terça-feira, março 2, 2021

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    PERSONAGENS QUE MARCARAM ÉPOCA EM MOSSORÓ (24/01/2021)

    Seguimos com o que temos feito todos os domingos nesta coluna, falando de alguns personagens que marcaram época em Mossoró, os quais contribuíram para o crescimento da cidade. Aqui lembramos seus principais feitos e também aproveitamos para contar alguns fatos pitorescos protagonizados por eles. lembrando que o nosso objetivo é brindar os leitores com um pouquinho de história. E hoje falaremos de Jader Luiz Henrique, João Newton da Escóssia, Diran Ramos do Amaral, Sílvio Mendes, Francisco Monte, Luiz Escolástico, Monsenhor Américo Vespúcio Simonetti, ‘Seu Zé Gordão’, e ainda do radialista George Wagner, um dos maiores nomes da radiofonia mossoroense e do Estado do Rio Grande do Norte. Vale a pena dispensar alguns minutos do seu domingo, ler esses tópicos e dar uma viajada no tempo. É apenas um resumo, pois, esses nomes, essas pessoas são portadoras de grandes e belas biografias, de histórias de vida exemplares, a serem conhecidas e, se for o caso, seguidas. É uma pequena colaboração nossa para o resgate histórico do nosso povo, da nossa querida Mossoró.

    JADER LUIZ HENRIQUE (IN MEMORIAM)

    Um cidadão que conheci ao chegar a Mossoró ao qual eu entregava jornais à época. A princípio o Mossoroese, depois ele passou a comprar também o Diário de Natal. Era diretor do Detran e dava seu expediente em um prédio ali ao lado do anexo da Almeida Castro. Um homem de postura muito séria. Naquele tempo, as coisas se tornavam fáceis e, pra tudo quando eu precisava, ele dava um jeitinho. Facilitava a minha vida. Recém chegado do sertão, vendedor de jornal, sempre fui atendido por ele de forma especial. Foi dirigente do Potiguar, torcedor apaixonado. Sempre residiu no bairro Alto de São Manoel, avenida Presidente Dutra, próximo ao trevo de acesso à Areia Branca. Fumante inveterado, implantou ponte de safena em Recife, complicado à época. Uma vez hospitalizado, sendo preparado para a cirurgia, os médicos se descuidaram e ao entrar na enfermaria o flagraram fumando dentro do banheiro. Foi aperreio. E ele disse “vou fumar, pode ser o último cigarro. Não sei se escapo!”. E todos caíram na risada. Ele contava e ria muito. Se recuperou e viveu muitos anos ainda entre nós. Um infarto o vitimou, nos deixando órfãos de sua amizade.

    JOÃO NEWTON DA ESCÓSSIA (IN MEMORIAM)

    Prefeito de Mossoró – de 31.01.77 a 14.05.82 – pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e apoiado pelo grupo Rosado. Ainda em 1982, elegeu-se deputado estadual. Homem sério, idôneo, de boa conversa. Cheguei muitas vezes a sentar com ele no bar de Edson Pinheiro, à época o point dos políticos mossoronses. Após sair da cena política, e com idade bem avançada, continuou frequentando o lugar e revendo amigos. Relembrava, contava fatos de sua atuação. Quem conheceu João Newton como prefeito dizia ser ele um gestor honesto e, por isto se tornava antipático para muitos. Enfrentou dificuldades na vida pública por causa desse comportamento. Sempre que chegava em determinado ambiente, era logo notado por seu vozeirão, arrastado. O conheci já morando no bairro Nova Betânia, próximo ao Estádio Nogueirão. Sua antiga casa, hoje é ocupada por um conglomerado de escritórios. Um dos filhos, Junior Escóssia, foi vereador por várias vezes em Mossoró e chegou a ser presidente da Câmara Municipal por duas vezes. Um líder da grande família Escóssia em Mossoró.

