terça-feira, outubro 26, 2021

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    Crítica: “Chuva de Bala” é tempestade de emoções em meio ao drama, musical e thriller

    A surpresa deste filme não é o spoiller. É a sucessão de momentos singulares. E a conexão temporal quje levou este pesadelo dos nossos tempos para 1927, onde o enredo efetivamente se passa.

    Por William Robson / Opinião

    Na estréia do “Chuva de Bala – O Filme”, o Youtube já contabilizava audiência próxima a 30 mil pessoas no canal da Prefeitura de Mossoró. O longa-metragem, de 50 minutos (há quem considere média-metragem), manteve-se fiel ao texto de Tarcísio Gurgel adicionado a ingredientes novos, contextualizados ao período da pandemia. A conexão temporal levou este pesadelo dos nossos tempos para 1927, onde o enredo efetivamente se passa. Ou seja, o período em que o bando de Lampião é expulso de Mossoró.

    Américo Oliveira, na grande atuação como Jararaca

    A liberdade poética que tornou este filme “atemporal” é percebida quando cangaceiros usam máscaras, o prefeito Rodolfo Fernandes utiliza álcool para higienizar as mãos e os cumprimentos são à base do já conhecido soquinho. Como o diretor Marcos Leonardo explicou, em entrevista ao Foro de Moscow, a intenção remete ao episódio histórico dentro de um panorama pandêmico.

    O filme nasceu desta necessidade de reviver o “Chuva de Bala”, não realizado no ano passado no primeiro ano da pandemia, de forma criativa. Assim, o espetáculo teatral, apresentado a céu aberto, ganha ares da sétima arte. E com o apelo especial que mistura musical, drama, cinema e teatro com seus atos. “Chuva de Bala” é um apanhado de grandes momentos, seja nas interpretações esplendorosas, seja pelas intervenções musicais.

    Filme faz conexão atemporal com pandemia e o fato ocorrido em 1927, com cangaceiros usando máscaras

    O cinema permitiu que o espetáculo se expandisse. Deixa o adro da Capela de São Vicente, palco do confronto entre cangaceiros e resistentes, e se espraia por novos sets, como a vegetação do semi-árido, onde se aquartelava o grupo de Lampião em seu plano de invadir a cidade. Jeyzon Leonardo vive o líder cangaceiro encarnando o seu destemor na trilha poética e teatral que se alternava com a linguagem cinematográfica. A partir da prisão do coronel Antônio Gurgel (Cícero Lima) coloca em prática sua estratégia de invasão e extorsão. Pede 400 contos de réis para não invadir a cidade.

    Para se ter uma ideia do montante da grana, segundo o conversor de moedas do Estadão, Lampião pediu, em valores atualizados, que o prefeito Rodolfo Fernandes (sóbria e magnificamente interpretado por Damásio Costa) arrumasse R$ 10 milhões. O prefeito alegara que nem a agência local do Banco do Brasil, nem o comércio, acumulava a quantia. Lampião não se convenceu e decidiu partir para Mossoró.

    Tony Silva em momento musical do longa

    “Chuva de Bala” envolve os principais edifícios e igrejas da cidade onde o conflito se deu. Resistentes se posicionaram na torre da Capela de São Vicente, na Estação Ferroviária, no Palácio Rodolfo Fernandes… Enquanto isso, os cangaceiros invadiam, passando pelas belas imagens na ponte férrea no Alto da Conceição e na Igreja de Nossa Senhora da Conceição. O tiroteio foi um espetáculo à parte, com cenas dinâmicas, cortes rápidos na edição, transpondo para o público sentimento advindo de cenas de thriller e, igualmente, da apreensão.

    Neste momento, o ator Américo Oliveira se destaca com seu talento já conhecido na série “A Pedra do Reino”, de Ariano Suassuna. Ao interpretar Jararaca, ele  ressuscita o perfil ousado e de desassombro daquele jovem cangaceiro de 26 anos. As cenas em que é alvejado, rolando pela escadaria da Capela de São Vicente, são marcantes. Bem como o momento em que é preso e executado na cova.

    Filme alterna momentos entre drama e musical

    Igor Fortunato, por sua vez, interpreta Antônio e vai conduzindo a trama em subdivisões revezadas com danças, música e a notável participação de Tony Silva, em sublime cena no palco Teatro Municipal.

    Enfim, “Chuva de Bala” é uma tempestade de emoções que conduz o público a caminhos surpreendentes dentro de um enredo já conhecido por todos. A surpresa deste filme não é o spoiller. É a sucessão de momentos singulares.

    FICHA TÉCNICA

    “Chuva de Bala – O Filme”

    (Mossoró, 2021).

    Direção: Marcos Leonardo. Com Damásio Costa, Jeyzon Leonardo, Igor Fortunato, Cícero Lima, Carlos José, Leonardo Wagner, Américo Oliveira, Roberlilson Paulino, Douglas Blade, Augusto Pinto, entre outros. Realização: Prefeitura de Mossoró/Secretaria Municipal de Cultura.

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