quarta-feira, abril 14, 2021

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    PERSONAGENS QUE MARCARAM ÉPOCA EM MOSSORÓ (28/02/2021)

    Mais um domingo, dia de RN EM TÓPICOS ESPECIAL. E escolhemos para contar histórias, aos nossos poucos leitores mas, selecionados. Hoje vamos relembrar entes queridos – in memoriam -, que conviveram aqui conosco. São eles: TARZAN, ‘SEU TIÃO’, ‘DEDECA MARCELINO’, MANOEL ALVES, LUIZ CORDEIRO, ‘TOINHO DA AUTO ELÉTRICA’, VINGT ROSADO e GONZAGA CHIMBINHO). Um pouco da história de vida desses ilustres que também colaboraram e seus nomes ainda fazem de Mossoró uma cidade de fortes personalidades. Foram pessoas que acreditaram no potencial do município, em que se refere a trabalhar com setores da economia, da política e até da cultura. Entendemos ser hoje a nossa cidade, um pólo educacional e de grandes empresas a operar, tudo graças ao que estes ‘seres iluminados’ pensaram fazer. Por motivos alheios à sua vontade, e sim à divina, foram convocados a se retirarem da cena terrestre e passarem a viver em vida espiritual. Mas deixam legados importantes, histórias de lutas as mais incríveis de serem contadas e ouvidas. Vamos a eles, com quem convivi e testemunho.

    TARZAN (IN MEMORIAM)

    Um senhor de estatura franzina de corpo, morador da rua Benjamin Constant, no bairro Boa Vista. Era proprietário de uma lanchonete, administrada por Dona Alice, sua esposa. Pessoas de boa índole. Sempre à noite, altas horas, lembro-me bem, íamos lá eu e ‘um bando’ de meninos comprar cocadas. Ele lá, cochilando sentado em uma cadeira de ferro enrolada com fitilhos. Se levantava, já sem camisa e cansado do dia trabalhado mas, vinha nos atender. E também tinha uma outra lanchonete ao lado do Fórum Municipal Desembargador Silveira Martins no centro da cidade. Logo cedo pegava sua bicicleta e saia a pedalar em direção àquele local de trabalho. Eis que um determinado dia, houve um homicídio nas proximidades do seu comércio e a vítima, me parece, foi assassinada por engano. “MATARAM HE-MAN NO QUIOSQUE DO TARZAN”, foi a manchete principal dos jornais mossoroenses. Bom lembrar que nessa época, O REI DAS SELVAS e HE-MAN eram evidências nas salas de cinema e em desenhos animados da TV. São histórias a enriquecer nossa urbe amada.

    ‘SEU TIÃO’ (IN MEMORIAM)

    Ao chegar em Mossoró, passei a morar na rua Benjamin Constant. E em frente à minha residência, um cidadão conhecido como ‘Seu Tião’. Aposentado à época e, não me falha a memória, pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Construímos boa amizade e, geralmente, no início da noite, sentávamos a conversar. Assuntos, os melhores possíveis. Era pai de filho único, hoje trabalhando no banco do Brasil nesta cidade. Um jovem muito estudioso e à época acadêmico da Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM). ‘Seu Tião’ e Dona Lurdinha, ela hoje ainda em vida e moradora no mesmo lugar, administra um pequeno comércio. Adotaram um garoto, deficiente físico mas, o mimo da família. Algo importantíssimo. E eu tive a felicidade de ser amigo de ‘’Seu Tião’ enquanto permaneceu entre nós, os vivos. Sempre ao amanhecer do dia, ele estava sentado em uma cadeira na esquina, com sua camisa azul e bermuda, sempre com um boné na cabeça e ali  brincava com todos que passavam.Um bom contador de histórias. Partiu cedo para outro plano e nos faz uma falta danada. Sempre que posso visito a esquina.

