sexta-feira, março 5, 2021

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    PERSONAGENS QUE MARCARAM ÉPOCA EM MOSSORÓ (17/01/2021)

    Esta coluna passará publicar, aos domingos, edições com abordagens de temas e histórias rememoráveis de Mossoró e do Rio Grande do Norte. Buscaremos personagens que fizeram a nossa história e, neste espaço tentaremos descrever em tópicos, com muita objetividade, com o propósito de resgatar e preservar acontecimentos, bem como de despertar o interesse do nosso leitor pela história, como fizemos no domingo passado, em edição que nos rendeu muitos comentários positivos. Iremos manter este foco durante os domingos, já que é um dia, como se diz na gíria popular, mais light. Por outro lado, esta coluna quer criar uma interatividade com o leitor e para tanto vamos dispor, nos próximos dias, de um e-mail para onde, quem tiver interesse de publicar enredos ao modo como estamos fazendo, possam enviar seus conteúdos. Entendo que é sempre muito bom relembrar o passado, aquele que nos deixou algo de bom. Então vamos relembrar alguns personagens.

    ANTÔNIO RODRIGUES DE CARVALHO (IN MEMORIAM)

    Médico e advogado, prefeito de Mossoró por duas vezes – entre 31 de março 1958 e 31de março1963 pelo PTB e; entre 31 de janeiro de 1969 e 31 de janeiro 1973 pelo MDB. Foi também deputado estadual. Tive o prazer de conhecê-lo quando cheguei a esta cidade em 1985 e fui trabalhar como vendedor de jornais. “Seu Antônio Rodrigues’ era meu freguês. Lembro dos finais de tarde quando eu lá chegava numa bicicleta emprestada pelo amigo Ítalo Vila Bela Praxedes. E ele me pedia para que eu fosse comprar o seu cigarro. Sempre usando vestimentas e calçados de cor branca, sentado em sua cadeira de balanço. Falava para mim de sua história e me dava bons conselhos. Aprendi muito com ele e sou grato por tudo isto. Uma pessoa séria e de um coração muito bondoso. São muitas lembranças. Saudades.

    DALVINHA ROSADO (IN MEMORIAM)

    Fez história na terra de Santa Luzia. De família tradicional e militante na política, nunca quis fazer uso do ofício. Cuidava de menores enveredados por caminhos tortuosos. A conheci bem. Era coordenadora de abrigos em Mossoró, alimentava crianças em situações menos favorecidas. Não conto as vezes que fui lá almoçar e pagava algo insignificante pelo comer e um copo de ‘ponche’, o que chamamos hoje de suco. Éramos assíduos, eu e um amigo, também jornaleiro, o ‘Paulinho’, hoje dono de restaurante em Porto Velho, no Estado de Rondônia. Realizou muitos atos de caridade. Sempre morou na rua Almir de Almeida Castro, 176. Queria e quero muito bem a ‘Dona Dalvinha’, hoje no reino de Deus. Me comprava jornal todas as manhãs. Uma pessoa insubstituível.

    ALCINDO GALVÃO (IN MEMORIAM)

    Conheci este cidadão, ele já aposentado pelo Banco do Brasil. Morava na Rua Dr. Jerônimo Rosado no centro de Mossoró. Homem de postura séria para os que não o conheciam e achava ser, o que chamamos no dito popular de ‘abusado’. Lerdo engano. Eu o chamava de ‘Seu Alcindo’. A honra de ter sido seu gazeteiro ou vendedor de jornal. E nas segundas-feiras, ia pegar o dinheiro. Ele de pé no sobrado de sua residência já me aguardando e de lá soltava as notas bem enroladinhas. O valor exato. Os filhos a conversar na calçada, dentre eles o ‘Paulinho Jansen’ – in memoriam -, médico pediatra. Morreu vítima de acidente de carro quando ia para sua fazenda no município de Upanema. Tem Hipólito Galvão ex-funcionário do Bandern. Tínhamos uns dedos de prosa por lá.