    DIRAN RAMOS DO AMARAL (IN MEMORIAM)

    Empresário bem sucedido em Mossoró nas décadas de 1970 e 1980. Proprietário da Oeste Veículos, concessionária Volkswagen e por muitos anos liderança na venda de carros. Homem de muita visão empresarial, envolvido em muitos negócios financeiros. De grande capacidade na arte de transmitir mensagens, especialmente no rádio, quando participava de programas políticos. Era ligado ao grupo do ex-deputado Vingt Rosado (in memoriam). Foi um dos sócios de Laíre Rosado na reabertura do jornal O Mossoroense. Escrevia uma coluna aos domingos, que levava o seu nome. Juntamente com a família Rosado trouxe a FM 94.1, hoje 93.7. Fez o filho, deputado estadual por duas legislaturas, o Frederico Rosado, um jovem com quem caminhei muito naquela época. Diran era considerado um polêmico. No entanto, com sua maneira de ser fez história. Seguiu para o outro plano ainda muito novo. Em um ato inesperado tirou a própria vida. Deixou a família estabilizada. Faz falta a Mossoró. Foi presidente da ACIM e o Terminal Rodoviário tem seu nome reverenciado. Ao lembrar de Diran, vem à mente a expresão “sem açodamento”, jargão que ele gostava de usar.

    SÍLVIO MENDES (IN MEMORIAM)

    Empresário e proprietário de uma grande loja de móveis, sediada na avenida Presidente Dutra no Grande Alto de São Manoel. Quem conhece a cidade desde à época lembra da Móveis Silvan, que vendia produtos de qualidade sob o comando do ‘Seu Sílvio Mendes’. Lembro-me bem que quando eu chegava por volta das 5 horas da manha pra entregar o seu jornal, ele já estava de pé a contemplar o movimento da rua e me esperando. Cidadão de boas condições e de uma simplicidade sem igual. Na política foi vice-prefeito de Dix-Huit Rosado em seu segundo mandato – de 31.01.1983 a 31.01.1988 -, pelo PDS. Não tenho conhecimento de alguém que tenha sido destratado por aquele homem. Pelo contrário, atendia todos com igualdade e respeito. Sem formação acadêmica, simples, digno e um conciliador, por isso convidado a entrar na política partidária. Foi companheiro fiel na administração de Mossoró, ao lado de Dix-Huit. Deixou legado de boas amizades. A minha certeza é de que nunca será esquecido, pois terá sempre sua história memorizada lembrada por muitos e homenageada nos murais desta cidade.

    FRANCISCO MONTE (IN MEMORIAM)

    Ou simplesmente ‘Chico Monte’, como era mais conhecido em Mossoró. Foi por algumas gestões secretário de obras do município. Era um cidadão de uma educação exemplar. Residia na rua Jerônimo Rosado no Centro da cidade. O conheci e mantivemos uma boa convivência. Apesar de ser um homem de comportamento sisudo, era de bom coração. Me lembro muito bem quando fui jornaleiro dele, nos finais de tarde das segundas-feiras, encostava minha bicicletinha em um muro baixo e nem precisava descer, pois quando batia palmas ele logo saia. Parece que estou vendo. Ele sempre muito alinhado. A qualquer hora que chegássemos à sua casa, estava ele sempre daquele jeito, um lorde (risos) como a gente fala no sertão. Atencioso por demais. Num primeiro momento, se fazia perceber nele uma certa antipatia, mas ele era justamente o contrário. Pagava o que me devia e ficava a interrogar-me sobre as conversas que escutava na cidade. As histórias. Com ele também aprendi muitas boas lições. Para tanto, falo sobre sua pessoa com muito orgulho e mantenho profunda gratidão pela amizade que tivemos.

    DR. LUIZ ESCOLÁSTICO (IN MEMORIAM)

    Cidadão de cara fechada no primeiro encontro, mas com um grande coração. O conheci tão logo cheguei a Mossoró. Ele tinha residência na rua Machado de Assis, no Centro. Era proprietário de um laboratório de análises clinicas, ao lado da praça Felipe Guerra. E com ele fiz amizade por ser meu cliente de jornal. Na semana entregava-lhe jornais na sua clínica e, aos domingos, na sua casa. Cheguei a receber reclamações dele algumas vezes, por chegar atrasado. Mas não passava disso. Eu já sabia como fazer ele rir e esquecer o atraso. Um baraunense apaixonado. Chegou a ser diretor do clube por algum tempo. Sua clínica era sempre visitada por jogadores, pois lá tinham livre acesso. E quando eu via que ia sofrer puxão de orelhas, já ia logo dizendo “eu sou potiguar, mas a verdade é que o Baraúnas esta melhor”. Bastava isto para que ele já abrisse um sorriso largo. E daí pra frente era só boa conversa. Homem caridoso. Às sextas-feiras ele ajudava a todos que ali passavam e pediam alguma coisa. Filas eram formadas. Mantinha sempre uma quantia de dinheiro fracionado e a secretária ia distribuindo. Era assim aquele grande homem.