    ‘DEDECA MACELINO’ (IN MEMORIAM)

    Um homem sério, residente na rua Alfredo Fernandes, centro. Eu comprava os jornais durante todo o mês e uma vez eu ia pegar o pagamento, sempre às 19 horas no dia marcado. Lá chegando, o encontrava sentado em uma cadeira de forma bem alinhada e já com o cheque pronto para me entregar. Interessante é que naquele tempo não existia esta brutalidade de hoje, esta onda de assaltos. E ele ficava sentado assistindo TV com a porta aberta, bem à vontade. De pouca conversa e se muito, relatava alguns dias em que o exemplar tinha chegado atrasado. Perguntava o que houve e eu saía a me desculpar. Tinha de ser algo convincente e que o desse por satisfeito. Esteve diretor do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) por muitos anos e, um homem de não levar desaforos pra casa. Certa vez, meliantes tentaram subtrair pertences dele e, não se intimidou. Saiu ferido no confronto. Mas não foi disto que morreu, mas sim em acidente numa de suas idas para Natal. Era coisa que fazia rotineiramente, no exercício de suas funções. Tenho boas lembranças de seu ‘Dedeca Marcelino’, um velho bom.

    MANOEL ALVES (IN MEMORIAM)

    O ‘SEU MANÉ DA HORA DA COALHADA’. Lá das bandas de Felipe Guerra, que fez história na radiofonia mossoroense. Trabalhou e se aposentou como funcionário da Rádio Rural de Mossoró AM 990 kwz. E quem não lembra de ‘Seu Mané’?. Nas apresentações do Concurso A MAIS BELA VOZ, realizado no mês de dezembro de cada ano, na época das festas alusivas a Santa Luzia, padroeira da Diocese de Mossoró. E não podia faltar no palanque, balançando sua perna e falando “ora, ora menino…!”. tem histórias. Certa vez foi ler uma mensagem no programa ‘NOTAS E AVISOS’. Mais ou menos assim: “Maria aqui está tudo bem. Os negócios estão dando certo, já vendi a carroça. Mas fiquei enganchado no negócio do burro”. Aí dizia: ‘mininoooo!’. E quem estava a ouvir então, caia na risada. Numa outra, uma mensagem para Grossos, do marido para a mulher: “Joana, eu não posso ir hoje. Mas não esqueça de amarrar o garoto pois preciso tirar o leite amanhã ao chegar em casa!”. E dava aquela retrucada; “não é o garoto, é o garrote negona!” (risos). Uma pessoa muito boa e que fez história em Mossoró, o ‘SEU MANÉ’ DA RURAL DE MOSSORÓ!”.

    LUIZ CORDEIRO (IN MEMORIAM)

    Senhor que morava com suas filhas na rua Rui Barbosa, no Alto da Conceição. De uma delas sou amigo. A Maria Ecidete, funcionária e hoje aposentada pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Continua morando no mesmo lugar. Eu vendia jornais pra ela e na maioria das vezes que lá chegava, estava seu Luiz Cordeiro para receber o exemplar. Parece que estou vendo ele pegar o jornal e sem olhar já se encaminhava para deixar a Dona Maria Ecidete, pessoa muito boa. Teve muitos filhos e dentre eles está o advogado, Dr Valdeque, ex-proprietário de uma grande loja de material de construção, que levava o seu nome, a Comercial Valdeque. Gente de bem. Eu já conheci seu Luiz com uma certa idade e, há muitos anos, já não vive mais entre nós. Mas são recordações que temos das pessoas com quem sempre convivemos. O destino, por sua por sua formação, e a quem ninguém pode se sobrepor, fez com que ele atendesse ao chamamento do pai eterno para passar a morar do seu lado. E quando assim acontece, só nos resta sentir sua falta. Enfim, temos a agradecer pelo que vivenciamos outrora.  

    ‘TOINHO DA AUTO ELÉTRICA’ (IN MEMORIAM)

    Este lembro demais. O ‘Toinho da Auto Elétrica Santo Antônio, localizada na rua Felipe Camarão, já no centro da cidade. Um vascaíno doente. Eu comprava o jornal O Mossoroense todos os dias. Um cidadão muito simples e também de pouca conversa. Já comigo, se afastava um pouco mais em determinados assuntos. Pois, como sou flamenguista e naquele tempo os dois times se competiam, coisa que não acontece mais, só dá Urubu (risos). Mas era um bom cidadão. Tenho até hoje amizade com seu irmão Haroldo, que com ele trabalhava fazendo conserto de motores. E todos os dias, quando chegava para entregar o jornal ele já estava. Se atrasasse, nem chegasse pra conversar. É que ele só começava a trabalhar depois de ler a edição do dia, saber das notícias. Um infarto fulminante tirou a sua estatura física do meio de nós. Foi transferido muito cedo, da sua residência aqui na terra para o plano celestial. Seu ‘Toinho’ é daqueles muitos que não dá para, quando se passa por perto de lugares por ele frequentados, deixar de reviver grandes momentos. E é assim que acontece comigo ao passar quase todos os dias pela Felipe camarão.  

