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Eleição de 1982: ‘Titico’ e Raimundo usam ‘Badinho’, “atropelam” Joel e avançam com a era Costa-Pascoal em Felipe Guerra

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Eleição de 1982: ‘Titico’ e Raimundo usam ‘Badinho’, “atropelam” Joel e avançam com a era Costa-Pascoal em Felipe Guerra

A ambição pelo poder em Felipe Guerra-RN tornou-se notória a partir das articulações visando à sucessão do então prefeito Francisco Chagas da Silva, o ‘Titico de Adelino’ (in memoriam), em 1981. O desfecho daquele momento político traçaria o rumo de atraso que Felipe Guerra tomou, quando as famílias Costa e Pascoal se apossaram do município como um bem privado e passaram a se revezar no poder, que virou um verdadeiro negócio de família.

Naquele momento, o então prefeito Titico de Adelino’ vivenciava um dilema para escolher seu sucessor, pois, tinha 3 (três) nomes disputando sua preferência e precisaria ser habilidoso. Eram eles: o então vice-prefeito Raimundo Luciano da Costa Pascoal (in memoriam); o agropecuarista José da Silva, o ‘Badinho’; e o então vereador Joel Canela de Oliveira (in memoriam).

É bem verdade que ‘Titico’ tinha preferência por Joel Canela, pois, recomnhecia que este havia ajudado de forma muito significativa na parte financeira da sua campanha, em 1976. Mas, se ter ajudado financeiramente em outrora era pré-requisito, ‘Badinho’ se via em situação de igualdade em relação a Joel e perante a ‘Titico, pois, também havia feito o mesmo. Entretanto, Raimundo Pascoal, que havia entrado na política felipense sendo eleito vereador na eleição de 1972, tendo assumido a vice-presidência da Câmara Municipal após o assassinato do então vereador Domilson Crisóstomo da Silva, o ‘Didato’, em 1975, e que estava vice-prefeito, pois, havia sido eleito para o cargo na eleição de 1976, sentia-se o candidato natural do grupo governista, até porque o então prefeito ‘Titico’ enfrentava sérios problemas de saúde por conta do alcoolismo e estava praticamente impossibilitado de administrar o município, de forma que Raimundo já era o prefeito de fato e tomava as decisões. No contexto, Raimundo Pascoal se autodeclarou candidato e o prefeito ‘Titico’ silenciou.

Uma vez Raimundo Pascoal autodeclarado candidato governista à sucessão do então prefeito ‘Titico de Adelino’, o então vereador Joel Canela de Oliveira tomou a decisão de romper com o grupo e disputar a prefeitura pela oposição, convidando para ser candidata à vice-prefeita na sua chapa a então vereadora Maria Benedita do Rosário, a ‘Bibia’ (in memoriam), que tinha total apoio da família Gurgel e de pronto aceitou.

Diante da oposição fortalecida para o pleito que se aproximava o então prefeito ‘Titico’, juntamente com outras lideranças do grupo governista, objetivando solucionar o grave impasse existente no grupo e que já havia resultado no rompimento de Joel Canela, decidem convocar uma reunião de emergência a qual aconteceria na Fazenda Mororó, de propriedade do então deputado Vingt Rosado (in memoriam), com quem o grupo governista felipense se aconselhava.

Na reunião, não havendo mais expectativa de recuo de Joel Canela, restava para o grupo traçar a estratégia que garantiria sua permanência no poder. Foi quando o então prefeito ‘Titico’, bem como o então vereador Júlio Cavalcante (in memoriam) se manifestaram favoravelmente a manutenção da pré-candidatura de Raimundo Pascoal a prefeito. Entretanto, o deputado Vingt Rosado, por sua vez, se posicionou em defesa do nome de ‘Badinho’, pois, para o parlamentar estadual, ‘Badinho’ era o único que gozava de condições financeiras para bancar a campanha a qual se presumia que não seria nada fácil.

Ao final da reunião, Vingt Rosado e ‘Badinho’ foram vencidos e ficou decidido que a chapa seria Raimundo Pascoal para prefeito, com o jovem líder político Luzimar Morais (in memoriam), que também estava presente na reunião, para vice-prefeito. Entretanto, a situação não se definiu ali, de fato. Cerca de 15 dias após a referida reunião, o então prefeito ‘Titico’ percebeu que Raimundo e Luzimar não reuniam condições financeiras para bancar a campanha e que por isso havia sério risco de derrota. Daí se fez necessária à convocação de uma nova reunião, que desta feita aconteceria na residência do vereador Júlio Cavalcante, no bairro Cidade Baixa, onde o objetivo do grupo governista seria convencer ‘Badinho’ a ser vice de Raimundo e, claro, bancar a campanha, afinal já dizia um velho ditato popular que “quem encontra besta, não compra cavalo”. ‘Badinho’ aceitou e foi o que aconteceu, bancou com recursos próprios uma campanha da qual não tiraria nenhum proveito para o seu legado, que por sinal até hoje é omitido no município.

Naquele momento se fez traçado o rumo que resultaria em quase 40 anos de Costa e Pascoal no poder. Mas, analisando o perfil dos três personagens que disputaram a preferência do então prefeito ‘Titico’, ou seja, os perfis de Raimundo, ‘Badinho’ e Joel, percebe-se que o desfecho poderia ter sido outro, pois, Raimundo ainda estava longe de se consolidar o líder político que foi em seu tempo e, em se tratando de condições financeiras, era apenas um pequeno comerciante, enquanto ‘Badinho’ e Joel ostentavam a fama de maiores agropecuaristas do município, à época. Em outras palavras, eram os homens do dinheiro em Felipe Guerra, de forma que uma união de ‘Badinho’ e Joel certamente teria freado a ambição das famílias Costa e Pascoal pelo poder, que a partir dali se revelava. Resta-nos sabermos se faltou em ‘Badinho e Joel humildade, sapiência, ou se faltaram as duas características.

(Obs.: Naquele pleito surgiu a primeira terceira via da história política de Felipe Guerra, a qual foi formada pelos jovens Cristóvão Barra e Tibúrcio Valeriano, que saíram candidatos a prefeito e a vice-prefeito, respectivamente, pelo então PMDB. Entretanto, a campanha se deu polarizada entre Raimundo Pascoal e Joel Canela.)

Ao final do embate eleitoral, que se deu no ano seguinte (1982), Raimundo Pascoal sai vitorioso. ‘Badinho’, seu vice-prefeito eleito, nem tanto. Excluído das tomadas de decisões do governo municipal, rompeu pouco tempo depois e passou a fazer uma oposição ferrenha, mas, sem rumo e sem sucesso. Joel Canela, que saiu derrotado do pleito de 1982 e ficou sem mandato, também seguiu na oposição e tentou viabilizar seu nome para a eleição municipal seguinte. ‘Titico de Adelino’ faleceu dois anos depois (1984), mas a história da família Costa no poder ainda iria muito além.

Aguarde a próxima postagem.

Créditos: Os registros históricos acima são do livro “Fatos & Retratos”, do pesquisador, historiador e poeta felipense Geraldo Fernandes.

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Profissional de mídias eletrônicas, do rádio e da comunicação impressa desde 2005.

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