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O revezamento de Raimundo Pascoal e Hulgo Costa no poder em Felipe Guerra

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O revezamento de Raimundo Pascoal e Hulgo Costa no poder em Felipe Guerra

Passada a eleição municipal de 1988, Raimundo Luciano da Costa Pascoal (in memoriam) tem cumprido o acordo feito com o já falecido ex-prefeito Francisco Chagas da Silva, o ‘Titico de Adelino’, elegendo Hulgo Costa da Silva, filho de ‘Titico’, que mais tarde tomaria posse como prefeito de Felipe Guerra e iniciava-se assim o revezamento de Raimundo Pascoal e Hulgo Costa no poder.

Naquele momento da nossa história política, famílias como Barra e Gurgel, por exemplo, que haviam comandado o município em outrora, se quer tinham representantes na Câmara Municipal. ‘Titico de Adelino’ e Raimundo Pascoal haviam retirado tais famílias do jogo para assim abrirem caminho para um amplo e duradouro projeto de poder.

Existia uma razão bem óbvia para tanta ambição. Em 13 de dezembro de 1987 havia sido descoberto o primeiro de muitos poços de petróleo que, uma vez explorados pela Petrobras, renderiam royalties que viriam potencializar de forma inédita a arrecadação do município. Desta forma, as famílias Costa e Pascoal compreenderam que o momento era oportuno para se “blindarem” ainda mais e aproveitarem a oportunidade para construírem seus impérios.

Aquele que parecia ser a “última trincheira”, o ex-vereador Joel Canela de Oliveira (in memoriam) havia sido novamente derrotado numa manobra injustificável de Luzimar Alves de Morais (in memoriam) e tudo havia se encaixado como as famílias Costa e Pascoal queriam.

Entretanto, o cotidiano do governismo não seria tão fácil como a princípio pareceu. Joel Canela de Oliveira tinha na Câmara Municipal uma voz jovem, eloquente, que passaria a representa-lo, defender seu legado e guiar a oposição por um longo período de resistência e luta.

Joel Canela de Oliveira Neto é o nome dele. Eleito vereador em 1988, aos 20 anos de idade, e que ao lado de colegas como Gilvan de Souza Oliveira — que também se elegeu vereador naquele pleito, por ironia do destino pela situação, logo passando a somar com Joel Neto e com a oposição — deixariam um legado de 16 anos de forte atuação política de oposição.

(Obs.: O ex-vereador Joel Canela de Oliveira não ficou muito tempo para ver o bom desempenho do seu neto como opositor. Partiu para o andar de cima em 13 de outubro de 1990, aos 71 anos, quando socorrido para a Casa de Saúde Dix-sept Rosado, em Mossoró-RN, vítima de um grave acidente sofrido na BR 405, numa ocasião em que se deslocava para esta cidade.)

Jovem e ambicioso, Hulgo Costa assume a prefeitura de Felipe Guerra em janeiro de 1989 para seu primeiro mandato, já sabendo a oposição forte com a qual teria que conviver. Sua gestão logo foi marcada por denúncias de enriquecimento ilícito, nepotismo e mau uso do dinheiro público. Joel Neto, Gilvan de Souza, Luzimar Morais, Onésimo de Oliveira Leite (in memoriam) e Carlos Alberto de Medeiros formavam a bancada de oposição que não dava sossego na Câmara Municipal.

A eleição seguinte aconteceria em 1992. Não havia possibilidade de reeleição e a opção mais conveniente para o então prefeito Hulgo Costa era lançar para sua sucessão o ex-prefeito Raimundo Pascoal, que havia lhe dado à oportunidade de estar prefeito. E assim fez, indicando seu tio Manoel Rufino da Costa como vice-prefeito. E assim as famílias Costa e Pascoal seguiriam se revezando no poder.

Enquanto isso, a oposição liderada pelos jovens vereadores se articulava para tentar interromper a era Costa-Pascoal e, uma vez iniciada a discussão em torno dos nomes que viriam compor a chapa opositora, discussão essa conduzida pelo então vereador Joel Neto, a princípio se pensou em lançar Paulo Barra Neto, o ‘Kinka’, para prefeito. Tal nome representava a família Barra, que estava fora do poder desde a gestão de Paulo Pinto Barra, que havia se dado de 1975 a 1977, após a renúncia do então prefeito Luiz Alberto Gurgel Guerra (in memoriam). Entretanto, o entendimento final foi o de que encabeçaria a chapa opositora o agropecuarista Francisco Assis de Lima, o ‘Assis Domingos’, tendo como candidato a vice-prefeito o ex-vereador José Glauber Gurgel da Nobrega, o ‘Zé Guerra’.