    MONSENHOR AMÉRICO SIMONETTI (IN MEMORIAM)

    Pároco da Paróquia de Santa Luzia em Mossoró por muitos anos; diretor da Rádio Rural de Mossoró. Um religioso amado por todos, indistintamente. A emissora AM 990 khz, tem a sua cara. O Programa FATO EM FOCO, por ele apresentado vem à minha memória. Antes de vir fixar residência nesta cidade, já acompanha o seu trabalho na rádio. E em 1985, passei a conhecê-lo de perto, quando realizava o percurso catedral de Santa Luzia/Rádio Rural e vice-versa, atravessando a Praça Vigário Antônio Joaquim. Sempre no seu cumprimentar as pessoas por quem passava. Nunca esqueci de um comentário feito por ele, no programa FATO EM FOCO. Narrava sobre o dia em que um carro atropelou e matou um pai de família que ao sair do trabalho, comprou pães e levava para sua casa quando, ao passar pela ponte subindo o Alto de São Manoel foi vitimado fatalmente. E o título do comentário era O PÃO QUE NÃO CHEGOU EM CASA. Emocionou. Padre Américo comandou a Diocese enquanto a saúde lhe permitiu. Mas nós, seres humanos, também temos um fim. Ele se foi deixando grande legado para a igreja católica e para Mossoró. Está bem no plano superior. Demos graças!

    ZÉ GORDÃO (IN MEMORIAM)

    “Seu Zé Gordão”, assim o chamavam lá no bairro Santo Antônio, mais precisamente na rua Lira Tavares, onde tinha um comércio de frutas. Pessoa ímpar. Tive a oportunidade de conhecê-lo, fui seu jornaleiro. Um apaixonado por política e, para tomar o tempo dele, bastava tocar nesse assunto. Se envolvia e era difícil parar de falar. Candidatou-se em alguns pleitos, mas sem sucesso. De boas amizades e, a prova é que basta você chegar ainda hoje por onde ele viveu por muitos anos e logo já escuta as pessoas ali falarem sobre tal, e de bem. Lembro muito dele sentado dentro de seu pequeno comércio em uma cadeira de ferro enrolada com fitilhos. Quando o jornal chegava, era motivo de alegria. Um meio de comunicação forte, preciso. Era também apegado ao esporte. Um vascaíno. Seu filho Fernando é vascaíno. Já o Bibi, também seu filho, é flamenguista. Este, eu o encontro vez por outra pelas ruas da cidade. Um infarto nos separou de “Seu Zé Gordão”. Outro que dedicou grande parte de sua via a servir ao próximo sem qualquer distinção. Fica a lembrança.

    GEORGE WAGNER (IN MEMORIAM)

    Um dos maiores profissionais do rádio nas décadas de 1980, 1990 e até meados da primeira década deste século, quando deixou de fazer o que mais gostava por conta de um problema de saúde. Noticiarista na Rádio Difusora (AM 1170 KHZ), onde começou e depois na Rede Resistência de Comunicação (Rádio Resistência FM 94.1, depois FM 93.7), em programas musicais. Um cidadão, sempre aclamado por todos como “Meu amigo, meu irmão!”. Arrebatou audiência geral com o Programa Forrozão de Mossoró na Rádio Resistência. Homem que não distinguia raça, cor, condição social. Distante das falas sobre política e só discutia, um pouco, esporte. Era vascaíno. Ainda sobre George Wagner, contam amigos de maior convivência com ele que, apesar de tocar todos os ritmos em seus programas, só tinha uma canção que cantava ‘direitinho’: O que é, o que é, de Gonzaguinha (risos). É nome de rua no Loteamento Cidade Jardim, bairro Sumaré em Mossoró. Há exatos 18 meses e 16 dias, foi convidado a partir para o plano superior. Uma simples homenagem. E que seja sempre lembrado.

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