, quando de forma inédita o povo felipense está realmente simpático para com a ideia de se ter mais de duas opções na disputa, diferente do que aconteceu em pleitos anteriores, quando Ubiracy se viu forçado pela conjuntura a recuar com seu desejo de disputar a prefeitura, desta feita o cenário o faz forte concorrente e o motiva a seguir em frente com sua pré-candidatura. Situação que deve preocupar o grupo governista, uma vez que esse é quem mais perde caso a polarização seja rompida com mais de duas candidaturas majoritárias.

É bem verdade que resta-nos sabermos até onde essa inclinação atípica do povo felipense se sustentará. O jogo apenas começou a ser jogado e, independentemente de quem esteve e de quem está à frente, o sistema sempre se mostrou mais articulado do que o povo em Felipe Guerra.

No outro extremo, silenciosa, a oposição liderada pelos ex-prefeitos Hulgo e Braz tem motivos de sobra para se animar com o cenário atual, o qual lhe favorece, pois, esta tem como principal característica a união e desde outrora já tem um nome construído: Victor Costa, o qual já não deve ser subestimado como foi em 2016.

Com esta análise, não quero subestimar a liderança do prefeito Haroldo Ferreira, que de 2012 para cá tem obtido façanhas até então inimagináveis na política felipense. Mas se faz necessário que seus conselheiros o alertem de que o tempo está a cada dia mais curto para que ele encontre soluções para situações que se agravaram dentro do grupo o qual ele tem liderado com pulso firme.

Sobre Ubiracy Pascoal, nome que ora aparece como um divisor de águas na política local, a pressão certamente também é grande, afinal sua empreitada indica dois possíveis resultados: ele lograr êxito no seu objetivo de ser prefeito tendo agido com independência em relação aos grupos tradicionais, ou ele ficar conhecido perante os felipenses como aquele que foi às últimas consequências em um determinado pleito eleitoral e provocou a volta de Hulgo Costa ao poder, seja direta ou indiretamente.

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Profissional de mídias eletrônicas, do rádio e da comunicação impressa desde 2005.

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