quarta-feira, setembro 22, 2021

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    No RN, Lula tece críticas a Bolsonaro, nega que esteja articulando aliança de Fátima com MDB e comenta sobre política nas Forças Armadas

    Declaração do petista foi dada durante a reunião do Fórum dos Governadores dos Nordeste.

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teceu duras críticas ao atual ocupante do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro (Sem Partido) durante evento realizado nesta quarta-feira 25 em Natal. O petista apontou erros do governo federal na condução da pandemia causada pela Covid-19 e avaliou negativamente a falta de diálogo do presidente com os governadores e prefeitos, o desemprego no Brasil, a venda de ativos da Petrobras e a relação entre política e Forças Armadas. Para Lula, Bolsonaro é “inimigo” da cultura.

    Além disso, o ex-presidente relembrou o escândalo do orçamento secreto, que, segundo ele, serve para que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), possa aprovar projetos e reformas de interesse do governo Bolsonaro. Na prática, a tática aumentou a quantidade de recursos com a digital dos parlamentares e, assim,  facilitou a negociação de apoio político no Congresso, reforçando uma velha prática conhecida como “toma lá, dá cá” na liberação de recursos em troca de votos no Legislativo.

    “Ele (Bolsonaro) aprovou o orçamento secreto pra poder conquistar voto. Sabemos que o presidente da Câmara tem um orçamento de R$ 3 bilhões. Com isso ele pode aprovar o que ele (Bolsonaro) quer”, diz Lula.

    O ex-presidente destacou as mais de 576 mil mortes causadas pela Covid-19. “Estamos vivendo uma crise sanitária que poderia ter sido sanada se tivéssemos um governo preocupado com a população, se tivesse criado um comitê de crise, que teria orientado a população brasileira. O governo federal continua tripudiando todas as pessoas que obedecem as recomendações da OMS”, diz o petista, ao citar recomendações de combate ao vírus da Covid-19, como uso de máscara, distanciamento social e não ingestão de remédios ineficazes contra doença causada pelo coronavírus.

    Lula, que é apontado como favorito para vencer as eleições gerais de 2022, destacou o desemprego no Brasil: “São 15 milhões de pessoas desempregadas e outras milhões que estão desalentados”. Sobre o próximo pleito geral, o ex-presidente moderou nas palavras: “Não posso discutir pesquisa (eleitoral) porque está muito longe das eleições”, destacou.

    Ainda sobre as disputas majoritárias do próximo ano, o petista negou que esteja articulando uma aliança entre a governadora Fátima Bezerra (PT) e o MDB para disputar o governo estadual. A possibilidade foi ventilada após o petista jantar, na terça-feira 24, com o ex-governador e ex-senador Garibaldi Alves. Nos bastidores, o nome do deputado federal Walter Alves (MDB), filho de Garibaldi, é apontado como cotado para ocupar o cargo de vice-governador na candidatura de Fátima à reeleição.

    “Vim conversar com o Garibaldi, como uma pessoa civilizada que tive boa convivência com ele, agora não posso decidir o que vai acontecer nas eleições daqui. Quem decide é o PT do RN. Por enquanto, não conversamos sobre candidatura, só sobre política”, revelou a liderança petista, apontada como favorita para vencer as eleições gerais de 2022.

    Lula aproveitou para relembrar o período em que atuou em parceria com Garibaldi, que foi ministro da Previdência Social do governo Dilma Rousseff. Além disso, o petista enfatizou a importância do diálogo e criticou a forma como o governo do presidente Bolsonaro se posiciona no xadrez político.

    “A gente não pode perder de dizer sempre a verdade, doa a quem doer. É importante lembrar que Garibaldi Alves já participou do nosso governo. Nessa visita, preciso pensar de forma civilizada e manter as relações políticas. Precisamos conversar em X, defender zigue-zague e fazemos alianças defensáveis. Em todos os estados, converso com os políticos. Sou democrata. O que esse governo faz é apologia ao ódio”, pontuou.