    ALCINDO GALVÃO II

    E um fato que me faz muito lembrar de seu Alcindo e de toda família dele. Sempre nos finais de tarde, todos reunidos na calçada, conversando e o interessante, ele, participava lá de cima. Mas eu fiz ele descer quando contei uma história da campanha de Geraldo Melo em 1986. Todos desataram rir e ele me pediu para repetir. Um comício no Largo do Ferro de Engomar. Nesse tempo, só terminava quando o dia amanhecia. E Geraldo chegou para o encerramento às cinco horas da manhã. Um grupo de jovens, tão logo o candidato subiu no palanque, fizeram uma rodinha entre eles e foram tirando os chinelos. Alguém perguntou para que aquilo e responderam: pode ser que ele nos mande se ajoelhar e já vamos estar prontos. Infelizmente seu Alcindo partiu cedo para o reino de Deus vitimado por um infarto fulminante. Nos deixou sem sua companhia, desde o final dos anos 1990.

    RAIMUNDO MARQUES (IN MEMORIAM)

    Homem impoluto por natureza, direito ao extremo. Fui seu jornaleiro por muito tempo. Pessoa perfeccionista e, as coisas dele para tudo tinham horários. E haviam duas coisas que sempre me marcaram em seu Raimundo Marques, que seria também o proprietário da COMARQUES – MATERIAL DE CONSTRUÇÃO, ao seu dizer ‘Minha Bodega”. O jornal tinha que estar, o mais tardar às 5 horas da manhã na casa dele, à avenida Dix-sept Rosado, no Centro da cidade. Ler cedo, antes de sair para o comércio. Sempre que eu chegava, ele estava esperando. Quando atrasava um pouco, arranjava um jeito de jogar na sala da casa e saia, para não levar uma bronca, um batido rsrsrrs… Da mesma forma o pagamento. Toda segunda-feira às 3 horas da tarde no caixa da loja. Certa vez atrasei um dia e ele foi logo avisando: “se não vier pegar na segunda, eu vou cancelar o jornal”. E tinha que ser assim. Ficaram as amizades dos seus dois filhos, o Joacílio Marques e o Joilton Marques.

    ALBECIR ANDRADE (IN MEMORIAM)

    Paciente que, nunca vi igual. Era proprietário de uma fundição ali no bairro Paraíba. Bom pai, bom esposo e bom amigo, de quem fui por muito tempo. Ainda sou amigo de um de seus filhos. Pessoa bastante conhecida e bem relacionada em Mossoró, o George Andrade, por anos funcionário de F. Souto. Pois bem, ‘Seu Albecir, como eu costumava chamá-lo, era meu cliente de jornal e, lembro-me muito bem como eram os seus negócios. Nunca o vi reclamar de nada. Não tinha tempo ruim para ele. Não ostentava luxo, seu jeito simples. E nas quartas-feiras, era engraçado, ele me dizia: “Sobrinho, venha pegar o dinheiro do jornal depois das 4 horas da tarde”. E lá chegando o encontrava em uma lanchonete em frente à fundição. Me olhava sorrindo e dizia: “amigo, hoje não tenho, mas tome aqui uma cocazinha. No sábado vá pra o bar de Edson Pinheiro e a gente acerta tudo”. Sempre o primeiro a chegar e lá ficava por muito tempo. Ficou uma amizade verdadeira. Lembro quando em Tibau, as pessoas só iam no veraneio. Ele adquiriu uma casa, nunca deixou de ir um sábado sequer, Parece que estou vendo, no carrinho tipo Escort de cor prata, sem ar. Onde parava deixava os vidros abertos. Nesse tempo a vida era tranquila. Marcou época. Um infarto fulminante fez ele nos deixar orfãos daquela personalidade ímpar.