Além de muito carismático, ‘Assis Domingos’ já tinha dois filhos casados com irmãs do então prefeito Hulgo Costa. Por isso a oposição entendeu que seria estratégico causar tal desconforto ao grupo situacionista, especialmente ao prefeito Hulgo.

Zé Guerra’ foi escolhido para ser candidato a vice-prefeito porque, além dos seus relevantes serviços prestados à municipalidade, tal escolha agradaria a família Gurgel, que também tinha história na política felipense e, assim como a família Barra, estava excluída.

Aconteceu que a chapa opositora (‘Assis Domingos’ e ‘Zé Guerra’) acabou derrotada pela chapa governista (Raimundo Pascoal e Manoel Rufino). O pleito não foi dos mais acirrados. E muitos atribuem tal desfecho ao que consideram bom desempenho de Raimundo Pascoal quando no seu primeiro mandato.

Com o resultado, tudo seguiria dando certo para as famílias Costa e Pascoal, que apressavam os passos na construção dos seus impérios, pois, viam amadurecer uma oposição ferrenha, que estava sempre provocando o Judiciário e isso representava grave ameaça ao projeto de poder.

No exercício do seu segundo mandato, Raimundo Pascoal também sobrevive à oposição ferrenha de Joel Neto, Gilvan de Souza, Luzimar Morais e Onésimo Leite. Seu segundo mandato já não era tão aprovado o quanto havia sido o primeiro, e a próxima eleição, que aconteceria em 1996, se aproximava.

Ainda sem a possibilidade de reeleição, o então prefeito Raimundo Pascoal passa a viver um dilema, pois, tinha o compromisso de tentar passar o comando novamente para Hulgo Costa, mas temia uma possível derrota, haja vista que era forte no município a pregação da oposição de que Hulgo havia sido um desastre como administrador e que havia exacerbado no que denunciavam tratar-se de enriquecimento ilícito.

Registra a história que Raimundo Pascoal chegou a cogitar a possibilidade de lançar para sua sucessão o então vereador Francisco Canindé de Menezes, o ‘Chicão’. Uma figura que havia ingressado na política felipense em 1988, quando eleito o vereador mais votado, tendo sido reeleito em 1992, desta feita como o segundo vereador mais votado, e que apesar de ser genro de ‘Badinho’, era pessoa da mais alta confiança do então prefeito.

A história também registra que, para não ser preterido, Hulgo Costa abre diálogo com os líderes oposicionistas Joel Neto, Gilvan de Souza, Luzimar Morais e Onésimo Leite, fato esse que fez com que Raimundo Pascoal recuasse e lançasse novamente Hulgo para sua sucessão, vindo a ser ‘Chicão’ o candidato a vice-prefeito na chapa governista.

A oposição, por sua vez, ainda conduzida pelo então vereador Joel Neto, forma uma nova chapa encabeçada por ‘Assis Domingos’, desta feita tendo o jovem Luiz Agnaldo de Souza como candidato a vice-prefeito. Esta foi outra grande sacada da oposição, pois, Luiz Agnaldo era irmão do então vereador José Manasses de Souza (in memoriam), ambos representavam o maior reduto eleitoral rural do município (Arapuá) e haviam rompido com o grupo governista após uma manobra ocorrida em dezembro de 1994, orquestrada por Raimundo Pascoal e executada pelo então presidente da Câmara Municipal, o ‘Chicão’, que por decreto legislativo cassou o mandato de José Manasses.

Inicia-se o pleito mais acirrado da história política do município. Tudo indicava vitória da oposição com Assis e Luiz, mas a chapa governista Hulgo e ‘Chicão’ vence por uma diferença de apenas 49 votos, adiando mais uma vez a interrupção da era Costa-Pascoal.

Hulgo Costa, prefeito pela segunda vez, agora ainda mais ambicioso e apegado ao poder, prepara a rasteira histórica que mais tarde daria no seu criador, o ex-prefeito Raimundo Pascoal. Um racha de estremecer! Mas sobre isso falaremos na próxima postagem. Aguarde.

Créditos: Os registros históricos acima são do livro “Fatos & Retratos”, do pesquisador, historiador e poeta felipense Geraldo Fernandes.

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Profissional de mídias eletrônicas, do rádio e da comunicação impressa desde 2005.

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