    VINGT ROSADO (IN MEMORIAM)

    Deputado de várias legislaturas. Homem de palavra, cumpridor de tudo que prometia. De pouca conversa mas, muita ação. Fez história em Mossoró e no RN. Muitas lutas foram encampadas por ele. Teve vitórias e derrotas. Uma delas, quando de sua última campanha, onde todos achavam que perderia a eleição em virtude do ‘voto camarão’. Pregava o voto sem cabeça de chapa na campanha de 1982 com disputa entre Aluizio Alves (MDB) e José Agripino (PDS). Campanha memorável. Rompido com os ‘Maias’, não podia fazer composição com Aluizio. Então inventou-se o ‘voto camarão’ e a esmagadora derrota do MDB ao governo. Ele elegeu-se deputado federal, cadeira que foi mantida até pleitos recentes pela sua filha, a ex-deputada Sandra Rosado e o genro Laire Rosado. E lembro bem que em 82, os rosados mandaram confeccionar camisas brancas, com nome vermelho e a seguinte frase, tendo em vista o rompimento com os ‘Maias’: “POVO ROSADO É SADIO, NÃO DESMAIA!”. Causou problemas e este material teve de ser retirado de circulação. Coisas da política passada no RN.

    VINGT ROSADO II

    Homem de grande credibilidade principalmente na zona oeste do nosso Estado. Agropecuarista, dono de muitas terras às margens da BR 405, entre os municípios de Mossoró e Apodi – as fazendas Tapuyo e a Mororó -. Tinha prazer em cuidar delas, sempre prontas para que ele trafegasse com cuidado em sua Brasília de cor quase amarela. Toda sexta-feira, ao retornar de Brasília, saia a circular por lá, em companhia de seu motorista, ainda hoje vivo para contar histórias, o Etevaldo. E naquelas redondezas, um amigo de todos. Quando dava uma palavra, cumpria. Certa vez, plantou muitas sementes de algodão e foi uma das maiores safras que já vi até hoje. Meu pai, pessoa que ele gostava muito, era quem tomava conta da colheita. E Vingt dava risadas quando ia pesar o algodão. Meu pai era quem mais colhia. Ele então perguntava; Quanto seu Gomes?. O senhor é um herói. De muita visão, mesmo enxergando com um olho só (risos). Via a política muito à frente do seu tempo. Por isso, tenho exercido liderança por muitos anos no RN. Vários livros já foram e estão sendo escritos com a saga desse grande ser humano e político.

    GONZAGA CHIMBINHO (IN MEMORIAM)

    Foto: Reprodução/Internet

    Grande empresário na cidade de Mossoró e de forte influência política. Era proprietário das Livrarias Independência e Livraria do Estudante. Em seguida fundou A Escrita, loja de móveis para escritório. Sempre comprometido com a educação e a cultura, foi alçado à condição de Secretário de Cultura na primeira gestão da prefeita Rosalba Ciarlini, entre 1989 e 1992. Credita-se a Gonzaga Chimbinho, a transformação da antiga Estação Ferroviária de Mossoró na Estação das Artes Elizeu Ventania e, posteriormente o Mossoró Cidade Junina, um dos maiores espetáculos ao ar livre em épocas de festejos juninos. Homem com grande círculo de amigos, educado e servidor. Logo cedo o conheci, pois entregava jornal na residência de sua genitora, à rua 30 de setembro, ao lado do Banco do Brasil. E sempre o encontrava lá. Foi reitor da Universidade Regional do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e influenciou seu cunhado Antônio Capistrano a ser vice-prefeito por dois mandatos junto a Rosalba Ciarlini e depois, reitor da UERN. Uma enfermidade o levou para a morada celestial, mas deixou legado político e cultural forte.

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