    SOUZINHA DO PARQUE ELÉTRICO (IN MEMORIAM)

    Impossível falar sobre o comércio de Mossoró sem lembrar de ‘Souzinha do Parque Elétrico’. Uma capacidade em pessoa. Prestava um atendimento jamais visto de outro. Educado ao extremo. Tratava a todos os clientes de forma igualitária. Quem entrasse na loja logo recebia aquele boa tarde com muita educação. A primeira pergunta: “Em que posso lhe ajudar?”. Aos que já estavam ele saia perguntando se já estavam sendo atendidos. ‘Souzinha’ vai ser para sempre lembrado, bem como o seu Jeep branco com a placa de Souza da Paraíba. Todo dia ele fazia o mesmo percurso entre a casa e a loja, sem mudar a rota. Praticava ciclismo e aos domingos chegava a ir, ele e i seu grupo, à Areia Branca, onde tomavam café e voltavam. Um homem de boas condições financeiras, e também de uma simplicidade sem igual. Infelizmente, ainda muito novo nos deixou e foi para outro plano, o celestial. Tem em Ênio, o seu substituto.Trilha o mesmo caminho.

    JOSÉ EMÍDIO DE ARAÚJO (IN MEMORIAM)

    Dos bons! Vem a ser pai do hoje vereador de segundo mandato Raério Emídio Araújo, o ‘Raério Cabeção’. O conheci nos idos de 1985. Morava no Bairro Boa Vista – cruzamento das ruas Manoel Cirilo com Benjamin Constant. Sempre na parte da tarde estava sentado em sua cadeira de ferro, enrolada com fitilhos, com os pés apoiados em um tamborete. Sua casa era frequentada por muitos vizinhos para uma boa conversa. Era político arredado. Chegou a representar de Baraúna quando aquele município foi desmembrado de Mossoró (me corrijam se estiver errado). Construiu uma grande família e descendentes seus seguem na política. Um sobrinho, que leva seu nome, atua em Governador Dix-sept Rosado. O ‘Zé Emídio’, já foi vereador lá, exerce liderança e fez sua filha Luara, vereadora. Ela é a atual presidente da Câmara. José Emídio de Araújo, um cidadão exemplar que também marcou época na história de Mossoró.

    REGY CAMPELO (IN MEMORIAM)

    Reginaldo Regy Campelo ou, simplesmente, ‘Regy Campelo’. Fez história em Mossoró, no RN e no Brasil. Figura ímpar em nosso meio, o da Comunicação Social. Será sempre lembrado. Foi notícia nas páginas policiais, mas não se intimidou, se superou, deu a volta por cima. Cantor e compositor, fez sucesso na década de 70 e ainda hoje canções compostas por ele, arrancam suspiros dos apaixonados. Cito como exemplo a música ‘Saudade de Rosa’, interpretada pelo nosso querido Bartô Galeno – pauta para essa coluna em breve. Ainda de Regy Campelo, um cidadão prestativo e de bom coração. E escrevo isto porque convivi com ele. Ele também foi funcionário do Jornal Gazeta do Oeste, por algum tempo. Um amigo. Elegeu-se vereador por Mossoró, nos anos 1980. Bom parlamentar. Das histórias de Regy, uma que não dá pra esquecer. Mossoró comenta ainda hoje. Então vereador, conseguiu fazer doação de muitas carteiras de motorista. Contam que estes contemplados não sabiam dirigir bem, mas, diante da influência que tinha Regy na época, perante órgãos, e não era dom só seu, tornava fácil a obtenção do documento. Cotidianamente, nas ruas, quando se vê um condutor de veículo enfrentando dificuldades ao volante, se apresenta logo a pergunta: “Foi Regy que lhe deu a carteira?”. Rsrsrsrsrs. São histórias que não saem da memória do povo mossoroense. Até mesmo da mente de pessoas que não o conheceram. Regy veio a falecer em 2015, acometido de um câncer de próstata. Fez história em Mossoró, sua cidade natal. Nos tornamos grandes amigos. Um coração bondoso.

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