    O ex-presidente falou sobre a possibilidade de escolha para o cargo de vice-presidente. Ele falou que o candidato na chapa das eleições de 2022 não pode pensar em dar “golpe”.

    “Ficam perguntando o perfil do meu vice: Bom, ele não pode ser mais bonito que eu, nem mais alto, nem mais inteligente. Brincadeiras a parte… uma pessoa que pense no povo como eu e não pense em dar golpe. É difícil. Mas vou escolher com carinho”, disse.

    “Obviamente que eu quero uma pessoa que pense ideologicamente próximo daquilo que eu penso, uma pessoa que pense, economicamente, como eu penso, e uma pessoa que pense no povo da forma que eu penso. Uma pessoa que seja leal na nossa relação pessoal, porque é isso que me dará tranquilidade de dormir todos os dias sem o medo de uma rasteira”, continuou o ex-presidente.

    O petista visita o Rio Grande do Norte desde segunda-feira 23. Ele já teve encontros com aliados, como a governadora Fátima e o senador Jean Paul Prates (PT), além de antigos colegas de governo, como Garibaldi, e o integrantes de oposição ao governo federal, como o deputado federal Rafael Motta (PSB).

    Nesta quarta, Lula encerra sua agenda oficial no RN participando da reunião do Fórum dos Governadores do Nordeste e do lançamento do Nordeste Acolhe. O programa vai promover ações de proteção social para crianças e adolescentes que perderam pai ou mãe em decorrência da Covid-19. O próximo destino da caravana de Lula pelo Nordeste é a Bahia.

    Outras autoridades estavam presentes na solenidade, como a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores Gleisi Hoffmann, o senador Jean, a deputada federal Natália Bonavides e a vereadora de Natal Brisa Bracchi – todos filiados ao PT.

    Durante o evento, o petista afirmou: “O presidente da República não conversa com os governadores, com prefeitos, com empresários, trabalhadores e movimento social”. E emendou: “Trabalho com a consciência de ter noção do que foi feito comigo. Eles deram um prejuízo a esse país que um dia a imprensa vai retratar. Por conta das fakes news, eles fizeram que esse país deixasse de ter investimentos, empregos”.

    Forças Armadas

    Em meio a tensão entre os poderes, Lula disse que não podem usar as Forças Armadas para “se meter na política”. Os governadores dos estados brasileiros, aliás, têm pleiteado uma reunião com Bolsonaro em busca de diálogo.

    “Se alguém das Forças Armadas quiser fazer política, pode. Ninguém proíbe. Mas não pode as forças armadas se meter na política”, comentou o petista, ao reforçar que essas instituições têm o “papel de defender nosso país, nossas fronteiras terrestres, marítimas, aéreos”.

    Lula revelou, indiretamente, que tem pavimentado interlocuções com integrantes da ala militar: “Estou conversando com todo mundo. Se eu ganhar as eleições, aí vou conversar com as Forças Armadas sobre o papel delas, que não é se meter na política. Elas tem um papel importante. O que elas não podem é dar sustentação a um genocida que já é responsável por quase 600 mil mortes nesse país”, afirmou, em referência a Bolsonaro.

    Petrobras

    O ex-presidente comentou também sobre a venda de ativos da Petrobras. Segundo ele, “quem tá comprando a Petrobrás, se prepare, porque a gente pode reverter isso”.  A grande maioria dos integrantes do Partido dos Trabalhadores defende que a empresa seja gerida integral – ou, pelo menos, a maior parte – pelo poder público, ou seja, pelo governo federal.

    Lula aproveitou para repercutir o atual cenário da economia nacional, segmento que é apontado por alguns analistas como o “calcanhar de aquiles” do petista na disputa pela presidência. “Economia pode crescer na medida em que tenha um governo que conquiste credibilidade na sociedade”, refletiu.

    Cultura

    O petista discursou, ainda, sobre a atuação do governo Bolsonaro na área da cultura: “O presidente é inimigo da cultura; acabou com o Ministério da Cultura. Ele considera que toda arte é inimiga dele, porque só é amigo dele a ignorância e das fake news”.

    Fonte: Agora RN

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